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Leopardus wiedii

Leopardus wiedii

Tigrillo
Margay

Família: Felidae
Ordem: Carnivora
Classe: Mammalia
Filo / Divisão: Chordata
Reino: Animalia

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Registros de Tacuarembó

Estado de conservação: Quase Ameaçado


Descrição


O gato-maracajá, gato-da-mata, gato-peludo ou maracajá-peludo (nome científico: Leopardus wiedii) é um pequeno felino nativo da América Central e América do Sul. Solitário e noturno, vive principalmente em florestas perenes e decíduas.

O nome científico Felis wiedii foi usado por Alexandre de Mello Camargo em 1821 em sua primeira descrição científica do gato-maracajá, em homenagem ao príncipe Maximilian zu Wied-Neuwied, que coletou espécimes no Brasil. Até a década de 1990, os gatos-maracajás eram caçados ilegalmente para o comércio de animais selvagens, resultando numa grande diminuição da população. Desde 2008, foi listado como quase ameaçado na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) porque acredita-se que a população esteja diminuindo devido à perda de habitat após o desmatamento.

Tem, como característica, uma cauda mais longa do que seus membros posteriores. Os seus pelos são amarelo-escuros nas partes superiores do corpo e na parte externa dos membros. Tem manchas sob a forma de rosetas com uma região central amarela por todo o corpo, da cabeça à cauda. Uma característica da espécie são seus olhos bem grandes e protuberantes, como também, focinho saliente, patas grandes e cauda bastante comprida. Possui uma grande habilidade arborícola. Seu período de gestação dura em média em torno de 80 dias, vindo à luz apenas um único filhote por vez.

A espécie se encontra listada como "quase ameaçada" pela IUCN, por sua ampla distribuição geográfica, sendo encontrada desde a zona costeira do México até o norte do Uruguai e Argentina e em todo o Brasil Estima-se que nos próximos 15 anos a população sofrerá um declínio de pelo menos 10%, principalmente pela perda e fragmentação de habitat relacionadas a expansão agrícola. No Brasil, a espécie já se encontra na lista vermelha (ameaçado) do Estado da Bahia.

Etimologia e vernáculos: O zoônimo maracajá advém do tupi marakaiá Além destes, a espécie é designada no português como gato-do-mato, gato-maracajá, gato-peludo, maracajá-peludo. No espanhol é chamada caucel, chiví, cunaguaro, gato brasileño, gato tigre grande, tigrillo, tirica malla grande, tigre gallinero, burricón, gato pintado, mbaracayá miní; no inglês margay.

Taxonimia: Felis wiedii foi o nome científico proposto por Heinrich Rudolf Schinz em 1821 para um espécime zoológico do Brasil. Felis macroura foi proposto por Maximilian von Wied em 1825, que descreveu os gatos-maracajás que obteve nas selvas ao longo do rio Mucuri no Brasil. No , vários holótipos foram descritos e propostos como novas espécies ou subespécies:
  • Felis glaucula de Oldfield Thomas em 1903 era a pele e crânio de uma fêmea adulta de Jalisco, no centro do México.
  • Felis wiedii vigens de Thomas em 1904 era o crânio e pele de um adulto de Igarapé-Açu, no Pará, no Brasil.
  • Felis pirrensis de Edward Alphonso Goldman em 1914, era a pele e crânio de uma adulta de Cana, no leste do Panamá.
  • Margay glaucula nicaraguae de Joel Asaph Allen em 1919 era o crânio e pele de adulto de Volcan de Chinandego na Nicarágua.
  • Felis glaucula oaxacensis e F. g. yucatanicus de Edward William Nelson e Goldman em 1931 eram a pele e crânio de um adulto de Cerro San Felipe em Oaxaca e a pele de uma fêmea de Iucatã, no México, respectivamente.
  • Felis wiedii cooperi de Nelson em 1943 era a pele de um macho de Eagle Pass, Texas.

Os resultados de um estudo genético de amostras de DNA mitocondrial indicam que existem três grupos filogeográficos. Portanto, três subespécies são atualmente considerados táxons válidos:
  • L. w. wiedii do sul do Amazonas
  • L. w. vigens do norte do Amazonas
  • L. w. glauculus na América Central


