Apresenta uma constituição corporal esguia e alongada, com um peso que varia tipicamente entre 3 e 6,5 quilogramas e um comprimento de 50 a 70 centímetros. Caracteriza-se por possuir membros posteriores extremamente longos e musculosos, adaptados para corridas de alta velocidade, além de orelhas notavelmente compridas, medindo entre 9 e 11,5 centímetros, as quais exibem uma ponta preta muito distinta. A pelagem dorsal é de um tom castanho-acinzentado ou amarelado salpicado de preto, o que confere uma camuflagem altamente eficaz sobre o solo e a vegetação seca, ao passo que a região ventral é nitidamente branca. Os olhos, de uma coloração amarelo-âmbar intensa, são posicionados lateralmente, garantindo um campo de visão quase esférico para a detecção de predadores.
Distribuição geográfica: É nativa de uma vasta extensão territorial da Eurasia, ocorrendo de forma contínua desde a Península Ibérica e Grã-Bretanha, passando por toda a Europa Central e Oriental, até o oeste da Sibéria e o sudoeste da Ásia. Adicionalmente, foi introduzida deliberadamente por ações antrópicas em diversas partes do globo, estabelecendo populações ferais abundantes no Cone Sul da América do Sul (incluindo o sul do Brasil, Argentina, Chile e Uruguai), na Austrália, na Nova Zelândia e em ilhas da América do Norte.
Ambiente: Habita principalmente áreas abertas e planas, demonstrando forte preferência por campos agrícolas, pastagens temperadas, estepes e margens de florestas. Evita florestas densas e fechadas, priorizando ecótonos com sebes, arbustos dispersos ou vegetação rasteira que forneçam tanto alimento quanto abrigos temporários. Sua notável flexibilidade ecológica permite-lhe ocupar áreas intensamente modificadas pelo ser humano, como cultivos de cereais e pomares, desde que o solo apresente boa drenagem e não seja excessivamente úmido.
Alimentação: Trata-se de uma espécie estritamente herbívora que consome uma ampla gama de recursos vegetais ao longo do ano. Durante os meses de primavera e verão, alimenta-se essencialmente de gramíneas, leguminosas (como trevos), dentes-de-leão e brotos herbáceos tenros. No período invernal, na ausência de folhagem verde, sua dieta torna-se mais fibrosa, consumindo cascas de árvores jovens, pequenos ramos, gemas e raízes. Realiza o processo de cecotrofia, ingerindo diretamente do ânus um tipo específico de fezes macias ricas em nutrientes, permitindo a reabsorção de proteínas e vitaminas sintetizadas por microrganismos em seu ceco.
Comportamento: Apresenta hábitos predominantemente crepusculares e noturnos, passando o período diurno de maior luminosidade em repouso. Ao contrário dos coelhos, não escava tocas subterrâneas, preferindo descansar em pequenas depressões ovais cavadas no próprio solo ou na vegetação densa, conhecidas como camas. É um animal solitário que depende da sua coloração críptica para passar despercebido; perante o perigo imediato, foge em uma corrida em zigue-zague que pode atingir velocidades impressionantes de até 75 quilômetros por hora. Na época de acasalamento, ocorrem rituais agonísticos notáveis, onde indivíduos se erguem sobre as patas traseiras e desferem golpes com as dianteiras, mimetizando uma luta de boxe.
Reprodução: Possui um sistema reprodutivo altamente produtivo, com um período de reprodução que se estende do final do inverno até meados do verão. As fêmeas apresentam a capacidade extraordinária de realizar a superfetação, o que lhes permite conceber uma nova ninhada enquanto ainda estão gestando a anterior. Após um período gestacional de 41 a 42 dias, nascem de 1 a 4 filhotes por ninhada. Os filhotes nascem em estado precoce, ou seja, totalmente cobertos de pelos, com os olhos abertos e capazes de se locomover poucas horas após o parto. O cuidado materno é breve e de alta eficiência energética, com o desmame ocorrendo por volta de três a quatro semanas de vida, quando os jovens tornam-se totalmente autônomos.
Categoria de conservação: Está classificada na categoria de Pouco Preocupante (LC) na Lista Vermelha da UICN, devido à sua ampla distribuição geográfica e grandes contingentes populacionais. Contudo, em certas regiões da sua área de distribuição nativa na Europa Ocidental, as populações sofreram declínios acentuados decorrentes da intensificação da agricultura industrial e da perda de habitats tradicionais. Em contrapartida, em regiões onde foi introduzida, como no Cone Sul-Americano, é classificada como uma espécie exótica invasora, demandando controle populacional devido aos danos causados à vegetação nativa e à agricultura local.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 29/07/2026