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Grapsus adscensionis

Grapsus adscensionis

Cangrejo Moro

Família: Grapsidae
Ordem: Decapoda
Classe: Malacostraca
Filo / Divisão: Arthropoda
Reino: Animalia

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Descrição


Introdução: Grapsus adscensionis, comummente conhecido como caranguejo-fidalgo, nos Açores, ou caranguejo-cabra, na Madeira, é uma espécie de crustáceo decápode, próprio das costas atlânticas das ilhas macaronésicas, nomeadamente dos arquipélagos das Canárias, dos Açores, das Selvagens e da Madeira, marcando presença também na costa de Marrocos e Costa Africana.

É uma espécie comum da fauna de entre-marés do Atlântico Oriental.

Só depois de 1990 é que se passou considerar o caranguejo-fidalgo como uma espécie diferente de caranguejo-vermelho (Grapsus grapsus), que habita nas costas atlânticas americanas.

É capturado tanto para consumo humano, como para se usar como isco na pesca.

Etimologia: Quanto ao nome científico desta espécie:
  • O nome genérico, Grapsus, provém do neolatim, tratando-se de uma adaptação do grego grapsaios´, que significa «caranguejo».
  • O epíteto específico, adscencionis, também provém do latim, tratando-se de uma declinação do étimo, adscensĭo, e significa «trepar, escalar, ascender».


Descrição Morfológica: O caranguejo-fidalgo tem o corpo avermelhado ou acastanhado, achatado e largo. Possuí 10 patas, pertencendo à classe Decapoda, incluindo as pinças em forma de colher que, são relativamente maiores dos que o resto das patas e servem para alimentação e defesa e as restantes servindo para a locomoção sendo que as primeiras duas patas são mais curtas que as restantes. Os seus olhos são pedunculados e há aposição dos mesmos. O seu corpo apresenta uma simetria bilateral e tem um exosqueleto, que lhe confere suporte e proteção, contendo fosfato de cálcio.

Dimorfismo sexual: Como a maioria dos caranguejos, o caranguejo-fidalgo também apresenta dimorfismo sexual sendo esta visível a nível do abdómen, os machos possuem um abdómen triangular e pontiagudo enquanto o das fêmeas é maior e arredondado uma vez que é lá que se localizam os ovos. Outra diferença entre macho e fêmea é o tamanho sendo que geralmente os machos têm um tamanho maior que o das fêmeas.

Distribuição demográfica e habitat: Grapsus adscensionis é encontrado em partes da costa atlântica de África e em vários grupos de ilhas do Atlântico, como a Macaronésia, Santa Helena, Ilha da Ascensão, São Tomé e Príncipe e Fernando de Noronha.

A distribuição de Grapsus adscensionis nas Canárias é ampla, mas heterogénea, ou seja, a espécie ocorre ao longo de costas rochosas expostas de várias ilhas, mas a sua densidade populacional varia muito entre locais. Não existe um padrão forte por ilha, sendo a maior variação observada entre locais separados por dezenas de quilómetros dentro do mesmo arquipélago, o que indica que a distribuição é fortemente controlada por características de cada habitat. Nesses gradientes locais, G. adscensionis concentra‑se sobretudo em zonas de alta complexidade estrutural com arribas e costas muito rugosas, onde encontra mais refúgios, e é menos abundante em trechos rochosos simples ou pouco estruturados.  

No arquipélago da Madeira, Grapsus adscensionis é uma espécie típica da zona entremarés rochosa exposta, ocorrendo nas costas rochosas das ilhas principais e também nas Desertas e Selvagens, tal como Açores, Canárias e Cabo Verde. A fauna decápode madeirense tem grandes afinidades maioritariamente europeias e mediterrânicas, sendo o caranguejo‑fidalgo uma das espécies comuns do litoral.

Ecologia e comportamento: Este animal alimenta-se essencialmente de algas e por vezes e carcaças de animais, mas nos estados larvais alimenta-se de fitoplâncton. O alimento é conseguido quando os caranguejos escavam nas rochas e ao longo da costa, sendo que estes adotam o scavenging behavior.

Alguns comportamentos como canibalismo (especialmente quando a população tem alta densidade), agressões entre machos e acasalamento logo a seguir a estas lutas foram relatados na espécie Grapsus grapsus à qual o caranguejo-fidalgo esteve associado durante muito tempo . Os juvenis vivem em grupo, mas os adultos têm uma abordagem mais solitária tendo apenas contacto com outros indivíduos quando se alimentam ou para acasalar.

As larvas conseguem nadar livremente, ou seja, não estão presas aos progenitores ou ao substrato, e não é conhecido se ficam em grupo ou as suas estratégias de defesa contra predadores. Já os adultos, quando não estão em períodos de alimentação ou de acasalamento, ficam nos espaços entre as rochas e outras áreas pequenas, escondidos, protegendo-se dos predadores. Caso sejam descobertos, os caranguejos podem esguichar um jato de água ao predador, usar as pinças ou até perder uma pata, que conseguem voltar a crescer, para conseguirem escapar. Também dependem muito do seu exosqueleto para proteção. 

