Apresenta um corpo robusto e densamente coberto por cerdas, caracterizando-se por uma coloração geral que varia do marrom-escuro ao preto-acinzentado. O cefalotórax exibe reflexos acobreados ou dourados sob iluminação direta, enquanto o abdômen é densamente povoado por pelos urticantes de tons avermelhados ou rosados. As fêmeas são visivelmente mais corpulentas e pesadas, atingindo um comprimento corporal de 6 a 8 centímetros (sem contar as pernas), ao passo que os machos são consideravelmente mais delgados, possuindo pernas proporcionalmente mais longas e apófises tibiais no primeiro par de patas para conter as quelíceras da fêmea durante o acasalamento.
Distribuição geográfica: Encontra-se distribuída de forma endêmica no cone sul da América do Sul, habitando principalmente as regiões central e pampeana da Argentina. Registros científicos confirmam sua presença constante nas províncias de Buenos Aires, La Pampa, Córdoba e em áreas limítrofes de transição semiárida, onde as populações ocorrem de maneira localizada.
Ambiente: Ocorre preferencialmente em biomas de pastagem pampeana, estepas arbustivas e florestas xerófitas conhecidas como espinais. Este aracnídeo demonstra preferência por solos argilosos ou franco-arenosos compactados, que viabilizam a escavação de galerias subterrâneas profundas, embora também utilize abrigos naturais sob rochas de grande porte ou troncos em decomposição que proporcionam um microclima úmido e estável.
Alimentação: Atua como um predador oportunista de emboscada que caça nas imediações da entrada de sua toca. Sua dieta consiste majoritariamente em uma ampla gama de invertebrados terrestres, tais como coleópteros, ortópteros (como grilos e gafanhotos) e baratas silvestres. Espécimes adultos de grande porte podem, ocasionalmente, subjugar pequenos vertebrados, incluindo lagartos de pequeno porte e roedores recém-nascidos, realizando a digestão extracorpórea por meio da inoculação de enzimas digestivas.
Comportamento: Demonstra hábitos estritamente noturnos e crepusculares, mantendo-se oculta no interior de sua toca forrada de seda durante as horas de radiação solar intensa para evitar o estresse térmico. Apesar de apresentar uma índole relativamente mansa, quando perturbada adota uma postura de ameaça erguendo os membros anteriores e, caso o incômodo persista, fricciona as pernas traseiras contra o abdômen para dispersar cerdas ou pelos urticantes altamente irritantes para as membranas mucosas dos predadores.
Reprodução: Inicia seu período reprodutivo coincidindo com as primeiras chuvas temperadas da primavera e do outono, período no qual os machos maduros abandonam seus abrigos e deambulam ativamente rastreando os feromônios das fêmeas. Ao encontrar uma toca ativa, o macho realiza um cortejo complexo que envolve tamborilares e vibrações rítmicas no solo; se a fêmea aceitar o cortejo, ela emerge para a cópula, demandando uma fuga rápida por parte do macho para evitar o canibalismo. Posteriormente, a fêmea elabora uma espessa ooteca de seda contendo de 150 a 350 ovos, defendendo-a agressivamente até o nascimento dos filhotes.
Categoria de conservação: Não se encontra avaliada formalmente na Lista Vermelha da UICN, figurando na categoria de Não Avaliada (NE) devido à carência de monitoramento populacional sistemático. Contudo, as populações nativas deste táxon sofrem pressões constantes decorrentes da destruição do habitat para a agricultura intensiva, expansão urbana desordenada e o tráfico de animais destinados ao comércio internacional de colecionadores.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 04/08/2026