Pertence à família dos pentatomídeos e caracteriza-se por apresentar um corpo de contorno ovalado e ligeiramente achatado dorsoventralmente. Sua coloração dorsal é altamente diagnóstica, exibindo um contraste marcante entre o verde brilhante do pronoto e do escutelo, e um tom marrom-bronzeado ou purpúreo nos hemiélitros. O escutelo é proeminente, triangular e desprovido de espinhos conspícuos, embora possa apresentar os ângulos basais sutilmente mais claros. Os adultos medem entre 11 e 15 milímetros de comprimento. As antenas são compostas por cinco segmentos com transições de cor entre o verde e o avermelhado. As ninfas passam por cinco ínstares, alterando drasticamente seu padrão de coloração de tons escuros e amarelados para verde conforme se desenvolvem.
Distribuição geográfica: Esta espécie apresenta ampla distribuição na região neotropical. Sua ocorrência estende-se por grande parte da América do Sul, com registros bem documentados no Brasil (com forte presença nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul), Argentina (províncias do norte e centro), Paraguai, Uruguai, Bolívia, Colômbia e Venezuela. Também há registros de sua presença em áreas úmidas da América Central e em algumas ilhas do Caribe, evidenciando sua grande capacidade de adaptação geográfica.
Ambiente: Habita principalmente biomas de cerrado, florestas abertas e zonas de transição ecológica, demonstrando uma clara preferência por agroecossistemas e áreas antropizadas. É frequentemente observada em lavouras comerciais de leguminosas, margens de estradas com vegetação abundante, pomares e jardins periurbanos, onde a umidade relativa e a densidade de plantas hospedeiras favorecem a manutenção de suas populações.
Alimentação: É um inseto fitófago de hábito generalista e altamente polífago. Utiliza seu aparelho bucal sugador-picador para extrair a seiva de uma vasta gama de plantas vasculares, mostrando preferência por espécies das famílias Fabaceae (como a soja e o feijão) e Solanaceae (incluindo o tomate, a berinjela e a batata). A alimentação ocorre preferencialmente em brotos tenros, vagens em formação e frutos, resultando em necrose celular, abortamento de flores e perda qualitativa das sementes devido à inoculação de enzimas salivares.
Comportamento: Apresenta atividade predominantemente diurna, com picos de movimentação e cópula durante as horas mais quentes do dia. Quando perturbada, aciona um mecanismo de defesa química muito eficiente, liberando um líquido de odor repugnante e volátil produzido por suas glândulas odoríferas metatorácicas. Esse composto atua como repelente contra predadores naturais, como pássaros e artrópodes predadores. Possui boa capacidade de voo, o que facilita a dispersão ativa para novas áreas agrícolas quando os recursos alimentares locais se esgotam.
Reprodução: O ciclo reprodutivo inicia-se com o cortejo sexual, mediado por feromônios e sinais vibratórios transmitidos pelas superfícies das folhas. Após a cópula, a fêmea realiza a postura sob a superfície inferior das folhas das plantas hospedeiras, organizando os ovos em massas compactas que contêm geralmente 14 ovos dispostos de forma regular em duas fileiras paralelas. Os ovos possuem formato de barril e coloração inicialmente verde-clara, escurecendo gradativamente até a eclosão, quando as manchas oculares vermelhas do embrião tornam-se visíveis. O desenvolvimento pós-embrionário engloba cinco estágios ninfais regulados diretamente pela temperatura ambiente.
Categoria de conservação: Atualmente está classificada na categoria de Não Avaliada (NE) pela União Internacional para Conservação da Natureza (UICN). Por ser considerada uma praga agrícola de importância econômica expressiva em diversas culturas, as ações humanas não visam à sua conservação, mas sim ao controle populacional integrado, utilizando parasitoides de ovos (especialmente microhimenópteros da família Scelionidae) e manejos químicos localizados.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 21/08/2026