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Icteridae sp.


Família: Icteridae
Ordem: Passeriformes
Classe: Aves
Filo / Divisão: Chordata
Reino: Animalia

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Descrição


Compreende um conjunto morfologicamente heterogêneo de passeriformes com dimensões corporais acentuadamente variáveis, apresentando comprimentos totais que variam entre 15 e 53 centímetros e uma massa que vai de 20 a mais de 500 gramas nos táxons mais corpulentos. A conformação anatômica típica exibe um bico cônico, pontiagudo e sem entalhes na base, estendendo-se de maneira contínua sobre a fronte frontal, o que viabiliza a abertura ativa de cavidades por meio da manobra de forrageamento expansivo (gaping). A plumagem é caracterizada por uma matriz de preto lustroso com brilho iridescente, intercalada de forma expressiva com áreas de amarelo vivo, alaranjado intenso, vermelho escarlate e marrom castanho. Observa-se um dimorfismo sexual evidente em grande parte das espécies, no qual os machos revelam maior porte corporal e plumagens cromáticas marcantes, ao passo que as fêmeas comumente trazem librés crípticas em tons pardacentos, oliváceos ou estriados. Os membros pélvicos são robustos e adaptados com unhas firmes, permitindo tanto a caminhada vigorosa pelo solo quanto o pouso acrobático em galhos finos.

Distribuição geográfica: Trata-se de uma linhagem restrita ao Novo Mundo, com ocorrência geográfica contínua desde as regiões árticas e boreais do Alasca e Canadá, percorrendo todos os biomas de América Central e das ilhas caribenhas, até os limites meridionais da Argentina e Chile. A maior densidade de espécies e diferenciação ecomorfológica localiza-se na porção tropical da América do Sul, sobressaindo-se nas florestas de várzea da Bacia Amazônica, nos enclaves da Mata Atlântica, na região do Chocó e nas vertentes úmidas da Cordilheira dos Andes.

Ambiente: Ocupa uma ampla multiplicidade de formações vegetais, demonstrando elevada flexibilidade ecológica ao colonizar florestas pluviais de terra firme, manguezais, matas de galeria, bosques nebulares e paisagens abertas como as savanas do Cerrado, a vegetação arbustiva da Caatinga, os pampas temperados e os estepes patagônicos. Muitas formas mantêm estreita dependência de áreas úmidas dulcícolas, banhados densamente vegetados e taboais, ao passo que espécies oportunistas adaptaram-se com facilidade a matrizes agrícolas, lavouras de grãos, pastagens cultivadas e áreas verdes urbanizadas.

Alimentação: Apresenta hábitos alimentares onívoros e generalistas, potencializados por adaptações musculares crânio-faciais que possibilitam a exploração mecânica de fendas vegetais e frutos encapsulados. O cardápio diário inclui uma vasta gama de invertebrados terrestres, destacando-se gafanhotos, besouros, formigas, aranhas e lagartas desfolhadoras, associados ao consumo continuado de frutos silvestres, bagas carnosas e sementes de gramíneas. Diversos representantes consomem néctar floral, atuando como agentes polinizadores de espécies arbóreas, enquanto espécimes de grande porte podem exercer predação oportunista sobre pequenos vertebrados, como rãs, lagartixas e ovos em ninhos alheios.

Comportamento: Revela um comportamento social fortemente gregário fora do período de reprodução, reunindo-se em bandos expressivos que dividem dormitórios coletivos de grande magnitude em canaviais ou copas de árvores. As vocalizações figuram entre as mais elaboradas das aves neotropicais, emitindo sinfonias metálicas, trinados estridentes, assovios ressonantes e notas guturais cruciais para a demarcação de território e a corte nupcial. Os regimes reprodutivos abrangem desde associações monogâmicas estáveis até sistemas de poliginia acentuada, com machos alfa estabelecendo haréns e patrulhando áreas comunitárias de exibição.

Nidificação: Exibe notável amplitude arquitetônica e comportamental no que tange à reprodução. Determinados gêneros constroem estruturas admiráveis em formato de bolsas tecidas pendentes, que chegam a ultrapassar 1 metro de extensão suspensas em galhos isolados no topo de árvores emergentes sob regime colonial; outros produzem taças abertas camufladas em meio à vegetação palustre densa. Por outro lado, linhagens emblemáticas adotaram o parasitismo reprodutivo obrigatório, depositando seus ovos nas posturas de outras espécies hospedeiras, as quais assumem integralmente o cuidado parental. Nas espécies não parasitas, a postura varia de 2 a 5 ovos elípticos e manchados, com incubação de 11 a 15 dias, sucedida pelo rápido crescimento de filhotes nidícolas.

Categoria de conservação: Encontra-se genericamente classificado no patamar de Pouco Preocupante (LC) conforme os critérios de avaliação da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), em razão de suas amplas extensões de ocorrência e elevada densidade populacional na maioria dos ecossistemas. Entretanto, certos táxons endêmicos restritos a brejos específicos, ilhas oceânicas ou savanas fragmentadas sofrem declínios severos e encontram-se formalmente catalogados como Ameaçado (EN) ou Vulnerável (VU), impulsionados pela perda de habitat, drenagem indiscriminada de várzeas e expansão da fronteira agropecuária intensiva.



Compilação e publicação: EcoRegistros – 02/11/2026




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Citação recomendada
Utilize a referência abaixo para citar esta ficha da espécie.
EcoRegistros. 2026. Icteridae sp. – Ficha da espécie. Acessado em www.ecoregistros.org em 03/11/2026.