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Delonix regia (Hook.) Raf. comummente conhecida como
acácia-rubra, é uma árvore da família das leguminosas (Fabáceas), nativa da ilha de Madagascar, tendo-se em seguida espalhado pela zona tropical da África continental, e, posteriormente, graças à sua beleza, foi levada a outros continentes, como a Europa e as Américas.
Dada a sua beleza ornamental, é uma das plantas mais usadas com fins ornamentais em regiões tropicais e subtropicais de todo o mundo.
Nomes comuns: Além de «acácia-rubra», esta espécie dá ainda pelos seguintes nomes comuns:
árvore-flamejante,
flor-do-paraíso (não confundir com a espécie
Aesalpinia pulcherrima, que consigo partilha este nome comum),
pau-rosa (não confundir com as espécie
Physocalymma scaberrimum e Aniba rosaeodora, que consigo partilham este nome comum).
No Brasil, pode ser ainda conhecida, regionalmente, como
flamboaiã (grafias alternativas
flamboyant,
flamboiã e
flambuaiã) ou ainda como
liete ou
lietinha.
Etimologia: Quanto ao nome científico desta espécie:
- O nome genérico, Delonix, consiste numa aglutinação dos étimos gregos clássicos δῆλος (dêlos), que significa «visível) e ὄνυξ (ónux), que significa «garra».
- O epíteto específico, regia, provém do latim, rēgĭa, e significa «real, palaciano».
Do que toca aos nomes comuns:
Os regionalismos brasileiros, flamboaiã,
flamboyant,
flamboiã e
flambuaiã , consistem em decalques do étimo francês
flamboyant,o qual, por sua vez, é oriundo do latim
flammare, incendiar. Por seu turno, o substantivo português «árvore-flamejante» tem origem semelhante, consistindo numa tradução inspirada no mesmo nome original francês. Em qualquer um dos casos, todos estes nomes se ficam a dever à coloração vermelha viva, alusiva à cor do fogo, característica das flores desta espécie.
Distribuição: A planta foi descoberta na ilha de Madagascar por um botânico francês em 1824. Antes de receber a atual nomenclatura científica de
Delonix regia, foi classificada como
Poinciana regia.
A chamada “árvore-flamejante” encontra-se atualmente quase extinta na sua área de distribuição natural em Madagáscar. As principais subpopulações nativas ocorrem em áreas ameaçadas pela produção de carvão vegetal. A espécie está classificada como “Vulnerável” na Lista Vermelha da IUCN (2010).
Com efeito, esta espécie é amplamente cultivada no Zimbabué e em Moçambique, servindo fins de ornamentação urbana. Em Angola, particularmente na região de Benguela, a espécie apresenta notável expressividade, desempenhando também um relevante papel na alimentação.
A sua introdução em Macau e Timor, ocorreu através dos portugueses, ainda em finais do séc. XIX.
Mercê das suas qualidades decorativas, esta espécie tem alguma expressão em Portugal, principalmente em jardins botânicos e em contextos de ornamentação urbana.
Adaptou-se muito bem em toda a América tropical, sendo muito popularizada nas ilhas do Caribe. No Brasil, é usada na arborização de ruas e praças.
Ecologia: O habitat natural desta espécie são as florestas quentes e húmidas, medrando até 2.000 metros acima do nível do mar, embora privilegiando altitudes de até 1.000 metros.
A Delonix regia é uma árvore de crescimento rápido, com copa ampla em forma de guarda-chuva, apresentando ramos longos e quase horizontais que formam um diâmetro superior à altura da própria árvore. Geralmente perenifólia, torna-se caducifólia em regiões onde a estação seca é longa e bem marcada.
A árvore atinge entre 10 e 18 metros de altura, com um tronco robusto, podendo alcançar até 2 metros de grossura.
Tem folhas caducifólias, que medem em média 30 a 60 cm de comprimento, são pecioladas (haste) e revestidas por pelos finos e curtos, recompostas com folíolos pequenos medindo de 1 a 1,5 cm de comprimento e caducos (decíduos).
Quanto às flores, são majestosas e de cor vermelha-alaranjada ou amarelas. Cada flor possui 5 pétalas, sendo uma delas maior, com face superior rajada de vermelho ou laranjando sobre um fundo branco com bordas avermelhadas, e 5 sépalas.
A época de floração é de outubro a dezembro. O seu fruto é uma vagem de coloração castanho-escura, com um tamanho avantajado e permanece na árvore mais de seis meses. A semente é dura, alongada, com 1,70 cm de comprimento em média (nunca mais de 2 cm) e é de coloração castanho-clara.
Galeria: Cultivo: Esta espécie desenvolve-se em regiões onde a temperatura média anual varia entre 14 – 26 °C e a precipitação média anual é superior a 700 m, podendo adaptar-se tanto a áreas com elevada pluviosidade como a zonas com precipitação reduzida. Embora consiga crescer a altitudes superiores às recomendadas, a floração torna-se irregular.
É uma espécie heliófila, pelo que exige elevada luminosidade, apresentando crescimento débil e esparso, bem como fraca floração, se se encontrar numa zona úmbria ou de abixeiro. A árvore-flamejante tolera diversos tipos de solos, desde os mais argilosos aos mais arenosos, conferindo, porém, maior preferência aos solos arenosos. O pH do solo ideal situa-se entre 5,5 e 6,5, tolerando valores de 4,5 a 7,5. Uma vez estabelecidas, estas plantas demonstram elevada tolerância à seca.
As árvores-flamejantes possuem um sistema radicular superficial e madeira relativamente fraca, sendo por isso suscetíveis ao desenraizamento durante tempestades intensas e à quebra por ventos fortes. Por este motivo, recomenda-se, o plantio em locais abrigados.
A floração inicia-se geralmente entre o 4.º e o 5.º ano de idade da árvore. Em ambientes húmidos, a emissão de nova folhagem pode anteceder a floração, reduzindo a sua abundância.
O plantio desta espécie em locais mais secos tende a favorecer florações abundantes.
O sistema radicular superficial é bastante competitivo, senão mesmo hostil, em relação à vegetação circundante, podendo inclusive levar a que o raio sob a sua copa fique inteiramente desprovido de vegetação; por esse motivo, recomenda-se o afastamento de outras plantas em jardins.
Raiz: As raízes desta espécie são bastante agressivas, sendo que, como são raízes aéreas, parte delas fica acima da superfície, o que a torna imprópria para a ornamentação de calçadas, ruas ou próximo a canalização de água, esgoto, paredes e até mesmo instalações elétricas.
Apesar de ser muito ornamental devido às suas belíssimas flores, quando usada na arborização urbana, relega-se apenas a parques e grandes espaços, devido à sua altura média de 7 a 10 m e a suas raízes muito superficiais e danosas, que destroem as calçadas ao seu redor. Uma boa alternativa é plantar a Caesalpinia pulcherrima, que é semelhante ao flamboaiã, porém com porte menor e sem o problema das raízes.
Usos: Trata-se de uma espécie multifacetada, colhida no estado silvestre para diversos usos locais, incluindo aplicações medicinais, alimentares, madeireiras, combustível e produção de contas. É cultivada como árvore de sombra em plantações e utilizada na estabilização e melhoria dos solos.
Esta espécie é uma das plantas ornamentais mais amplamente cultivadas no mundo, sendo comum em jardins e ao longo de estradas nas regiões tropicais.