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Ischnura fluviatilis

Ischnura fluviatilis

(Seeds, 1876)

Família: Coenagrionidae
Ordem: Odonata
Classe: Insecta
Filo / Divisão: Arthropoda
Reino: Animalia

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Registros de São Sepé


Descrição


É um táxon de odonata de pequeno porte, caracterizado por um marcante dimorfismo sexual e polimorfismo cromático nas fêmeas. Os machos adultos apresentam um comprimento corporal que varia entre 25 e 31 milímetros, exibindo um abdômen predominantemente preto com uma mancha de cor azul brilhante extremamente visível localizada no oitavo segmento abdominal. O tórax dos machos possui faixas antehumerais de tom verde-limão ou azul-celeste brilhante, contrastando com as faixas escuras adjacentes. As fêmeas apresentam um polimorfismo de cor notável, com formas andromórficas, que mimetizam perfeitamente o padrão azul e preto dos machos, e formas ginomórficas, que exibem tons mais discretos de marrom, laranja ou verde-oliva opaco. Ambos os sexos possuem asas membranosas e hialinas, destacando-se nos machos um pterostigma bicolor (cinza e branco) em formato de losango nas asas anteriores, um importante caractere diagnóstico em campo para a identificação de Ischnura fluviatilis.

Distribuição geográfica: Encontra-se amplamente distribuído pela porção meridional da região Neotropical. Sua ocorrência geográfica estende-se pelas regiões central e sul do Brasil, abrangendo todo o território do Paraguai e do Uruguai, e alcançando as províncias temperadas e subtropicais da Argentina, havendo também registros consolidados em regiões do centro-norte do Chile. Trata-se de uma espécie com expressiva capacidade de adaptação latitudinal, colonizando bacias hidrográficas em altitudes que vão desde o nível do mar até cerca de 1500 metros de altitude.

Ambiente: Habita principalmente corpos de água doce lênticos e lóticos de baixa vazão. Seus habitats preferenciais incluem lagoas rasas, banhados, pântanos, brejos e margens calmas de rios de planície. A presença de uma cobertura densa de vegetação aquática flutuante e emergente, especialmente macrófitas como as dos gêneros Eichhornia e *Pistia, é um fator ecológico limitante, servindo de microhabitat para o desenvolvimento ninfal, poleiro para os adultos e substrato para a postura de ovos. Demonstra considerável tolerância a ambientes moderadamente eutrofizados ou alterados pela atividade humana.

Alimentação: Apresenta hábitos exclusivamente carnívoros durante todas as fases do seu desenvolvimento biológico. Na fase de ninfa aquática, é um predador de emboscada que consome uma ampla gama de pequenos invertebrados, como cladóceros (pulgas-d´água), copépodes, larvas de dípteros (principalmente quironomídeos) e pequenos crustáceos. Ao atingir o estágio adulto, transforma-se em um predador aéreo ágil que captura suas presas em pleno voo ou diretamente sobre a vegetação ripária. Sua dieta é composta principalmente por mosquitos, pequenas moscas, pulgões e outros insetos de corpo mole de pequeno porte.

Comportamento: Apresenta padrões de atividade estritamente diurna, com maior intensidade de voo e interações sociais durante os períodos de maior incidência solar. Os machos são altamente territoriais, estabelecendo e defendendo pequenas áreas sobre as folhas flutuantes, onde permanecem empoleirados à espreita de fêmeas e realizam voos rápidos para afugentar machos rivais. O voo deste inseto é tipicamente baixo, curto e flutuante, ocorrendo a pouquíssimos centímetros da superfície da água ou da vegetação marginal, o que minimiza o risco de predação por aves insetívoras e libélulas de maior porte.

Reprodução: O ciclo reprodutivo inicia-se com exibições territoriais e a formação do tandem, seguido pela clássica cópula em formato de roda ou coração. Após a fertilização, a fêmea inicia a postura dos ovos de forma solitária, embora o macho possa permanecer próximo realizando voos de vigilância territorial. A postura é do tipo endofítica, na qual a fêmea utiliza seu ovipositor serrilhado para inserir os ovos individualmente dentro dos tecidos vivos de plantas aquáticas flutuantes ou submersas. Após o período de incubação, as ninfas emergem e passam por vários estágios de desenvolvimento sob a água até que ocorra a metamorfose final para a fase adulta alada.

Categoria de conservação: É classificada na categoria de Pouco preocupante** (LC) de acordo com os critérios de avaliação de risco de extinção para a fauna de odonatos da América do Sul. Essa classificação reflete sua ampla distribuição geográfica, densidades populacionais estáveis e notável plasticidade ecológica. Contudo, ameaças localizadas como a perda de habitat devido ao drenamento de áreas úmidas, poluição por defensivos agrícolas e degradação da vegetação marginal representam fatores de pressão ambiental sobre as populações locais deste inseto.



Compilação e publicação: EcoRegistros – 05/09/2026




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ID RegistroDataHora exataPaísProvincia / DepartamentoLugarFilmadoFotografadoVocalização gravadaObservadoOidaFerido ou mortoIndivíduos quantidadeUsuário ou BibliografiaDetalhe
90395102/04/2019BrasilRio Grande do SulSão Sepé, São SepéMarina Schmidt Dalzochio
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Citação recomendada
Utilize a referência abaixo para citar esta ficha da espécie.
EcoRegistros. 2026. Ischnura fluviatilis – Ficha da espécie. Acessado em www.ecoregistros.org em 22/09/2026.