É um coleóptero da família Scarabaeidae que apresenta um impressionante dimorfismo sexual. Os machos maduros são robustos, medem cerca de 2 a 3 centímetros de comprimento e exibem uma coloração preto-escura ou marrom-escura brilhante. O aspecto mais marcante do macho é a presença de um grande chifre cefálico curvado para trás e outro menor no pronoto, assemelhando-se a um touro. As fêmeas são visivelmente menores, de cor marrom-opaca, desprovidas de chifres e equipadas com pernas anteriores adaptadas para a escavação. As larvas, conhecidas como bicho-bolo ou coró, possuem formato em "C", corpo mole de coloração branco-leitosa e uma cabeça fortemente esclerosada de cor castanho-avermelhada.
Distribuição geográfica: Ocorre amplamente na porção sul da América do Sul, com forte presença na Argentina (principalmente na região dos Pampas), em todo o Uruguai, nas áreas de fronteira do Paraguai e na região sul do Brasil, especialmente no estado do Rio Grande do Sul.
Ambiente: Habita biomas de campos nativos, pastagens, gramados e áreas agrícolas sob sistema de plantio direto. Mostra predileção por solos de textura média a leve, ricos em matéria orgânica e com boa cobertura vegetal, fatores essenciais para manter a umidade do solo necessária para o desenvolvimento de suas fases imaturas.
Alimentação: Apresenta hábitos alimentares contrastantes entre as fases da vida. Os adultos alimentam-se muito pouco, consumindo ocasionalmente seiva vegetal ou polpa de frutas maduras em decomposição, concentrando sua energia na reprodução. Por outro lado, as larvas são extremamente vorazes e subterrâneas, alimentando-se de húmus, restos vegetais em decomposição e, principalmente, de raízes de gramíneas e plantações comerciais de inverno, como o trigo e a aveia.
Comportamento: Os adultos possuem hábitos predominantemente crepusculares e noturnos, sendo frequentemente vistos voando ao redor de focos de luz artificial durante as noites de verão. Os machos utilizam seus proeminentes chifres em combates rituais para disputar o território e o acesso às fêmeas. As larvas vivem exclusivamente sob a terra, onde constroem túneis verticais de até 30 centímetros de profundidade, promovendo a bioturbação e auxiliando na infiltração de água no solo.
Reprodução: Apresenta um ciclo de vida univoltino (um ano para se completar) e metamorfose completa. Após o acasalamento, que ocorre no verão, as fêmeas penetram profundamente no solo para ovipositar, depositando individualmente entre 20 e 40 ovos esféricos de cor branca. As larvas passam por três estágios de crescimento durante o outono e o inverno. Ao final da primavera, entram no estágio de pupa dentro de uma célula de terra e emergem como novos adultos entre dezembro e janeiro.
Categoria de conservação: Não está classificado na Lista Vermelha da UICN. Por ser uma espécie muito comum e adaptada aos ambientes modificados pelo homem, suas populações permanecem estáveis. Em muitas regiões agrícolas, é considerado uma praga secundária importante, o que demonstra que a espécie não corre risco de extinção, beneficiando-se das práticas de agricultura de conservação.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 26/07/2026