A choquinha-chumbo (nome científico: Dysithamnus plumbeus) é uma espécie de ave passeriforme da família dos tamnofilídeos (Thamnophilidae). É endêmica da Mata Atlântica do leste do Brasil. Considerada monotípica, ocorre de forma fragmentada desde o sul da Bahia até o Espírito Santo, leste de Minas Gerais e extremo norte do Rio de Janeiro, habitando principalmente o sub-bosque de florestas perenes bem preservadas. Durante grande parte do , foi tratada como coespecífica da choquinha-de-pintas-brancas (Dysithamnus leucostictus), mas estudos de morfologia, ecologia e, sobretudo, de vocalização demonstraram que representa uma linhagem distinta. Mede entre 12 e 13 centímetros de comprimento e apresenta forte dimorfismo sexual, com machos de plumagem cinza-ardósia escura e fêmeas predominantemente marrom-oliváceas.
A espécie alimenta-se principalmente de insetos e outros artrópodes, que captura solitariamente ou aos pares no interior sombreado da floresta, geralmente próximo ao solo. Ocasionalmente participa de bandos mistos de aves insetívoras do sub-bosque e mantém territórios relativamente pequenos e estáveis. Seu comportamento vocal caracteriza-se por uma série de assobios emitidos em sucessão, com aceleração progressiva das notas finais, além de diversos chamados de contato. A reprodução permanece pouco conhecida, mas os dados disponíveis indicam atividade reprodutiva entre agosto e dezembro. Presumivelmente residente ao longo de toda a sua distribuição, a espécie demonstra elevada dependência de florestas maduras e sensibilidade a alterações estruturais do habitat provocadas por incêndios, exploração florestal e outros distúrbios antrópicos.
A choquinha-chumbo encontra-se entre as aves mais ameaçadas da Mata Atlântica de baixada. Sua área de ocupação foi estimada em aproximadamente 448 quilômetros quadrados e a população é considerada severamente fragmentada, com mais da metade da área ocupada distribuída em fragmentos isolados e sem evidências de fluxo gênico entre diversas subpopulações. Em decorrência da perda e degradação do habitat, do declínio populacional e de extinções locais já registradas, a espécie está classificada como vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza e como em perigo nas avaliações nacionais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Embora ocorra em diversas unidades de conservação, incluindo a Reserva Biológica de Sooretama, a Reserva Biológica Augusto Ruschi, a Floresta Nacional de Pacotuba e o Parque Estadual do Rio Doce, sua população apresenta tendência de declínio, tornando prioritárias ações voltadas à proteção dos remanescentes florestais, à conectividade entre fragmentos e ao monitoramento de suas populações.
Etimologia: O nome genérico Dysithamnus deriva do grego dyo (), que significa "mergulhar" ou "penetrar", e thamnos (), que significa "arbusto" ou "moita". O epíteto específico plumbeus deriva do latim plumbeus, que significa "cor de chumbo" ou "plúmbeo".
Taxonomia: A choquinha-chumbo é considerada monotípica, não sendo reconhecidas subespécies válidas. É uma espécie de ave passeriforme da família dos tamnofilídeos (Thamnophilidae), pertencente ao gênero Dysithamnus. Foi originalmente descrita no gênero Myiothera, atualmente em desuso. Também foi anteriormente transferida para o gênero Thamnomanes, classificação posteriormente abandonada em favor de sua manutenção em Dysithamnus. Durante grande parte do , a espécie foi considerada coespecífica da choquinha-de-pintas-brancas (Dysithamnus leucostictus), táxon geograficamente disjunto que então incluía a forma venezuelana tucuyensis. Originalmente, D. plumbeus, D. leucostictus e D. tucuyensis foram descritas como espécies distintas, sendo posteriormente reunidas sob uma única espécie por Hellmayr e Seilern em 1912, provavelmente em razão das semelhanças observadas na plumagem dos machos, embora já naquela época fossem reconhecidas diferenças marcantes na plumagem das fêmeas. As três formas apresentam distribuições alopátricas: D. plumbeus ocorre na Mata Atlântica do sudeste do Brasil, enquanto D. leucostictus distribui-se ao longo da vertente oriental dos Andes, da Colômbia ao norte do Peru, e D. tucuyensis é restrita à Cordilheira da Costa da Venezuela.
