Apresenta-se como o maior roedor vivente do planeta, com um corpo robusto em formato de barril, cabeça retangular de focinho truncado e patas proporcionalmente curtas. Os adultos apresentam um peso corporal médio que varia de 35 a 66 quilogramas, podendo alcançar marcas excepcionais de até 91 quilogramas. Sua pelagem é rústica, áspera e esparsa, com colorações que variam do marrom-avermelhado ao cinza-escuro, tornando-se mais clara na região ventral. Não possui cauda externa visível e exibe membranas interdigitais nas patas, que contam com quatro dedos nos membros anteriores e três nos posteriores, sendo esta uma adaptação essencial para o nado. Seus olhos, orelhas e narinas estão estrategicamente posicionados no topo da cabeça, facilitando a respiração e a percepção sensorial durante a submersão parcial.
Distribuição geográfica: Encontra-se amplamente distribuído pela maior parte da América do Sul, a leste da Cordilheira dos Andes. Ocorre de forma contínua em bacias hidrográficas e áreas úmidas que compreendem territórios da Venezuela, Colômbia, Guianas, Equador, Peru, Bolívia, Paraguai, Uruguai e norte da Argentina, além de estar presente em quase todo o território do Brasil. A espécie é ausente nas regiões andinas de grande altitude, na costa do Pacífico e nas áreas frias e áridas da Patagônia.
Ambiente: Ocorre exclusivamente em áreas associadas a corpos d´água doce permanentes ou temporários. Seus habitats preferenciais incluem várzeas, savanas inundáveis, banhados, margens de rios e lagos, além de áreas pantanosas como o Pantanal brasileiro. O habitat ideal requer a proximidade entre corpos de água para termorregulação e refúgio, pastagens abertas para forrageamento e fragmentos de mata ciliar ou vegetação arbustiva densa para abrigo e repouso térmico.
Alimentação: Trata-se de um herbívoro generalista e seletivo, cuja dieta é composta majoritariamente por gramíneas, plantas aquáticas e herbáceas. Durante o período de estiagem, consome também cascas de árvores, ramos finos e frutos silvestres. Para maximizar o aproveitamento dos nutrientes vegetais, realiza a cecotrofia (coprofagia), reingerindo suas fezes moles e ricas em micróbios simbiontes, o que possibilita a digestão eficiente da celulose e a absorção de proteínas e vitaminas essenciais.
Comportamento: É uma espécie extremamente gregária, vivendo em grupos sociais estáveis que reúnem de 10 a 30 indivíduos, estruturados sob a liderança de um macho dominante, fêmeas reprodutoras, machos submissos e jovens. No período de seca extrema, a escassez de água força a união de bandos distintos, formando agrupamentos temporários de mais de 100 indivíduos. Possui excelentes habilidades de nado e mergulho, conseguindo permanecer submerso por até cinco minutos para fugir de predadores como a onça-pintada (Panthera onca). A comunicação social é complexa, mediada por marcas odoríferas e sinais sonoros como latidos de alarme, assobios, cliques e guinchos.
Reprodução: Apresenta atividade reprodutiva contínua ao longo do ano, registrando picos reprodutivos associados ao início da estação chuvosa. O acasalamento ocorre obrigatoriamente na água. Após um período de gestação estimado entre 130 e 150 dias, a fêmea dá à luz em ambiente terrestre a uma ninhada de 2 a 8 filhotes. Os filhotes são altamente precoces, alimentando-se de capim e acompanhando o grupo poucas horas após o nascimento. É comum a prática de amamentação comunitária, na qual as fêmeas lactantes do bando alimentam cooperativamente qualquer filhote do grupo.
Categoria de conservação: Está classificado como Pouco Preocupante (LC) na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da UICN devido à sua ampla distribuição geográfica e abundância populacional. Contudo, populações locais enfrentam sérias ameaças decorrentes da caça predatória para consumo de carne e comércio de couro, perda irreversível de áreas úmidas e contaminação de recursos hídricos por atividades agropecuárias e industriais.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 02/08/2026