Este crustáceo decápode de água doce caracteriza-se por apresentar uma carapaça de formato subcircular e fortemente convexa em sua porção dorsal. A coloração do dorso é chamativa, variando do vermelho-brilhante ao marrom-avermelhado, tornando-se mais intensa nos indivíduos adultos. A margem anterolateral da carapaça é armada com cinco a sete espinhos agudos, sem contar o ângulo exorbital. Seus quelípodos (pinças) são desiguais, especialmente nos machos, evidenciando uma acentuada heterofelia onde uma das pinças é significativamente maior e de cor vermelho-vivo. As pernas locomotoras (pereiópodos) são delgadas, com as margens dos dáctilos densamente guarnecidas de cerdas, uma adaptação morfológica que facilita o nado e a locomoção sobre sedimentos lodosos. O tamanho da carapaça em adultos maduros geralmente varia entre 45 e 60 milímetros de largura.
Distribuição geográfica: Encontra-se amplamente distribuído pelas principais bacias hidrográficas da América do Sul, com registros consistentes na bacia Amazônica, na bacia do Prata (sistemas Paraná-Paraguai) e na bacia do Araguaia-Tocantins. Ocorre em diversas regiões do Brasil (notadamente nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Rondônia e Pará), no leste da Bolívia, na região do Chaco no Paraguai e no nordeste da Argentina, abrangendo províncias como Formosa, Chaco, Corrientes e Santa Fe.
Ambiente: Ocorre preferencialmente em ambientes aquáticos lênticos ou de fluxo lento, tais como lagoas permanentes, pântanos, planícies de inundação (como o Pantanal e os Esteros del Iberá) e margens calmas de rios. Apresenta uma forte associação ecológica com bancos de macrófitas aquáticas flutuantes, em especial as raízes de aguapés do gênero Eichhornia, que funcionam como abrigo contra predadores e sítios de alimentação. Adapta-se muito bem a fundos lodosos e argilosos onde pode se enterrar.
Alimentação: É uma espécie essencialmente onívora e oportunista. Sua dieta engloba uma fração significativa de detrito orgânico, matéria vegetal em decomposição e fragmentos de macrófitas. Complementa sua nutrição predando ativamente pequenos organismos bentônicos, como larvas de insetos, pequenos moluscos gastrópodes, microcrustáceos e carcaças de peixes. Desempenha um papel ecológico crucial na ciclagem de nutrientes nos ecossistemas límnicos.
Comportamento: Apresenta hábitos predominantemente crepusculares e noturnos, permanecendo oculto sob a vegetação flutuante ou enterrado no sedimento durante o dia. Possui capacidade de respiração aérea bimodal, o que lhe permite sobreviver fora d´água em microhabitats úmidos. Em períodos de seca extrema ou estiagem prolongada, escava galerias ou tocas profundas nos barrancos úmidos para evitar a dessecação e manter a integridade fisiológica.
Reprodução: Diferente dos decápodos marinos, possui desenvolvimento direto abreviado, uma especialização evolutiva para a vida em água doce que elimina os estágios de larva livre de vida planctônica (zoea e megalopa). A fêmea produz ovos relativamente grandes e ricos em vitelo (ovos lecitotróficos), que são incubados e protegidos sob o abdômen dobrado. Após a eclosão, os filhotes emergem como juvenis completamente formados e permanecem aderidos aos pleópodos maternos por semanas, recebendo um prolongado cuidado parental antes de se dispersarem.
Categoria de conservação Atualmente, a espécie é classificada como Pouco Preocupante (LC) na Lista Vermelha da IUCN devido à sua ampla distribuição geográfica e abundância em várias bacias. Contudo, populações locais enfrentam sérias ameaças decorrentes da degradação de áreas úmidas, contaminação da água por pesticidas e fertilizantes de origem agrícola, e modificações nos fluxos hídricos causadas pela construção de barramentos.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 09/09/2026