Apresenta um porte corporal compacto e elegante com marcantes adaptações cursoriais que refletem um processo de evolução convergente com os lagomorfos. Este roedor caviomorfo de médio porte possui uma massa corporal que varia entre 1,8 e 2,5 kg e um comprimento de cabeça e corpo de aproximadamente 42 a 45 centímetros. Suas patas são notavelmente longas e finas, sendo os membros posteriores significativamente mais compridos que os anteriores, o que lhe confere grande agilidade de locomoção. A pelagem do dorso exibe uma coloração cinza-acastanhada ou cinza-oliva finamente salpicada, contrastando com as partes inferiores, garganta e flancos internos que são de cor esbranquiçada ou creme claro. Difere de sua congênere de maior porte, Dolichotis patagonum, pela ausência da grande faixa branca transversal na garupa, apresentando em seu lugar uma coloração cinza uniforme na região traseira. Suas orelhas são proporcionalmente grandes, eretas e pontiagudas, funcionando como importantes estruturas para a termorregulação e captação de estímulos sonoros no ambiente.
Distribuição geográfica: É uma espécie estritamente associada à ecorregião do Gran Chaco, na porção centro-sul da América do Sul. Sua ocorrência se estende pelo oeste do Paraguai, sudeste da Bolívia e por uma vasta área do norte e centro da Argentina, alcançando as províncias de Formosa, Chaco, Santiago del Estero, Salta, Tucumán, Catamarca, La Rioja, San Juan, Córdoba e o extremo norte de Santa Fe. Seus limites de distribuição são definidos pelas barreiras biogeográficas e climáticas do ecossistema chaqueño.
Ambiente: Habita florestas decíduas xerófitas, savanas arbustivas secas e planícies aluviais típicas do ambiente chaqueño. Demonstra forte preferência por áreas com solos arenosos ou argilosos que facilitem a escavação de tocas, bem como por terrenos limítrofes a salinas e depressões salobras com vegetação halófita esparsa. Evita formações florestais excessivamente densas e fechadas, priorizando ecótonos, clareiras e áreas abertas secundárias degradadas pelo sobrepastoreio, onde sua visão panorâmica e capacidade de fuga rápida não sejam obstruídas pela vegetação arbustiva baixa.
Alimentação: Classifica-se como um herbívoro generalista, cuja dieta é composta majoritariamente por folhas, brotos, cascas de árvores, frutos e sementes de plantas lenhosas e arbustivas regionais, com destaque para espécies dos gêneros Prosopis e Acacia. Durante a estação chuvosa, incorpora uma quantidade expressiva de gramíneas e ervas anuais de crescimento rápido. Na estação seca, devido à severa escassez de água superficial, recorre ao consumo de cactáceas e outras plantas suculentas, das quais extrai os nutrientes e a umidade necessários para manter seu balanço hídrico.
Comportamento: Apresenta hábitos estritamente diurnos e crepusculares, concentrando suas atividades de forrageamento nas primeiras horas da manhã e no fim da tarde para evitar as temperaturas extremas do meio-dia, período em que descansa sob a copa de arbustos densos. É um animal extremamente veloz que depende de seus sentidos aguçados para detectar predadores à distância. Vive em casais com um sistema social de monogamia estrita de longo prazo, embora indivíduos possam formar pequenos agrupamentos temporários em áreas com alta concentração de recursos alimentares. Utiliza túneis subterrâneos para abrigo e reprodução, os quais podem ser escavados pelo próprio casal ou adaptados a partir de tocas abandonadas de outras espécies, como a vizcacha (Lagostomus maximus).
Reprodução: A dinâmica reprodutiva baseia-se em um forte vínculo de monogamia, no qual os parceiros permanecem juntos por várias estações. O período de gestação dura entre 75 e 77 dias, culminando no nascimento de um a três filhotes por ninhada, sendo possíveis até três gestações por ano em condições ambientais favoráveis. Os filhotes nascem extremamente precociais, totalmente cobertos de pelos, com os olhos abertos e capazes de correr poucas horas após o parto. A prole permanece protegida no interior de tocas profundas durante as primeiras semanas de vida, enquanto os pais revezam-se na vigilância externa para afastar potenciais ameaças.
Categoria de conservação: Atualmente é classificada como Pouco preocupante (LC) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Apesar de sua distribuição relativamente ampla, as populações locais enfrentam ameaças crescentes decorrentes da perda, degradação e fragmentação de seu habitat original pela conversão de terras para a agricultura intensiva, exploração madeireira e pecuária. A caça de subsistência e a competição ecológica exercida pela introdução da lebre europeia (Lepus europaeus) constituem pressões antrópicas adicionais que exigem monitoramento contínuo para garantir a conservação da espécie.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 02/09/2026