É um mamífero carnívoro de corpo extremamente esguio e hidrodinâmico, pertencente à espécie Lontra longicaudis, perfeitamente adaptado para o estilo de vida semiaquático. Apresenta um comprimento corporal total que varia entre 90 e 150 centímetros, dos quais a cauda cônica e musculosa representa cerca de um terço do comprimento total. O peso corporal varia de 5 a 15 quilogramas, demonstrando um leve dimorfismo sexual, sendo os machos ligeiramente maiores e mais robustos que as fêmeas. Sua pelagem é visivelmente curta, densa e brilhante, exibindo uma coloração marrom-escura ou castanho-acinzentada no dorso, tornando-se nitidamente mais clara, em tons de creme ou cinza-amarelado, na garganta e na região ventral. As patas são curtas e fortes, providas de membranas interdigitais completas que auxiliam na propulsão dentro da água, complementadas por garras afiadas e resistentes. A cabeça é achatada, com um focinho largo dotado de vibrissas altamente sensíveis, e olhos pequenos posicionados na parte superior da cabeça para garantir boa visibilidade enquanto nada na superfície.
Distribuição geográfica: Distribui-se amplamente por toda a região neotropical, estendendo-se desde as áreas costeiras do noroeste do México em direção ao sul, passando por toda a América Central, até alcançar o norte e centro da Argentina e Uruguai na América do Sul. Pode ser encontrada em diversas bacias hidrográficas, abrangendo quase todo o território do Brasil, a bacia Amazônica, os Andes colombianos e equatorianos em altitudes moderadas, e os principais sistemas de rios do Paraguai.
Ambiente: Habita uma grande diversidade de ecossistemas aquáticos de água doce, salobra e ocasionalmente marinhos. Demonstra forte preferência por rios de correnteza rápida, riachos, lagoas, pântanos, manguezais e florestas inundáveis. Um requisito crucial para a sua sobrevivência é a presença de uma densa cobertura vegetal ripária, que utiliza para construir tocas, buscar abrigo e criar seus filhotes. Tolera variações de altitude desde o nível do mar até aproximadamente 3000 metros de altitude, desde que haja abundância de fendas rochosas, troncos caídos ou raízes expostas ao longo das margens para servir de refúgio.
Alimentação: Possui uma dieta predominantemente carnívora e altamente oportunista, na qual os peces de diversas famílias constituem sua principal fonte de energia. Complementa ativamente sua nutrição consumindo crustáceos decápodes (como caranguejos e lagostins), moluscos, anfíbios, pequenos répteis e, esporadicamente, pequenos mamíferos e aves aquáticas. Sua estratégia de caça baseia-se na perseguição ativa subaquática, utilizando suas vibrissas táteis para detectar a vibração de suas presas em águas turvas ou sob condições de baixa visibilidade.
Comportamento: É uma espécie de hábitos majoritariamente solitários, com exceção das fêmeas acompanhadas por seus filhotes durante o período de criação. Apresenta padrões de atividade que podem ser diurnos ou crepusculares, embora tenda a tornar-se estritamente noturna em áreas com forte pressão antrópica. É uma nadadora excepcional que realiza movimentos ondulatórios do corpo e da cauda para se deslocar na água. Estabelece territórios bem definidos que marca ativamente com fezes, urina e secreções glandulares depositadas em locais conspícuos, como rochas ou troncos caídos, funcionando como um importante canal de comunicação intraespecífica.
Reprodução: O ciclo reprodutivo caracteriza-se por um período de gestação que dura entre 56 e 86 dias, havendo indícios que sugerem a ocorrência de implantação tardia em algumas populações. O tamanho da ninhada varia de 1 a 5 filhotes, sendo o nascimento de dois ou três indivíduos o mais comum. Os nascimentos ocorrem no interior de tocas subterrâneas ou cavidades naturais protegidas próximas à água. Os filhotes nascem cegos e completamente indefesos, dependendo exclusivamente dos cuidados maternos e do aleitamento durante as primeiras etapas de vida. Os jovens começam a nadar com cerca de dois meses de idade e permanecem sob os cuidados da mãe por até um ano antes de se dispersarem para estabelecer seus próprios territórios.
Categoria de conservação: Atualmente está classificada como Quase Ameaçada (NT) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). As principais ameaças à sobrevivência da espécie incluem a degradação e fragmentação de seu habitat provocadas pelo desmatamento ciliar, a poluição da água por efluentes agrícolas e mineração, além da caça ilegal. Conflitos com atividades de pesca e o afogamento acidental em redes de pesca também representam riscos significativos para a viabilidade a longo prazo de suas populações.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 08/08/2026