Diversos autores propuseram o reconhecimento de D. leucostictus como espécie distinta, enquanto alguns chegaram a considerar tucuyensis uma espécie separada tanto de D. plumbeus quanto de D. leucostictus. A ampla descontinuidade geográfica entre as populações, as diferenças na plumagem das fêmeas, bem como divergências ecológicas e vocais, contribuíram para o ressurgimento dessa interpretação taxonômica a partir do final do . Estudos posteriores demonstraram que a choquinha-chumbo difere claramente de D. leucostictus por características morfológicas e, sobretudo, vocais. Em uma análise detalhada das vocalizações das três formas tradicionalmente incluídas em D. plumbeus, Isler, Isler e Whitney identificaram diferenças diagnósticas consistentes entre a população da Mata Atlântica e os táxons setentrionais, tanto nos cantos quanto nos chamados. Os autores concluíram que D. plumbeus representa uma espécie monotípica distinta, enquanto recomendaram o reconhecimento de D. leucostictus como espécie separada, incluindo tucuyensis como sua subespécie. Embora tenham encontrado algumas diferenças vocais entre leucostictus e tucuyensis, estas foram consideradas insuficientes para justificar sua separação em espécies distintas. Com base principalmente em evidências de vocalização, a separação de D. leucostictus ao nível específico foi posteriormente aceita pelo Comitê de Classificação da América do Sul, enquanto a proposta de reconhecimento de tucuyensis como espécie própria não foi aprovada.
A choquinha-chumbo mede entre 12 e 13 centímetros de comprimento. O macho apresenta plumagem predominantemente cinza-ardósia escura, tornando-se mais enegrecida na região do peito. As coberteiras das asas possuem pontas brancas e margens estreitas da mesma cor, além de uma mancha interescapular branca geralmente oculta. A fêmea difere marcadamente do macho por apresentar coloração marrom-olivácea na maior parte do corpo, duas barras branco-amareladas nas asas, garganta cinza muito pálida e região inferior do ventre de tonalidade ocrácea. Ambos os sexos possuem marcas esbranquiçadas na região do carpo das asas.
Distribuição e habitat: A choquinha-chumbo é endêmica da Mata Atlântica do leste do Brasil, ocorrendo desde o sul da Bahia até o leste de Minas Gerais, Espírito Santo e o norte do Rio de Janeiro. Apesar dessa distribuição relativamente ampla, sua ocorrência conhecida é fragmentada e concentra-se principalmente em remanescentes florestais do Espírito Santo e de Minas Gerais. Habita o sub-bosque de florestas maduras e pouco perturbadas da Mata Atlântica, incluindo áreas de floresta ombrófila densa e floresta estacional semidecidual, geralmente abaixo de 600 metros de altitude, embora possa ocorrer até cerca de 900 metros. A espécie parece depender de florestas primárias ou pouco perturbadas, ocupando ambientes sombreados com árvores maduras, abundância de trepadeiras, emaranhados de vegetação e pequenas árvores no estrato inferior da floresta. Segundo a avaliação nacional mais recente, a área de ocupação da espécie foi estimada em 448 quilômetros quadrados por meio da sobreposição de quadrículas de quatro quilômetros quadrados aos registros atuais confirmados, inferidos e suspeitos. A espécie ocorre no sul da Bahia, Espírito Santo, leste de Minas Gerais e extremo norte do Rio de Janeiro, estando associada à Mata Atlântica das sub-bacias dos rios Contas, Doce e Paraíba do Sul, além de bacias costeiras da Bahia e do Espírito Santo. Mais de metade de sua área de ocupação encontra-se distribuída em fragmentos isolados por grandes distâncias, condição que levou sua população a ser considerada severamente fragmentada. Em avaliação anterior realizada para o Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, a área de ocupação havia sido estimada em 48 quilômetros quadrados, com base apenas nos registros recentes então conhecidos.
