Pertence a um grupo conspícuo de mariposas tropicais, destacando-se por apresentar uma envergadura que varia de 80 a 110 milímetros nos espécimes adultos. Exibe um nítido dimorfismo sexual, no qual os machos são caracterizados por antenas bipectinadas plumosas, adaptadas para a quimiorrecepção, enquanto as fêmeas ostentam antenas simples e abdômen visivelmente mais volumoso. As asas anteriores exibem padrões crípticos de cores que variam do marrom-acinzentado ao ocre, assemelhando-se a folhas secas. Em contrapartida, as asas posteriores ostentam um impressionante olho ou ocelo central preto circundado por anéis amarelo e branco, sobre um fundo de intensa coloração rósea-avermelhada, utilizado como exibição de sobressalto contra predadores. As lagartas são robustas, dotadas de cerdas ramificadas com espinhos urticantes (scoli) de coloração verde-clara brilhante e faixas laterais brancas e vermelhas.
Distribuição geográfica: Encontra-se amplamente distribuída na porção centro-sul da América do Sul, com populações abundantes registradas no Brasil (especialmente nos biomas do Cerrado e da Mata Atlântica), no norte da Argentina, no Paraguai e no leste da Bolívia.
Ambiente: Ocupa habitats variados que compreendem florestas subtropicais úmidas, matas de galeria e formações de transição como o Cerrado. Demonstra preferência por áreas florestais preservadas ou em estágio avançado de regeneração secundária, onde haja abundância de plantas hospedeiras adequadas.
Alimentação: Apresenta hábitos alimentares radicalmente distintos conforme o estágio de desenvolvimento. Na fase adulta, possui aparelho bucal atrofiado e não se alimenta (afagia), sobrevivendo apenas dos nutrientes estocados no período larval. Já as lagartas são fitófagas altamente polífagas, consumindo uma vasta gama de folhas de árvores e arbustos, principalmente pertencentes às famílias Fabaceae, Myrtaceae e Rosaceae.
Comportamento: Apresenta hábitos predominantemente noturnos na fase adulta. Os machos são voadores ativos que buscam as fêmeas nas primeiras horas da noite e são atraídos por fontes de luz artificial. Durante o dia, permanecem camuflados na vegetação ou no solo. As lagartas mostram um comportamento gregário nos primeiros ínstares como tática de defesa coletiva, tornando-se solitárias e dispersas nos estágios finais de desenvolvimento.
Reprodução: Inicia-se logo após a emergência dos adultos, quando as fêmeas realizam o chamado liberando feromônios sexuais para atrair os machos. Após o acasalamento, a fêmea deposita massas de ovos semiesféricos de coloração clara na face inferior das folhas das plantas hospedeiras. As larvas eclodem após um período de incubação de 12 a 15 dias. Ao término do crescimento larval, a lagarta migra para o solo, onde tece um casulo rústico de seda misturado a folhas secas na serrapilheira para dar início à pupação.
Categoria de conservação: Não foi formalmente avaliada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), carecendo de classificação oficial em listas vermelhas de espécies ameaçadas. Contudo, suas populações sofrem com a degradação ambiental, a fragmentação de seus habitats naturais e o uso intensivo de defensivos agrícolas.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 01/10/2026