Apresenta uma envergadura alar de tamanho médio, variando entre 45 e 55 milímetros. A coloração dorsal das asas é predominantemente marrom-escura, decorada com impressionantes olhos falsos (ocelos) coloridos tanto nas asas anteriores quanto nas posteriores, que funcionam como mecanismo de defesa visual contra predadores. Destaca-se uma faixa transversal de cor laranja-viva ou creme na asa anterior. Em contraste, a face ventral das asas exibe padrões altamente crípticos em tons de cinza, marrom e bege, assemelhando-se a folhas secas quando o inseto está de asas fechadas em repouso. Um detalhe morfológico essencial para sua identificação taxonômica reside na clava antenal, que possui a parte nua (nudum) de coloração escura ou preta.
Distribuição geográfica: Encontra-se amplamente distribuída pela região Neotropical e porções meridionais da região Neártica. Sua ocorrência geográfica abrange desde o extremo sul dos Estados Unidos (especialmente no sul da Flórida e no sul do Texas), estendendo-se pelas ilhas do Caribe, México, América Central e distribuindo-se amplamente pela América do Sul até alcançar as regiões de clima temperado da Argentina e do Uruguai.
Ambiente: Demonstra forte associação ecológica com ecossistemas costeiros, habitando prioritariamente áreas de manguezais, marismas e pântanos salgados. Contudo, exibe grande plasticidade e coloniza ambientes abertos e antropizados, como dunas costeiras, pastos secos, margens de estradas, terrenos baldios e jardins urbanos onde suas plantas hospedeiras ocorrem. Desenvolve-se perfeitamente em áreas sob influência de clima quente e tropical, demonstrando excelente tolerância à salinidade marinha.
Alimentação: Na fase adulta, este lepidóptero possui hábitos alimentares nectarívoros, visitando ativamente flores de pequeno porte para obter carboidratos essenciais. Entre suas fontes preferidas de néctar destacam-se flores dos gêneros Lantana, Avicennia, Bidens e Stachytarpheta. Já na fase de lagarta, apresenta comportamento estritamente herbívoro, alimentando-se das folhas de plantas hospedeiras específicas, com destaque para o mangue-preto (Avicennia germinans) e diversas espécies pertencentes às famílias botânicas Acanthaceae e Verbenaceae, tais como o gênero Ruellia.
Comportamento: Apresenta hábitos estritamente diurnos e heliófilos, voando com maior vigor durante os períodos de intensa radiação solar e temperaturas elevadas. Os machos são altamente territoriais, permanecendo pousados sobre o solo arenoso ou folhagem baixa para vigiar a área, de onde partem em voos rápidos e erráticos para cortejar fêmeas ou afugentar machos rivais. Quando perturbados, fecham as asas imediatamente para se camuflar na vegetação ou abrem-nas bruscamente para expor os ocelos e assustar potenciais ameaças.
Reprodução: Inicia-se com um cortejo aéreo vigoroso promovido pelo macho. Após a cópula, a fêmea deposita seus ovos de forma individual na superfície inferior das folhas das plantas hospedeiras. As lagartas ao eclodirem apresentam coloração escura e corpo revestido por espinhos ramificados (scoli), que atuam como defesa física contra predadores. Ao completar o desenvolvimento larval, fixam-se em ramos por um botão de seda para realizar a metamorfose, transformando-se em uma crisálida pendente cujo formato e coloração mimetizam galhos secos e detritos.
Categoria de conservação: Não se encontra avaliada de forma global pela Lista Vermelha da IUCN, sendo considerada uma espécie comum e amplamente distribuída. Entretanto, suas populações locais enfrentam sérias pressões ecológicas decorrentes da degradação e destruição sistemática dos manguezais causadas pela expansão imobiliária costeira, poluição e alterações climáticas, evidenciando a necessidade de preservação de seus habitats de reprodução e alimentação.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 06/08/2026