Hippocampus é um gênero de peixes ósseos, pertencente à família Syngnathidae, de águas marinhas temperadas e tropicais que engloba as espécies conhecidas pelo nome comum de
cavalo-marinho.
Os cavalos-marinhos, do coletivo: manada. Caracterizam-se por terem uma cabeça alongada, com filamentos que lembram a crina de um cavalo, e por exibirem mimetismo semelhante ao do camaleão, podendo mudar de cor e mexer os olhos independentemente um do outro. Nadam com o corpo na vertical, movimentando rapidamente as suas barbatanas. Algumas espécies podem ser confundidas com plantas marinhas, corais ou anêmonas marinhas. Geralmente medem entre 15 e 18 centímetros, mas podem medir desde 13 a 30 centímetros, dependendo da espécie, com peso entre 50 e 100 gramas. Vivem em águas de regiões de clima temperado e tropical.
Todas as espécies de cavalos-marinhos estão em perigo de extinção. Uma das causas é pesca predatória e a destruição de habitat. Outra causa é o captura frequente deles para serem usados como peça de decoração ou simplesmente serem criados em um aquário.
Existem três espécies brasileiras de cavalos-marinhos, o
Hippocampus erectus, Hippocampus reidi e o
Hippocampus patagonicus, que foi descoberto em 2004.
Nome científico: Os hipocampos eram seres da mitologia grega (séquitos de Poseidon), que possuíam as partes superiores de seus corpos iguais a de um cavalo, com crina membranosa, guelras e membranas interdigitais nos supostos cascos, e suas partes inferiores eram a de um peixe ou golfinho, por isso eram conhecidos como "cavalos-marinhos".
Hábitos alimentares: As espécies desse gênero são carnívoras. Alimentam-se de pequenos crustáceos, moluscos, vermes, e plâncton, que são sugados através de suas bocas tubulares. Como eles não tem o costume de irem atrás de alimento, eles comem o que estiver passando por eles. A cauda desses animais é longa e preênsil, o que permite que eles se agarrem às plantas submarinas enquanto se alimentam.
Reprodução: A reprodução dos cavalos-marinhos geralmente ocorre na primavera. Para se reproduzirem, as fêmeas dos cavalos-marinhos dão preferência ao macho de maior tamanho corporal e que tenha mais ornamentos em seu corpo. Para que os machos consigam uma fêmea para se reproduzirem, eles também precisam atraí-la fazendo uma dança do acasalamento.
A reprodução inicia quando os Óvulos da espécie são transferidos da bolsa incubadora da fêmea para a do macho, no momento do acasalamento. Os Óvulos, já na bolsa incubadora do macho, que se localiza na base de sua cauda, são fertilizados por esperma que o próprio macho libera lá dentro. Dois meses mais tarde, os Óvulos eclodem e o macho realiza violentas contorções para expelir os filhotes, que estão dentro da sua bolsa incubadora.
Os filhotes, quando nascem, são transparentes e medem menos de um centímetro, mas com variações, dependendo da espécie. Eles sobem logo à superfície para encherem suas bexigas natatórias de ar, para poderem se equilibrar na água ao nadarem. Após nascerem, já são totalmente independentes de seus pais, mesmo sendo frágeis. Um cavalo-marinho macho geralmente gera 100 a 500 filhotes por gestação, dependendo da espécie. Geralmente, quase 97% dos filhotes de cavalos-marinhos são mortos por predadores naturais, que são, geralmente, peixes maiores.
Localização: Existem cerca de 48 espécies classificadas de cavalos-marinhos, que são encontradas principalmente em águas rasas tropicais e temperadas em todo o mundo, preferindo viver em áreas abrigadas, tais como leitos de algas marinhas, estuários, recifes de corais ou mangues. Nas águas do Pacífico vive a maior das espécies
Hippocampus ingens, que atinge cerca de 30 centímetros. No Brasil são registradas três espécies:
H. erectus (abundante em todo o oceano Atlântico, desde a Nova Escócia até o Uruguai),
H. reidi (a espécie mais comum no litoral brasileiro) e
H. patagonicus.
O cavalo-marinho comum (
Hippocampus hippocampus) é natural do Atlântico Norte, sendo encontrado também no litoral lusitano e no mar Mediterrâneo, onde compartilha o habital com outras duas espécies: o
H. guttulatus (o cavalo-marinho-de-focinho-longo) e
H. fuscus (o pônei-do-mar). Nessas áreas, os machos ficam dentro de 1 metro quadrado em seu território, enquanto fêmeas variam de cerca de cem vezes isso. Outras espécies que podem ser mencionadas incluem
