Apresenta-se como um anfíbio anuro de grande porte e constituição corporal robusta que exibe um comprimento rostro-cloacal variando entre 80 e 115 milímetros nos machos adultos, enquanto as fêmeas adultas podem atingir até 120 milímetros de comprimento. A cabeça é proporcionalmente grande, com formato triangular e focinho arredondado quando observado em vista dorsal. O aspecto morfológico mais marcante do táxon é a presença de seis a oito pregas dérmicas longitudinais paralelas que se estendem ao longo do dorso, conferindo à pele uma textura estriada singular. A coloração do dorso é bastante variável, apresentando tons que oscilam entre o verde-oliva, marrom e cinza, ornamentados com manchas escuras arredondadas e oceladas circundadas por uma fina linha amarelada ou esbranquiçada. A região ventral possui fundo claro, esbranquiçado ou creme, com um notável padrão reticulado escuro mais concentrado na garganta e no peito. Os membros posteriores são extremamente musculosos, adaptados para saltos vigorosos, e exibem barras transversais escuras muito nítidas.
Distribuição geográfica: Esta espécie possui uma ampla área de distribuição no Cone Sul da América do Sul. É amplamente registrada no centro e norte da Argentina, estendendo-se pelas regiões dos pampas, Chaco e Mesopotâmia. Ocorre também em todo o território do Uruguai e no centro-sul do Paraguai. No Brasil, sua distribuição abrange principalmente os estados das regiões sul e sudeste, incluindo Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Essa vasta distribuição geográfica demonstra uma considerável capacidade de adaptação a diferentes condições climáticas e altitudes, ocorrendo de maneira mais abundante em áreas de planície.
Ambiente: Habita preferencialmente zonas associadas a ecossistemas aquáticos de água doce. É comumente encontrada em corpos de água lênticos, como lagoas permanentes e temporárias, brejos, pântanos, banhados e campos inundáveis. Também pode ser avistada nas margens de riachos e canais de fluxo lento. Apresenta uma notável tolerância a ambientes alterados pela atividade humana, colonizando áreas agrícolas, valas de drenagem, pastagens ativas e lagos artificiais em chácaras e parques suburbanos. Durante os períodos de estiagem ou inverno rigoroso, abriga-se sob troncos caídos, pedras ou fendas profundas no solo úmido.
Alimentação: É um predador oportunista, generalista e extremamente voraz. Os girinos alimentam-se principalmente de matéria orgânica em suspensão, algas, detritos e perifíton presente no substrato aquático. Os adultos alimentam-se de uma grande variedade de presas vivas, constituídas majoritariamente por invertebrados terrestres como besouros, aranhas, gafanhotos, caracóis e minhocas. Indivíduos adultos de grande porte também predam sobre pequenos vertebrados, incluindo outros anfíbios (inclusive juvenis de sua própria espécie), pequenos lagartos, roedores silvestres e eventualmente filhotes de aves que caem de ninhos baixos. A captura da presa ocorre por meio de tática de emboscada, utilizando uma língua pegajosa e mandíbulas fortes.
Comportamento: Possui hábitos essencialmente crepusculares e noturnos, permanecendo oculta durante o dia, embora possa se manter ativa em dias chuvosos ou nublados. É uma espécie solitária na maior parte do ano. Quando se sente ameaçada, utiliza estratégias de defesa bem desenvolvidas: infla consideravelmente os pulmões para aumentar seu volume corporal, emite um grito de agonia agudo para assustar o predador, ou realiza saltos rápidos em direção à água, enterrando-se no lodo do fundo. Durante o período reprodutivo, os machos tornam-se territoriais e emitem um canto de anúncio característico de baixa frequência a partir de áreas rasas ou flutuando na água.
Reprodução: A atividade reprodutiva ocorre nos meses quentes de primavera e verão, sendo estimulada pela ocorrência de chuvas fortes. O acasalamento ocorre por meio de amplexo axilar. A fêmea realiza a desova em um volumoso ninho de espuma flutuante, que é produzido pelo batimento de suas pernas traseiras misturando secreções mucosas e ar, geralmente ancorado à vegetação aquática para evitar deriva. Este anuro destaca-se por apresentar um notável cuidado parental: a fêmea permanece vigilante nas proximidades do ninho de espuma e, após a eclosão, acompanha ativamente os cardumes coesos de girinos, defendendo-os de forma agressiva contra peixes e insetos predadores.
Categoria de conservação: A espécie está classificada como Pouco preocupante (LC) na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Essa classificação justifica-se por sua ampla distribuição, populações estáveis e grande adaptabilidade a habitats modificados. Contudo, populações locais enfrentam ameaças decorrentes da poluição da água por pesticidas agrícolas, perda de banhados para a expansão imobiliária e fragmentação de habitat decorrente da urbanização.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 10/08/2026