Apresenta um corpo robusto de tamanho médio, variando de 25 a 30 milímetros de comprimento corporal, com uma envergadura de asas que atinge entre 75 e 85 milímetros. A coloração geral desta cigarra varia entre tons de marrom-esverdeado e marrom-escuro, permitindo uma camuflagem extremamente eficiente nos troncos de árvores. Sua cabeça é larga, dotada de grandes olhos compostos proeminentes e três ocelos dispostos em triângulo no topo. O pronoto exibe um padrão característico de manchas escuras simétricas, enquanto o mesonoto apresenta linhas longitudinais fundamentais para a identificação taxonômica. As asas anteriores são totalmente hialinas (transparentes), com venação espessa e bem marcada que escurece em direção ao ápice. Os machos possuem um par de tímbalos abdominais cobertos por opérculos arredondados, que funcionam como caixas acústicas para amplificar seu canto estridente.
Distribuição geográfica: Distribui-se nativamente pelo Cone Sul da América do Sul, abrangendo amplas regiões da Argentina (principalmente nas províncias de Buenos Aires, Entre Ríos, Santa Fe e Córdoba), além de cobrir a totalidade do Uruguai e a porção sul do Brasil, especificamente no estado do Rio Grande do Sul. Sua distribuição está intimamente associada aos ecossistemas de bacias hidrográficas dos rios Paraná e da Prata.
Ambiente: Habita preferencialmente áreas de transição ecológica, incluindo o bioma Pampa, matas de galeria, formações de Espinal, capoeiras suburbanas e arborização urbana rica em espécies florestais nativas e exóticas. Prefere bosques abertos e ensolarados, onde os adultos encontram galhos expostos à radiação solar para termorregulação e vocalização.
Alimentação: É um insecto estritamente fitófago com hábitos sugadores de seiva. Tanto as ninfas quanto os adultos alimentam-se de seiva vegetal (predominantemente do xilema) extraída de uma vasta gama de plantas lenhosas e herbáceas. Os adultos utilizam seu aparelho bucal do tipo picador-sugador para perfurar os ramos jovens de árvores hospedeiras como salgueiros (Salix spp.), eucaliptos (Eucalyptus spp.) e leguminosas nativas. As ninfas subterrâneas nutrem-se sugando os fluidos das raízes finas das plantas durante seus longos anos de desenvolvimento subterrâneo.
Comportamento: Demonstra atividade estritamente diurna nos meses mais quentes do ano, ocorrendo do final da primavera ao final do verão. Os machos exibem um comportamento territorial e acústico muito intenso, produzindo um canto estridulante altamente ruidoso para atrair fêmeas e afastar concorrentes masculinos. Embora os adultos sejam voadores ágeis, passam a maior parte do tempo imóveis nos troncos, confiando na coloração críptica para evitar predadores como aves e vespas. As ninfas possuem hábitos exclusivamente subterrâneos e fossoriais, utilizando pernas dianteiras modificadas para escavar túneis no solo úmido.
Reprodução: Segue um ciclo de vida hemimetábolo caracterizado por uma fase ninfal subterrânea que pode durar vários anos. Após o acasalamento motivado pela atração acústica, a fêmea utiliza seu ovopositor serrilhado para realizar incisões na casca de galhos finos, inserindo dezenas de ovos alongados. Após a eclosão, as ninfas recém-nascidas caem e enterram-se no solo. Ao atingirem a maturidade final, as ninfas de último ínstar emergem do solo durante noites quentes, escalam superfícies verticais e realizam a última muda ou ecdise, abandonando a típica exúvia translúcida agarrada aos troncos para se tornarem adultos alados.
Categoria de conservação: Não foi formalmente avaliada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), sendo classificada como Não Avaliada (NE). Regionalmente, é considerada uma espécie comum e abundante; contudo, a degradação florestal, a urbanização desordenada e a aplicação de defensivos agrícolas químicos podem causar declínios populacionais localizados ao afetar o substrato do solo e as plantas hospedeiras.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 22/08/2026