H. algiricus do litoral atlântico da África (incluindo Angola) e
H. camelopardalis que habita o canal de Moçambique.
Lista de espécies: - Hippocampus abdominalis. Estado: Dados insuficientes
- Hippocampus alatus. Estado: Dados insuficientes
- Hippocampus algiricus. Estado: Vulnerável A2cd+4 cd
- Hippocampus angustus. Estado: Dados insuficientes
- Hippocampus barbouri. Estado: Vulnerável A2cd+4 cd
- Hippocampus bargibanti. Estado: Dados insuficientes
- Hippocampus biocellatus. Estado: Não avaliado
- Hippocampus borboniensis. Estado: Dados insuficientes
- Hippocampus breviceps. Estado: Dados insuficientes
- Hippocampus camelopardalis. Estado: Dados insuficientes
- Hippocampus capensis. Estado: Em perigo B1abc+2abc
- Hippocampus colemani. Estado: Não avaliado
- Hippocampus comes. Estado: Vulnerável A2cd
- Hippocampus coronatus. Estado: Dados insuficientes
- Hippocampus curvicuspis. Estado: Não avaliado
- Hippocampus debelius Estado: Não avaliado
- Hippocampus denise. Estado: Dados insuficientes
- Hippocampus erectus. Estado: Vulnerável A4cd
- Hippocampus fisheri. Estado: Dados insuficientes
- Hippocampus fuscus. Estado: Dados insuficientes
- Hippocampus grandiceps. Estado: Não avaliado
- Hippocampus guttulatus. Estado: Dados insuficientes
- Hippocampus hendriki. Estado: Dados insuficientes
- Hippocampus hippocampus. Estado: Dados insuficientes
- Hippocampus histrix. Estado: Vulnerável A2cd+4 cd
- Hippocampus ingens. Estado: Vulnerável A2cd+4 cd
- Hippocampus jayakari. Estado: Dados insuficientes
- Hippocampus jugumus. Estado: Não avaliado
- Hippocampus kelloggi. Estado: Vulnerável A2d+4d
- Hippocampus kuda. Estado: Vulnerável A4cd
- Hippocampus lichtensteinii. Estado: Dados insuficientes
- Hippocampus minotaur. Estado: Dados insuficientes
- Hippocampus mohnikei. Estado: Dados insuficientes
- Hippocampus montebelloensis. Estado: Não avaliado
- Hippocampus multispinus. Estado: Não avaliado
- Hippocampus paradoxus. Estado: Não avaliado
- Hippocampus paradoxus. Estado: Não avaliado
- Hippocampus patagonicus. Estado: Não avaliado
- Hippocampus pontohi. Estado: Dados insuficientes
- Hippocampus procerus. Estado: Não avaliado
- Hippocampus pusillus. Estado: Não avaliado
- Hippocampus queenslandicus. Estado: Não avaliado
- Hippocampus reidi. Estado: Dados insuficientes
- Hippocampus satomiae. Estado: Dados insuficientes
- Hippocampus semispinosus. Estado: Não avaliado
- Hippocampus severnsi. Estado: Dados insuficientes
- Hippocampus sindonis. Estado: Pouco preocupante
- Hippocampus spinosissimus. Estado: Vulnerável A2d+4d
- Hippocampus subelongatus. Estado: Dados insuficientes
- Hippocampus trimaculatus. Estado: Vulnerável A4cd
- Hippocampus tyro. Estado: Não avaliado
- Hippocampus waleananus. Estado: Não avaliado
- Hippocampus whitei. Estado: Dados insuficientes
- Hippocampus zebra. Estado: Dados insuficientes
- Hippocampus zosterae. Estado: Dados insuficientes
Cavalos-marinhos pigmeus: Cavalos-marinhos pigmeus tem menos do que 15 milímetros (0,59 in) de altura e 17 milímetros (0,67 in) de largura. Anteriormente, o termo foi aplicado exclusivamente para a espécie
H. bargibanti. Mas, desde 1997, as descobertas fizeram este termo obsoleto. As espécies
H. minotauro,
H. denise,
H. colemani,
H. pontohi,
H. severnsi e
H. satomiae têm sido descritas assim. Outras espécies, que ainda não foram classificadas, também têm sido relatadas em livros, revistas de mergulho e na internet. Eles podem ser distinguidos de outras espécies de cavalos-marinhos pelos seus anéis de tronco 12, baixo número de anéis de cauda em comparação com os cavalos-marinhos normais (26-29), a localização na qual jovens são postos na região do tronco dos machos e seu tamanho extremamente pequeno. A análise molecular (de RNA ribossômico) de 32 espécies Hippocampus descobriram que
H. bargibanti pertence a um clado separado de outros membros do gênero e, portanto, que as espécies divergiram das outras espécies em um passado "antigo". Cavalos-marinhos pigmeus são melhor camuflados e vivem em estreita associação com outros organismos, incluindo hidrozoários coloniais (Lytocarpus e Antennellopsis), algas coralíneas (Halimeda) fãs do mar (Muricella, Annella, Acanthogorgia). Isto, combinado com seu pequeno porte, explica por que a maioria das espécies só foram notadas e classificadas a partir de 2001.
Na medicina tradicional: As populações de cavalos-marinhos estão sendo ameaçadas nos últimos anos pela pesca excessiva e a destruição de habitat. As espécies de cavalos-marinhos são usadas na medicina tradicional chinesa e aproximadamente 20 milhões são capturados a cada ano e vendidos para esta finalidade. Cavalos-marinhos não são facilmente criados em cativeiro pois são muito suscetíveis à doença e acredita-se que os "selvagens" têm melhores propriedades medicinais comparadas a cavalos-marinhos de aquário. Os cavalos-marinhos são também utilizados como medicamentos pelos indonésios, filipinos e muitos outros grupos étnicos. Importação e exportação de cavalos-marinhos tem sido controlada pela CITES desde 15 de maio de 2004. No entanto, Indonésia, Japão, Noruega e Coreia do Sul decidiram optar por sair das regras comerciais estabelecidos pela CITES. O problema pode ser exacerbado pelo crescimento de comprimidos e cápsulas como o método preferido de ingerir a medicação à base de cavalos-marinhos. Eles são mais baratos e acessíveis do que os tradicionais e o conteúdo é mais difícil de rastrear. Os cavalos-marinhos devem ter de um certo tamanho e qualidade antes de serem aceites pelos praticantes da medicina tradicional chinesa (MTC) e consumidores. O declínio da disponibilidade e da preferência aos de grande porte torna possível para os comerciantes da MTC venderem os mais jovens, o que não era comum anteriormente. Hoje, quase um terço dos cavalos-marinhos vendidos na China são pré-embalados, aumentando a pressão sobre as espécies.