Quanto aos seus predadores, não existe uma lista específica de predadores do Grapsus adscensionis mas podemos inferir, com base noutros caranguejos semelhantes e com habitats semelhantes, como o Grapsus Grapsus e estes têm como predadores uma variedade de aves, polvos, enguias, peixes e até gatos.

Ciclo de Vida e Reprodução: Este caranguejo é uma espécie dioica, isto significa que os sexos masculino e feminino estão separados em indivíduos distintos, ou seja, os machos produzem apenas gametas masculinos e as fêmeas produzem apenas gametas femininos.

A maturidade sexual do caranguejo fidalgo é atingida a aproximadamente a 38 mm de largura de carapaça nos machos e 43 mm nas fêmeas. Nas fêmeas, os ovos são produzidos na maioria dos intervalos entre as suas mudas, isto é concebido pois a espermateca permite armazenar esperma e produzir sucessivas posturas a partir de uma ou poucas cópulas. A este momento os ovários já se encontram maduros quando os ovos completavam a sua incubação. As fêmeas normalmente mudavam de exoesqueleto pouco depois da eclosão dos ovos e os machos apresentam comportamentos de guarda variando a intensidade entre espécies de Grapsidae. Depositavam novamente uma postura logo no início do seguinte muda e estima-se que uma nova postura seja feita a cada 24 dias com maior proporção de fêmeas ovadas nos períodos mais quentes. A fecundação é interna onde o macho transfere esperma para a espermateca da fêmea, que o usa para fertilizar os ovócitos quando forma uma nova postura, este padrão de armazenamento de esperma é comum em Grapsídeos.

As fêmeas são responsáveis pelos ovos, carregando-os sob os seus corpos. Quando chocam, as larvas são libertadas para a coluna de água com o auxílio das quelíceras das fêmeas. As larvas são dispersas por correntes superficiais do Atlântico sul e norte, o que explica a presença desta espécie em várias ilhas oceânicas e depois os recrutas juvenis colonizam o litoral rochoso onde passam a maioria da sua fase adulta, estes sofrem uma série de mudas onde, com cada muda, novos segmentos são adicionados ao corpo.

A de Grapsus adscensionis apresenta carapaça globosa e lisa, com espinhos rostral e dorsal robustos, olhos sésseis e espinhos laterais reduzidos a pequenas projeções em forma de botão. As antenas são simples, com anténula unirrámea e exópodes pouco desenvolvidos, enquanto as peças bucais como a maxílula, maxila e os primeiros dois maxilípedes, estão bem diferenciadas e providas de setas, refletindo a importância da alimentação nesta fase. O abdómen possui cinco sómitos com pares de papilas laterais e setas póstero-dorsais nos sómitos 2 a 5, sem pleópodes nem pereiópodes, e o télson é bifurcado, com três pares de processos espinhosos na margem posterior e espinhos externos na base de cada furca, característica típica de larvas zoeas de braquiúros.

As larvas do Grapsus adscensionis passam por vários estágios de , onde se alimentam e sofrem sucessivas mudas até atingirem o estádio megalopa, já com uma morfologia mais próxima do caranguejo juvenil. Após a metamorfose para juvenil bentónico, os indivíduos instalam-se em substratos rochosos costeiros, crescendo através de sucessivas mudas até à maturidade sexual, quando então o ciclo se completa com a reprodução e produção de novas posturas de ovos pelas fêmeas.

Importância Ecológica e Interações: Esta espécie é ecologicamente importante, ocupando habitats intertidais onde desempenha um papel na reciclagem de nutrientes e na dinâmica dos ecossistemas costeiros.

No arquipélago da Madeira, participa nas suas teias tróficas costeiras, como consumidor de algas e invertebrados e potencial presa de peixes costeiros e aves marinhas, tendo um papel nestas redes tróficas tanto como predador e presa. Atua sobretudo como consumidor de algas e detritos e como presa importante de peixes e aves costeiras. As suas interações tróficas e comportamentais contribuem para a dinâmica de nutrientes, estruturação das comunidades do médio litoral e ligação entre os ambientes marinhos e terrestres.

Este caranguejo é ecologicamente muito relevante em costas rochosas, participando na reciclagem de nutrientes ao consumir matéria orgânica acumulada nas rochas e redistribuí‑la via excreção e bioturbação. Em ilhas oceânicas e regiões como a macaronésia e a costa africana, integra as assembleias dominantes de Grapsídeos, contribuindo para a produtividade e estabilidade dos ecossistemas litorais. Esta posição no supralitoral ou intertidal permite‑lhe ligar vários fluxos de matéria entre a faixa das ondas, a zona de algas e o ambiente subtidal, funcionando como uma espécie de ponte entre os vários aspetos deste ecossistema.