Em Minas Gerais, os registros históricos baseados em espécimes concentram-se principalmente nas bacias dos rios Matipó, Piracicaba, rio Doce e Suaçuí, além da localidade de São Benedito, no vale do rio Doce. Registros mais recentes confirmam sua presença em diversos remanescentes florestais distribuídos ao longo de sua área de ocorrência. Na Bahia, a espécie foi registrada na RPPN Serra Bonita, nos municípios de Jaguaquara, Jequié e Itapebi, na Reserva Mata do Passarinho e no Parque Nacional de Boa Nova. Em Minas Gerais, há registros para os municípios de Bandeira, Tombos e Rio Casca, bem como para a Reserva Particular do Patrimônio Natural Feliciano Miguel Abdala, o complexo de Bandeira, a Fazenda Duas Barras, em Santa Maria do Salto, e o Parque Estadual do Rio Doce. No Espírito Santo, foi documentada nos municípios de Domingos Martins e Guaçuí, além da RPPN Cafundó, da Reserva Biológica de Duas Bocas e da Reserva Biológica de Sooretama. No estado do Rio de Janeiro, sua ocorrência recente foi confirmada nos municípios de Porciúncula e Itaperuna.
Em setembro de 2009, um casal foi coletado na margem direita do rio Doce, no município de Rio Casca, a 296 metros de altitude. Os espécimes foram depositados em coleção científica, constituindo um dos poucos registros modernos confirmados por material testemunho e representando uma ampliação de aproximadamente 50 quilômetros para o interior da distribuição conhecida da espécie. Sua distribuição e preferência ecológica contrastam fortemente com as observadas nos táxons relacionados Dysithamnus leucostictus e D. tucuyensis, que habitam florestas montanas da região andina e da Cordilheira da Costa venezuelana, geralmente entre 500 e dois mil metros de altitude. Essas diferenças de distribuição e habitat figuram entre as evidências utilizadas para sustentar a distinção específica entre a choquinha-chumbo e seus congêneres mais próximos.
Ecologia: A espécie é presumivelmente residente ao longo de toda a sua distribuição, não havendo evidências de movimentos migratórios regulares. A alimentação é baseada principalmente em insetos e outros artrópodes, incluindo representantes das famílias dos tetigoniídeos e fasmatídeos. Registros de conteúdo estomacal revelaram a presença de insetos adultos, ovos de insetos e pupas. O forrageamento ocorre geralmente em pares ou indivíduos solitários, desde o nível do solo até cerca de quatro metros de altura, embora a maior parte da atividade seja realizada abaixo de dois metros. Os indivíduos deslocam-se lentamente por meio de saltos curtos, examinando folhas, galhos, cipós e aglomerados de folhas mortas em busca de presas. Também utilizam regularmente o solo, troncos caídos e pequenas mudas como poleiros de caça. A espécie ocasionalmente associa-se a bandos mistos de aves insetívoras do sub-bosque. Entre as espécies registradas nesses agrupamentos estão o arapaçu-de-garganta-branca (Lepidocolaptes fuscus), o barranqueiro-de-olho-branco (Automolus leucophthalmus), o limpa-folha-coroado (Philydor atricapillus), a choquinha-de-rabo-cintado (Myrmotherula urosticta), a choquinha-de-flancos-brancos (Myrmotherula axillaris) e o tiê-de-topete (Habia rubica). Os territórios parecem ser relativamente pequenos e estáveis, geralmente com menos de 1,5 hectare, embora pares vizinhos possam ocasionalmente ocorrer a menos de 75 metros de distância uns dos outros.