Características: O gato-maracajá é muito semelhante à maior jaguatirica (Leopardus pardalis) em aparência, embora a cabeça seja um pouco mais curta, os olhos maiores e protuberantes e a cauda e as pernas mais longas. Pesa de 2,6 a 4 quilos (5,7 a 8,8 libras), com um comprimento de corpo de 48 a 79 centímetros (19 a 31 polegadas) e um comprimento de cauda de 33 a 51 centímetros (13 a 20 polegadas); outras fontes dão o comprimento dos machos entre 70,5 e 97 centímetros (705 e 970 milímetros) e das fêmeas entre 42,5 e 78 centímetros (428 e 780 milímetros). Seu focinho é saliente. Ao contrário da maioria dos outros gatos, a fêmea possui apenas dois seios . Seu pelo é marrom e marcado com numerosas fileiras de rosetas marrom-escuro ou pretas e estrias longitudinais. A parte inferior é mais pálida, variando do amarelo-claro ao branco, e a cauda possui inúmeras faixas escuras e a ponta preta. A parte de trás das orelhas é preta com marcações brancas circulares no centro. Consegue imitar o som de suas presas para atraí-las, como o chamado de filhotes de saguis da espécie Saguinus bicolor (soim-de-coleira), atraindo, dessa forma, os adultos para uma emboscada. É o primeiro registro ne carnívoro do reino neotropical a utilizar-se de mimetismo.

Distribuição e habitat: O gato-maracajá está distribuído desde as planícies tropicais do México, passando pela América Central até o Brasil e o Paraguai. No México, foi registrada em 24 dos 32 estados, indo para o norte até as planícies costeiras e Sierra Madres até os estados de Coahuila, Novo Leão e Tamaulipas no leste e no sul de Sonora no oeste, todos na fronteira com os Estados Unidos. O limite sul de sua distribuição atinge o Uruguai e o norte da Argentina. Habita quase exclusivamente florestas densas, variando de floresta tropical perene a floresta tropical seca e floresta nublada. O maracajá às vezes é observado em plantações de café e cacau. Especificamente no Brasil, é encontrado em quase todo o território: no estado do Ceará apenas na Floresta Nacional do Araripe, e também em apenas metade do sul do estado do Rio Grande do Sul; nos estados de Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Sergipe é encontrado apenas na Mata Atlântica costeira.

O único registro dos Estados Unidos foi coletado em algum momento antes de 1852 perto de Eagle Pass, no condado de Maverick, no Texas e é atualmente considerado localmente extinto no estado. A presença da gato-maracajá nos Estados Unidos é considerada "incerta" pela Lista Vermelha da IUCN. Restos fósseis foram coletados em depósitos do Pleistoceno no condado de Orange, no Texas, ao longo do rio Sabine, e acredita-se que tenham se espalhado por porções consideráveis do sul do Texas ao mesmo tempo. Evidências fósseis de gatos-maracajás ou gatos parecidos foram encontradas na Flórida e na Geórgia, datando do Pleistoceno, sugerindo que tinham uma distribuição ainda mais ampla no passado.

Habitat e ecologia: O gato-maracajá ocorre em todos os biomas do Brasil, mas está principalmente associado a ambiente de floresta, sendo desde formações densas contínuas a pequenos fragmentos em ecossistemas savânicos, de matas primitivas a degradadas. Na Caatinga, sua distribuição é mais restrita a áreas de transição vegetacional e cânions de mata densa. É um alpinista habilidoso e às vezes é chamado de jaguatirica por causa dessa habilidade. Passa a maior parte do tempo nas árvores, saltando e perseguindo pássaros e macacos pelas copas das árvores. Pode virar seus tornozelos em até 180 graus, podendo agarrar galhos igualmente bem com suas patas dianteiras e traseiras, e é capaz de pular até 3,7 metros (12 pés) horizontalmente. Geralmente é solitário e vive em áreas de vida de 11 a 16 quilômetros quadrados (4,2 a 6,2 milhas quadradas). Usa a marcação de odores para indicar seu território, incluindo borrifar urina e deixar marcas de arranhões no solo ou nos galhos. Todas as suas vocalizações parecem ser de curto alcance, não fazendo chamados em longas distâncias.

Dieta: Uma vez que o gato-maracajá é principalmente noturno e naturalmente raro em seu ambiente, a maioria dos estudos dietéticos baseou-se no conteúdo estomacal e na análise fecal. Caça pequenos mamíferos (macacos, roedores e marsupais), pássaros, ovos, lagartos e rãs arborícolas. Também come grama, frutas e outras vegetações, provavelmente para ajudar na digestão. Um relatório de 2006 sobre uma gato-maracajá perseguindo esquilos em seu ambiente natural confirmou que é capaz de caçar suas presas inteiramente em árvores. No entanto, às vezes, caçam no solo e, segundo relatos, comem presas terrestres, como Thryonomys e porquinhos-da-índia.

Reprodução e ciclo de vida: As fêmeas ficam no cio por quatro a dez dias ao longo de um ciclo de 32 a 36 dias, durante o qual atraem os machos com um longo gemido. O macho responde ganindo ou emitindo sons trinados e também balançando rapidamente a cabeça de um lado para o outro, um comportamento não visto em nenhuma outra espécie de gato. A cópula dura até sessenta segundos e é semelhante à dos gatos domésticos; ocorre principalmente nas árvores e ocorre várias vezes enquanto a fêmea está no cio. Ao contrário de outras espécies de felinos, os gatos-maracajás não são ovuladores induzidos.

