É um minúsculo e singular passeriforme pertencente à família Tyrannidae, amplamente reconhecido por sua cauda única e alongada. Medindo entre 9 e 11 centímetros de comprimento, exibe uma cauda proporcionalmente comprida, cujas retrizes são extremamente estreitas, rígidas e terminadas em pontas finas. O dorso apresenta um padrão fortemente estriado de preto, marrom-escuro e canela-pálido. A cabeça possui uma coroa escura com estrias claras, contrastando com uma marcante sobrancelha branca e uma faixa ocular escura. As partes inferiores são de tonalidade amarelo-ocre-clara, tornando-se esbranquiçadas na garganta. O bico é curto, reto e de coloração escura, ideal para capturar pequenos invertebrados.
Distribuição geográfica: Distribui-se de forma fragmentada pelo interior da América do Sul. Ocorre principalmente nas regiões do Cerrado do Brasil Central (estados de Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Bahia), estendendo-se ao leste da Bolívia, leste do Paraguai e extremo nordeste da Argentina (nas províncias de Corrientes, Misiones e Santa Fe). No Uruguai, há apenas registros históricos esparsos, indicando uma retração severa de sua distribuição geográfica austral.
Ambiente: É especialista em campos limpos, campos sujos e savanas arbustivas, habitando preferencialmente áreas de vegetação campestre nativa e alta que não sofreram pastejo intensivo. Depende diretamente de gramíneas nativas altas, como as dos gêneros Andropogon e Aristida, onde encontra abrigo e sítios de alimentação adequados. Evita áreas florestais, monoculturas agrícolas e pastagens cultivadas com espécies exóticas, o que restringe drasticamente suas possibilidades de sobrevivência em paisagens modificadas.
Alimentação: Sua dieta é exclusivamente insetívora, baseada no consumo de pequenos insetos, aranhas, larvas e percevejos. Alimenta-se escalando ativamente os talos das gramíneas, inspecionando as folhas em busca de presas ocultas. Realiza também pequenos voos curtos no estilo "peneirar" ou investidas rápidas no ar para capturar pequenos artrópodes voadores diretamente da vegetação.
Comportamento: Vive geralmente em casais ou em pequenos bandos familiares de até cinco indivíduos. É uma espécie discreta que prefere se mover sob a cobertura densa do capim, revelando sua presença através de vocalizações agudas e discretas. Costuma associar-se a bandos mistos de aves campestres, especialmente com espécies de coleiros (Sporophila). Seu voo é baixo, ondulado e de curta distância, raramente ultrapassando a altura do estrato herbáceo.
Nidificação: A reprodução ocorre durante a primavera e o início do verão, estendendo-se de outubro a janeiro. Constrói um ninho em forma de taça aberta e delicada, utilizando ramos secos de capim e teias de aranha para dar liga à estrutura. O ninho é instalado a baixa altura, geralmente a menos de 50 centímetros do solo, camuflado no interior de touceiras densas de gramíneas. A postura é composta por 2 a 3 ovos de cor creme ou branca, que são incubados e protegidos ativamente pelo casal até o nascimento dos filhotes.
Categoria de conservação: Está classificado globalmente como Vulnerável (VU) pela Lista Vermelha da IUCN e também consta como ameaçado em listas nacionais. A maior ameaça à sua sobrevivência é a destruição rápida e contínua do Cerrado e dos Campos do Sul, convertidos para a agricultura mecanizada de soja, pecuária intensiva e silvicultura de Pinus e Eucalyptus. A conservação da espécie depende da criação de unidades de conservação de proteção integral e de práticas de manejo sustentável de pastagens.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 04/10/2026