Estado de Conservação: Atualmente, o Grapsus adscensionis não consta na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), ou seja, ainda não foi formalmente avaliada quanto ao seu risco de extinção global. Registos de bases de dados de biodiversidade, como o sistema EUNIS da Agência Europeia do Ambiente, referem que o estatuto de ameaça para esta espécie é indicado como Not Evaluated, o que significa que não existe uma avaliação oficial pela IUCN disponível até ao momento.

Ameaças e Pressões Ambientais: O Grapsus adscensionis ocorre em zonas costeiras rochosas intertidais, ecossistemas que são particularmente vulneráveis a múltiplas pressões ambientais resultantes de atividades humanas e de mudanças globais no clima. A poluição marinha, incluindo poluentes químicos, metais pesados e lixo sólido, pode degradar a qualidade da água e dos substratos rochosos onde a espécie vive, afetando a fisiologia, o comportamento e a sobrevivência de indivíduos e populações ao longo do tempo. Estudos em espécies de caranguejos intertidais demonstram que níveis elevados de contaminantes podem causar respostas biológicas de stress e comprometer o desenvolvimento e a reprodução de crustáceos em zonas costeiras impactadas por atividades portuárias e industriais.

A pressão direta da pesca artesanal e recreativa, embora geralmente de baixa intensidade, pode reduzir densidades locais quando existe recolha frequente, especialmente em áreas acessíveis durante a maré baixa. A urbanização costeira e a expansão de infraestruturas portuárias ou turísticas também contribuem para a perda e fragmentação do habitat, alterando padrões de exposição à maré e microhabitats essenciais para alimentação e abrigo.

Adicionalmente, as alterações climáticas representam uma ameaça indireta significativa para os habitats intertidais em geral, com elevação do nível do mar, variações de temperatura e acidificação oceânica modificando a dinâmica ecológica dessas zonas e potencialmente deslocando faixas de distribuição de espécies adaptadas às condições atuais.

Pesca: O Grapsus adscensionis é capturado em zonas de entre-marés ou intertidal, geralmente sobre rochas expostas à maré baixa, onde os indivíduos se deslocam para forragear algas e detritos. A apanha é frequentemente feita de forma artesanal e manual, aproveitando o acesso fácil nas áreas rochosas, e pode ocorrer tanto durante o dia como à noite, com alguns pescadores preferindo períodos de baixa luz para encontrar caranguejos menos ativos. O caranguejo-fidalgo é assim recolhido sem técnica industrial, frequentemente sem utensílios complexos, refletindo a prática tradicional de apanha costeira.

Nos Açores a sua apanha está devidamente regulamentada em portarias regionais de pesca que listam a espécie entre as capturáveis e estabelece normas para a apanha artesanal. Nas Ilhas Canárias, a captura de crustáceos costeiros é permitida apenas de forma artesanal e limitada ao consumo local, sem exploração comercial significativa. Em Cabo Verde, a apanha de caranguejos costeiros segue regulamentações gerais de pesca artesanal, mas não existem normas específicas para Grapsus adscensionis. Na Madeira e nas Selvagens, a captura também é artesanal e limitada ao consumo local, sem regulamentação formal para esta espécie. De uma forma geral, a espécie não é alvo de pesca comercial em larga escala, sendo a sua captura destinada principalmente ao consumo local ou a usos tradicionais, como isco para pesca.

Gastronomia dos Açores: Nos Açores, o caranguejo-fidalgo integra, ainda que de forma localizada e não intensiva, a gastronomia tradicional associada às zonas costeiras rochosas. A sua captura ocorre de modo artesanal, sendo utilizado principalmente como petisco em comunidades costeiras, e, ocasionalmente em pratos tradicionais. Estudos sobre a gastronomia tradicional da Macaronésia indicam que crustáceos intertidais, incluindo o Grapsus adscensionis, fazem parte do património culinário das ilhas atlânticas, refletindo a ligação entre pesca artesanal e tradições alimentares.

Fonte: Wikipedia, artigo Grapsus adscensionis. Conteúdo adaptado da Wikipedia, disponível sob a licença CC BY-SA 4.0. Acessado em 17/07/2026.





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Isla de La Palma
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España
09/04/2018
Carlos De Biagi
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  Adulto

Isla de La Palma
Santa Cruz de Tenerife
España
09/04/2018
Carlos De Biagi


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78102509/04/2018EspañaSanta Cruz de TenerifeIsla de La PalmaCarlos De Biagi
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Citação recomendada
Utilize a referência abaixo para citar esta ficha da espécie.
EcoRegistros. 2026. Grapsus adscensionis – Ficha da espécie. Acessado em www.ecoregistros.org em 15/09/2026.