O canto consiste em uma série de assobios emitidos em sucessão, com aceleração progressiva nas notas finais. Uma análise quantitativa de vocalizações revelou que os cantos dos machos normalmente apresentam entre oito e doze notas, com duração média de cerca de 2,5 segundos e frequência máxima relativamente baixa quando comparados aos de espécies aparentadas. Além do canto principal, a espécie produz diversos tipos de chamados, incluindo notas simples, um chamado áspero descrito como chirr e pequenos trinados de duração variável. Esses dois últimos tipos vocais não foram registrados em Dysithamnus leucostictus nem em D. tucuyensis, apesar do maior número de gravações disponíveis para esses táxons. A biologia reprodutiva da espécie permanece pouco conhecida. Evidências disponíveis sugerem que a estação reprodutiva ocorre entre agosto e dezembro. Registros de espécimes com gônadas aumentadas foram obtidos entre agosto e janeiro, enquanto indivíduos com gônadas inativas foram registrados entre junho e julho. Um macho adulto foi observado acompanhado por dois jovens em meados de outubro, indicando reprodução recente. O único ninho descrito na literatura foi encontrado em 23 de agosto, localizado entre o nível do solo e três metros de altura em um arbusto situado no sub-bosque de floresta fechada. A postura era composta por dois ovos, cuja incubação era realizada pela fêmea.
Conservação: Ao discutirem os limites taxonômicos do complexo, Isler, Isler e Whitney destacaram que Dysithamnus plumbeus, D. leucostictus e D. tucuyensis apresentam distribuições geográficas amplamente disjuntas e trajetórias evolutivas independentes, ressaltando que estratégias de conservação devem ser desenvolvidas para cada linhagem independentemente de mudanças formais em seu status taxonômico. A choquinha-chumbo está classificada como vulnerável (VU) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), atualmente sob o critério B2ab(ii,iii,iv,v), em razão de sua pequena área de ocupação, da forte fragmentação de sua distribuição e dos declínios inferidos na área de ocupação, extensão e qualidade do habitat, número de localidades e tamanho populacional. No Brasil, a espécie foi avaliada como Em Perigo (EN) sob o critério B2ab(ii,iii) no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, publicado em 2018 com base na Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção divulgada em 2014 (Portaria MMA 444) e sua atualização de 2022 (Portaria MMA 148). Em avaliação nacional mais recente, concluída em 2019 e publicada pelo ICMBio em 2023, foi novamente classificada como Em Perigo (EN), agora sob o critério B2ab(ii,iii,v). A avaliação nacional considerou que sua área de ocupação é de aproximadamente 448 quilômetros quadrados, que a população encontra-se severamente fragmentada, que existem registros de extinções locais e que há declínio continuado da área de ocupação, da qualidade do habitat e do número de indivíduos maduros. A espécie permanece enquadrada em alguma categoria de ameaça desde a década de 1980, tendo sido considerada "ameaçada" em 1988 e classificada como vulnerável em todas as avaliações globais subsequentes realizadas entre 1994 e 2021. Em avaliações nacionais anteriores, havia sido considerada quase ameaçada (NT) em 2003, sendo posteriormente reclassificada em razão da disponibilidade de novas informações sobre sua distribuição e estado de conservação. Em âmbito estadual, encontra-se classificada como em perigo (EN) no estado do Rio de Janeiro (avaliação de 2000), como vulnerável (VU) em Minas Gerais (avaliação de 2010), como em perigo na Bahia (avaliação de 2017) e como vulnerável no Espírito Santo (avaliação de 2019). Além disso, consta na obra Biota Terrestre da Bacia do Rio Doce Ameaçada de Extinção Pós Rompimento da Barragem de Fundão de 2024, organizada pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) e pelo Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS), onde foi avaliada como vulnerável, segundo os critérios B2b(i,ii,iii,iv).
