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Leptotes cassius

Leptotes cassius

(Cramer, 1975)
Yuyera

Família: Lycaenidae
Ordem: Lepidoptera
Classe: Insecta
Filo / Divisão: Arthropoda
Reino: Animalia

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Registros de Córdoba


Descrição


Pertence a um grupo de pequenos e delicados lepidópteros diurnos da família Lycaenidae, sendo amplamente reconhecido por sua coloração sutil e pelo marcante dimorfismo sexual apresentado entre machos e fêmeas.

Apresenta uma envergadura alar reduzida, que varia de 20 a 29 milímetros. Esta espécie exibe um forte dimorfismo sexual na coloração de sua face dorsal. Os machos possuem o dorso das asas em um tom azul-lavanda pálido ou violeta-claro brilhante, delimitado por uma fina margem escura e franjas brancas nas bordas. Já as fêmeas ostentam asas predominantemente de cor branco-acinzentada ou marrom-clara, com escamas azuis brilhantes restritas à base alar e manchas escuras difusas ao longo das margens externas. A face ventral, idêntica em ambos os sexos, exibe um intrincado e altamente camuflado padrão de faixas transversais zebradas em tons de branco e marrom-acinzentado. No ângulo anal das asas posteriores, destacam-se dois proeminentes ocelos pretos contornados por uma faixa laranja e preenchidos internamente por escamas reflexivas de cor azul-metálico ou verde brilhante, que imitam falsas antenas para desviar os ataques de predadores de suas partes vitais.

Distribuição geográfica: Encontra-se amplamente distribuída pelas Américas, ocupando uma grande diversidade de ecossistemas desde o sul dos Estados Unidos, especialmente nos estados da Flórida e do Texas, estendendo-se por toda a bacia do Caribe, incluindo as Grandes e Pequenas Antilhas. A sua ocorrência prossegue continuamente por toda a América Central e atinge quase a totalidade da América do Sul, sendo comumente registrada em países como Colômbia, Venezuela, Equador, Peru, Bolívia, Paraguai, por todo o território do Brasil e alcançando o norte da Argentina.

Ambiente: Ocupa preferencialmente áreas abertas, ensolaradas e semiáridas. É uma espécie abundante em áreas perturbadas, clareiras florestais, capoeiras, savanas, dunas costeiras, pastagens e bordas de estradas. Demonstrou também uma extraordinária capacidade de adaptação aos ambientes urbanos e suburbanos, colonizando facilmente jardins residenciais, praças públicas e pomares onde suas plantas hospedeiras estão presentes, ocorrendo desde o nível do mar até altitudes de cerca de 1500 metros.

Alimentação: Durante a fase larval, as lagartas são herbívoras altamente especializadas no consumo de botões florais, flores em desenvolvimento e vagens jovens de plantas pertencentes à família das leguminosas (Fabaceae), tais como espécies dos gêneros Galactia, Crotalaria, Phaseolus e Albizia, além de plantas ornamentais da família Plumbaginaceae, com destaque para a bela-emília (Plumbago auriculata). Os adultos são nectarívoros generalistas, alimentando-se do néctar de uma ampla gama de flores silvestres rasteiras, especialmente das famílias Asteraceae e Verbenaceae, além de realizarem o comportamento de absorção de sais minerais e umidade diretamente de solos úmidos ou lodosos.

Comportamento: Possui um voo baixo, veloz e extremamente errático, o que dificulta sua predação por aves e insetos maiores. É um inseto estritamente diurno, mostrando-se ativo durante os períodos de maior incidência solar. Ao pousar, mantém as asas fechadas sobre o dorso, exibindo seu padrão ventral críptico que se confunde com os arredores. Realiza constantemente um movimento alternado de fricção entre as asas posteriores, fazendo com que as falsas caudas e os ocelos se movam, atraindo o foco visual dos predadores para a extremidade traseira das asas. Os machos são territoriais e frequentemente se reúnem em pequenos grupos sobre solo úmido ou areia para realizar o puddling, extraindo sódio e minerais essenciais para sua sobrevivência e reprodução.

Reprodução: Trata-se de uma espécie multivoltina, o que significa que se reproduz continuamente ao longo de todo o ano em regiões de clima quente e tropical. A fêmea fertilizada deposita individualmente seus minúsculos ovos de formato discoide e coloração verde-pálida ou esbranquiçada diretamente sobre os botões florais das plantas hospedeiras. Ao eclodirem, as lagartas apresentam alta variação de cor, podendo ser verdes, amarelas ou marrom-avermelhadas, mimetizando as flores de que se alimentam. Desenvolvem uma relação de simbiose mutualística facultativa com várias espécies de formigas (mirmecofilia); as lagartas possuem glândulas dorsais que exsudam um líquido adocicado e rico em aminoácidos apreciado pelas formigas e, em troca, estas oferecem proteção contra vespas parasitas e outros predadores. A pupação ocorre na serrapilheira do solo ou nas porções inferiores da planta hospedeira, emergindo o adulto após um breve período de metamorfose.

Categoria de conservação: Não se encontra avaliada ou listada sob categorias de ameaça de extinção global pela Lista Vermelha da UICN. Graças à sua vasta distribuição geográfica, grande tolerância à perturbação humana e abundância de suas plantas hospedeiras, suas populações globais permanecem estáveis, sendo considerada uma espécie de Pouco Preocupante que não necessita de planos emergenciais de manejo ou preservação.



Compilação e publicação: EcoRegistros – 23/08/2026




Distribuição geográfica


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157203704/04/2022ArgentinaCórdobaJardín Botánico, CórdobaGaston Lisandro Gabinetti
56845617/04/2017ArgentinaCórdobaJardín Botánico, CórdobaGaston Lisandro Gabinetti
56845416/04/2017ArgentinaCórdobaMuseo Palacio Ferreyra, CórdobaGaston Lisandro Gabinetti
19083809/06/2013ArgentinaCórdobaBarrio Marqués de Sobremonte, CórdobaJosé María Aguirre
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Citação recomendada
Utilize a referência abaixo para citar esta ficha da espécie.
EcoRegistros. 2026. Leptotes cassius – Ficha da espécie. Acessado em www.ecoregistros.org em 21/09/2026.