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Doxocopa laurentia

Mal-casados


Doxocopa laurentia

(Godart, 1823)
Zafiro Común
Laurentia Emperor

Família: Nymphalidae
Ordem: Lepidoptera
Classe: Insecta
Filo / Divisão: Arthropoda
Reino: Animalia

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Outros nomes comuns: Zafiro del Talar.

Sinônimos: Doxocopa seraphina.





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Descrição


É um lepidóptero de tamanho médio pertencente à família Nymphalidae que exibe um impressionante dimorfismo sexual. Os machos possuem uma envergadura alar de aproximadamente 55 a 65 milímetros e caracterizam-se por uma faixa dorsal de coloração azul-turquesa metálica ou verde brilhante, cujo tom varia intensamente conforme o ângulo de reflexão da luz solar. Essa brilhante faixa iridescente contrasta fortemente com o fundo marrom-escuro ou preto das asas. As fêmeas, por outro lado, são maiores, não apresentam a iridiscência metálica e exibem um padrão de mimetismo batesiano muito semelhante ao das borboletas do gênero Adelpha, caracterizado por uma faixa transversal branca ou creme sobre fundo marrom opaco. A face ventral das asas de ambos os sexos é altamente críptica, apresentando tons de marrom-claro, cinza e nacarados que imitam perfeitamente o aspecto de folhas secas, oferecendo uma excelente camuflagem quando o indivíduo pousa com as asas fechadas.

Apresenta ampla ocorrência na região Neotropical. Sua área de distribuição estende-se desde o sul do México e pela América Central (incluindo Costa Rica e Panamá) até a América do Sul, sendo registrada em países como Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Paraguai, norte da Argentina e em grande parte do território do Brasil, com forte presença na Mata Atlântica e em áreas florestais da Amazônia.

Distribuição geográfica: Ocorre principalmente em áreas de floresta úmida tropical, matas subtropicais, florestas de galeria e margens de matas secundárias. É um táxon intimamente associado a altitudes que vão desde o nível do mar até cerca de 1000 a 1200 metros. É comum encontrar indivíduos ativos em clareiras ensolaradas, ao longo de trilhas florestais úmidas e nas proximidades de corpos d´água, onde a umidade do solo é constante.

Ambiente: Na fase adulta, não se alimenta de néctar floral, adotando hábitos saprófagos. Os adultos extraem nutrientes de frutos em decomposição, matéria orgânica em putrefação, fezes de animais, exsudatos de seiva de árvores e sais minerais presentes no solo úmido através do comportamento de puddling. As lagartas são estritamente herbívoras e alimentam-se de plantas da família Ulmaceae e Celtidaceae, demonstrando preferência pelas folhas de Trema micrantha e de diferentes espécies do gênero Celtis.

Alimentação: Destaca-se por um voo extremamente rápido, ágil e vigoroso. Os machos são altamente territoriais e costumam pousar em folhas altas expostas ao sol na borda da mata, de onde patrulham a área e perseguem agressivamente outros machos ou potenciais fêmeas para o acasalamento. As fêmeas são muito mais discretas e passam a maior parte do tempo no dossel florestal, descendo raramente aos estratos inferiores, exceto para a oviposição. Nas horas mais quentes do dia, os machos frequentemente descem ao solo úmido para absorver sais minerais essenciais para o seu desenvolvimento reprodutivo.

Comportamento: O desenvolvimento deste inseto ocorre por metamorfose completa (ciclo holometábolo). Após a cópula, a fêmea deposita os ovos de forma individual na face inferior das folhas das plantas hospedeiras, com preferência por brotos novos. As lagartas que eclodem apresentam coloração verde-brilhante, corpo afilado na porção posterior e uma cabeça provida de prolongamentos em formato de "chifres", o que lhes confere um aspecto críptico que se confunde com as folhas e nervuras da planta. A pupa possui coloração verde-clara e formato achatado lateralmente, assemelhando-se a uma folha pendente para evitar a detecção por predadores antes da emergência do adulto.

Reprodução: Não se encontra avaliada globalmente pela Lista Vermelha da UICN. Contudo, suas populações locais enfrentam ameaças decorrentes da fragmentação de habitat, do desmatamento sistemático e da perda de suas plantas hospedeiras em virtude do avanço da fronteira agrícola e da urbanização em seu limite de distribuição.

Categoria de conservação: Por depender diretamente da integridade das florestas nativas e de plantas específicas para o desenvolvimento larval, serve como uma importante espécie indicadora ambiental.



Compilação e publicação: EcoRegistros – 22/07/2026




Distribuição geográfica


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Citação recomendada
Utilize a referência abaixo para citar esta ficha da espécie.
EcoRegistros. 2026. Mal-casados (Doxocopa laurentia) – Ficha da espécie. Acessado em www.ecoregistros.org em 24/09/2026.