A espécie depende de remanescentes bem preservados de Mata Atlântica de terras baixas, um dos ecossistemas mais ameaçados do Brasil. Embora historicamente nunca tenha sido considerada comum, há evidências de que suas populações diminuíram significativamente ao longo das últimas décadas em decorrência da destruição e fragmentação das florestas primárias. Considerada pouco frequente e em declínio, era descrita como razoavelmente frequente na Reserva Biológica de Sooretama entre 1980 e 1981. Atualmente, a espécie tornou-se rara nessa unidade de conservação, onde existem apenas cinco registros documentados desde 2015. A população global é estimada em aproximadamente a 15 mil indivíduos maduros. Modelagens baseadas na densidade populacional e na quantidade remanescente de habitat adequado sugerem um máximo teórico de cerca de indivíduos, correspondendo a aproximadamente indivíduos maduros, embora se considere improvável que a espécie ocupe toda a floresta disponível devido às suas exigências específicas de micro-habitat. O número de subpopulações é desconhecido, mas a intensa fragmentação da Mata Atlântica remanescente sugere a existência de aproximadamente 11 a 20 subpopulações. A maior delas provavelmente ocorre na região de Sooretama, onde se estima que existam menos de mil indivíduos maduros. A tendência populacional é considerada decrescente. A intensa fragmentação da distribuição é considerada uma das principais preocupações para sua conservação, uma vez que mais de 50% da área ocupada pela espécie encontra-se separada por distâncias consideradas intransponíveis, não havendo evidências de fluxo gênico entre muitos dos fragmentos remanescentes. Estudo realizado no Parque Estadual do Rio Doce registrou a espécie entre as aves de sub-bosque de maior prioridade conservacionista da região e verificou que sua abundância era substancialmente menor em áreas de floresta secundária afetadas por incêndios do que em trechos de floresta primária. Os autores observaram que a espécie parece estar associada a ambientes sombreados e pouco perturbados do interior da floresta, sugerindo elevada sensibilidade às alterações estruturais do habitat provocadas por fogo e outros distúrbios antrópicos. Com base nas taxas recentes de perda florestal, estima-se que a espécie tenha sofrido redução populacional de 1% a 9% na década anterior à avaliação de 2021 e que possa apresentar declínio adicional de até 10% ao longo da década subsequente.
Registros recentes indicam que sua distribuição efetiva encontra-se concentrada principalmente em áreas protegidas do Espírito Santo e de Minas Gerais. Entre as principais áreas conhecidas para a conservação da espécie destacam-se o Parque Estadual do Rio Doce, a Fazenda Montes Claros, a Reserva Biológica de Sooretama, a Reserva Biológica Augusto Ruschi e a Reserva Natural Vale. A Reserva Biológica de Sooretama é considerada seu principal refúgio conhecido, embora levantamentos recentes sugiram redução populacional mesmo nessa localidade. A espécie encontra-se protegida pela legislação brasileira, integra a Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção e está contemplada no Plano de Ação Nacional para a Conservação das Aves da Mata Atlântica, atualmente em implementação. Também foi registrada em diversas unidades de conservação, incluindo a RPPN Serra Bonita, a Reserva Biológica Augusto Ruschi, a Reserva Biológica de Duas Bocas, a Reserva Biológica de Sooretama, a Floresta Nacional de Pacotuba, o Parque Estadual do Rio Doce, a RPPN Fazenda Boa Esperança, a RPPN Mata do Passarinho, a RPPN Cachoeira Boa Vista, a Reserva Particular do Patrimônio Natural Feliciano Miguel Abdala e a RPPN Itacira. A principal ameaça à espécie continua sendo a perda e fragmentação do habitat em decorrência da exploração madeireira e da extração de lenha, especialmente na Bahia e no Espírito Santo. Incêndios originados em áreas agrícolas adjacentes também representam um fator de ameaça relevante. Estudos realizados no Parque Estadual do Rio Doce demonstraram que a espécie é cerca de 69% menos abundante em florestas secundárias do que em florestas primárias, evidenciando elevada sensibilidade à degradação ambiental. A manutenção e proteção dos remanescentes florestais existentes, a criação de novas áreas protegidas, a restauração da conectividade entre fragmentos e o monitoramento contínuo das populações são considerados fundamentais para a conservação da espécie. Também foram recomendados levantamentos em áreas ainda não protegidas dentro de sua distribuição, visando localizar novas subpopulações e subsidiar ações de conservação do habitat remanescente.