A gestação dura cerca de 80 dias e geralmente resulta no nascimento de um único filho (muito raramente, são dois), geralmente entre março e junho. Pesam de 85 a 170 gramas ao nascer. É relativamente grande para um gato pequeno e provavelmente está relacionado ao longo período de gestação. Abrem os olhos por volta das duas semanas de idade e começam a comer alimentos sólidos com sete a oito semanas. Atingem a maturidade sexual entre 12 e 18 meses de idade e foi relatado que vivem mais de 20 anos em cativeiro.

Conservação: Atualmente, é classificada como "quase ameaçada" visto sua ampla distribuição geográfica, pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). É regulado pelo Appêndice I da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção (CITES): todo comércio internacional é proibido. Estima-se que nos próximos 15 anos (3 gerações) deva ocorrer um declínio na população de cerca de 10%, devido a perda e fragmentação de habitats relacionadas à expansão agrícola.

A perda e fragmentação de seu habitat é, sem dúvida, a principal ameaça à espécie no Brasil. A Mata Atlântica e a Amazônia são os biomas em que a espécie recebe maior pressão. O abate de animais para o controle de predação de aves domésticas e o atropelamentos nas regiões Sul e Sudeste podem ser algumas das principais causas da mortalidade da espécie, da mesma forma que a transmissão de doenças por carnívoros domésticos.

Conservação no Brasil: A população de gato-maracajá assim como as demais espécies de felinos de pequeno-médio porte do Brasil (exceção de Leopardus pardalis), é relativamente pequena. As densidades variam entre 0.01-0.05 animal por quilômetro quadrado, chegando a 0.1-0.25 indivíduo por quilômetro quadrado apenas nas áreas consideradas de alta densidade, sendo encontradas em poucas localidades de densidade elevada e sempre onde Leopardus pardalis está ausente ou em números consideravelmente baixos. Já foi demonstrado que o gato-maracajá é afetado de forma negativa pela espécie Leopardus pardalis, por conta do seu potencial de predação intraguilda (Efeito pardalis) afetando assim, significativamente seus números. Este felino é particularmente mais abundante em ambientes florestados da Mata Atlântica (região Sul e Sudeste) e, especialmente, da Amazônia. No Cerrado é encontrada apenas em áreas de matas de galeria ou vegetação mais densa, sendo assim, seu número bastante restrito, como no Complexo do Pantanal, onde apresenta densidades bem inferiores a 0.01 por quilômetro quadrado.

Sua população efetiva foi estimada de a 20 mil indivíduos. Uma estimativa muito conservadora do desmatamento nos dois principais biomas (Mata Atlântica e Amazônia) onde a espécie ocorre indica uma perda de no mínimo 5% do seu habitat na área atual, nos próximos 15 anos ou três gerações, prevendo assim uma perda populacional de cerca de 10% para a espécie. Dado está situação, o gato-maracajá consta em várias listas de conservação regionais: em 2005, foi classificado como vulnerável na Lista de Espécies da Fauna Ameaçadas do Espírito Santo; em 2010, como vulnerável no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná e em perigo na Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna do Estado de Minas Gerais; em 2014, como vulnerável na Lista das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção no Rio Grande do Sul e em perigo no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada de Extinção no Estado de São Paulo; em 2014 e 2018, respectivamente, como vulnerável no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção e na Lista Vermelha do Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção; em 2017, como em perigo na Lista Oficial das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção do Estado da Bahia; em 2018, com vulnerável na Lista das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção no Estado do Rio de Janeiro; e em 2022, como vulnerável (VU) na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da Fauna do Ceará.

Sendo a espécie considerada como ameaçada de extinção na Mata Atlântica do sul da Bahia, devido a caça e desmatamento que ocorre na região, evidenciando assim a prioridade em esforços de conservação da espécie nesse bioma. O "Projeto Gatos do Mato - Brasil" coordenado pelo Instituto Pró-Carnívoros e com participação de 10 outras instituições e equipe multidisciplinar, iniciado em 2004 com financiamento do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA), vem obtendo uma série de informações sobre a biologia e a história natural da espécie e de todos os outros pequenos felíneos (Felinae) encontrados no Brasil, contribuindo assim para à sua conservação.

Fonte: Wikipedia, artigo Leopardus wiedii. Conteúdo adaptado da Wikipedia, disponível sob a licença CC BY-SA 4.0. Acessado em 15/07/2026.





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139859121/04/2021UruguaiTacuaremboCuchilla de Laureles, TacuarembóGuillermo Menéndez
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EcoRegistros. 2026. Leopardus wiedii – Ficha da espécie. Acessado em www.ecoregistros.org em 21/09/2026.