Descrição: Caminheira de porte médio, 14–16 cm, esguia, de bico longo e levemente curvado. Característica-chave: peito muito escamado, o mais estriado do gênero. Plumagem pardo-arenosa com sobrancelha clara fina e face levemente contrastada. Em voo mostra faixa ruiva na asa com barra subterminal escura e base da cauda clara.
Subespécies:
• titicacae (Noroeste Argentino, 2500–4500 m): Pálida, peito com estrias suaves, base clara da cauda bem marcada, asas ruivas visíveis. Convive com caminheira-puneña, caminheira-colorada e caminheira-bico-fino.
• contrerasi (Serras de Córdoba, 1300–2000 m): Pequena, mais escura, peito fortemente estriado, asas e cauda mais enegrecidas. Convive com caminheira-colorada.
• cunicularia e hellmayri (Patagônia, Pampas e centro-sul): De pampas e estepes. Peito visivelmente estriado, plumagem mais parda, base da cauda menos contrastante que titicacae. Presente do nível do mar até 400 m no sul e até 1.000 m em áreas serranas. Convive com caminheira-patagônica e caminheira-colorada.
Espécies semelhantes:
• Caminheira-Puneña (G. punensis): sem estrias no peito, mais clara, bico mais curto.
• Caminheira-Colorada (G. rufipennis): maior, sem estrias, bico mais curto e grosso, tons canela-avermelhados mais intensos.
• Caminheira-Bico-Fino (G. tenuirostris): plumagem semelhante, porém bico muito mais longo e fino.
• Caminheira-Patagônica (G. antarctica): bico curto, coloração mais uniforme e pálida, sem faixas alares e leve escamado no peito.
Distribuição: Na Argentina desde Jujuy até a Terra do Fogo. Presente no NOA, Cuyo, Serras Centrais, Pampas, Patagônia e costa atlântica, dos 0 aos 4500 m conforme a região e subespécie. Também no Uruguai, sul do Brasil, Paraguai e nos Andes do Peru, Bolívia e Chile. Migração altitudinal no NOA. A subespécie cunicularia do sul migra para o norte no inverno, chegando a Buenos Aires, Uruguai e sul do Brasil.
Ambiente: Ambientes abertos: estepe patagônica, campos pampeanos, praias e dunas costeiras, serras rochosas, puna e planícies alto-andinas. Associada a solos macios ou encostas onde escava ninhos.
Comportamento: Terrestre, corre mais do que voa, balança a cauda para cima e para baixo. É confiada, mas agacha-se contra o solo para se camuflar. Voa baixo e ondulante, mostrando claramente o ruivo das asas. Pode formar grupos no inverno.
Voz:
• cunicularia: série rítmica “wi-TAK wi-TAK wi-TAK…” de 2–6 s, emitida do solo ou em voo de exibição.
• titicacae: trinado áspero e acelerado “chrrrr kwe-kwe-kwe-kwe…”.
Alimentação: Principalmente artrópodes: besouros, larvas, formigas, aranhas, pequenos vermes. Também sementes e brotos. Forrageia no solo aberto e até em estradas.
Reprodução: Ninho em túnel escavado em barrancos, encostas, bordas de estradas ou tocas antigas de roedores. Câmara interna forrada com capins e pelos. Postura: 2–3 (às vezes 4–5) ovos brancos.
Estado de conservação: Espécie comum e não ameaçada.
Autores desta compilação: Diego Carus e Maria Belén Dri – 06/12/2025