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Crejoá


Cotinga maculata

(Müller, PLS, 1776)
Cotinga Maculado
Banded Cotinga

Família: Cotingidae
Ordem: Passeriformes
Classe: Aves
Filo / Divisão: Chordata
Reino: Animalia

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Sinônimos: Ampelis maculatus.





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Registros de Porto Seguro--RPPN Estação Veracel

Estado de conservação de acordo BirdLife International: Criticamente em Perigo


Descrição


Crejoá (nome científico: Cotinga maculata), também conhecido como catingá, crejica, suiruá, curuá e anambé, é uma espécie de ave passeriforme da família dos cotingídeos (Cotingidae). É endêmico do Brasil e integrante do gênero Cotinga, cujos representantes se destacam pela plumagem vistosa e colorida dos machos. Monotípico, o crejoá é considerado a maior espécie do gênero e apresenta acentuado dimorfismo sexual, com machos de coloração azul, púrpura e preta brilhante e fêmeas predominantemente marrons. Estudos filogenéticos indicam que sua espécie-irmã é o anambé-de-peito-roxo (C. cotinga), com o qual forma um clado próprio dentro do gênero, embora ambas apresentem distribuições geográficas completamente separadas.

Historicamente, a espécie ocorria ao longo de uma faixa mais ampla da Mata Atlântica costeira do leste do Brasil, abrangendo áreas da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Atualmente, sua distribuição encontra-se fortemente reduzida e fragmentada, concentrando-se principalmente no sul da Bahia e no nordeste de Minas Gerais, com registros recentes isolados em Pernambuco. Habita sobretudo o dossel de florestas úmidas de baixada bem conservadas, geralmente abaixo de 200 metros de altitude. É uma ave discreta, frequentemente solitária e silenciosa, com dieta predominantemente frugívora composta por frutos de diversas espécies arbóreas. Sua biologia reprodutiva permanece pouco conhecida, sendo raros os registros documentados de ninhos e reprodução na natureza.

O crejoá é considerado uma das aves mais ameaçadas da Mata Atlântica. A destruição e fragmentação das florestas de terras baixas provocaram severo declínio populacional ao longo do , resultando em populações pequenas, isoladas e sem evidências de fluxo entre os remanescentes conhecidos. A população atual é estimada em menos de 250 indivíduos maduros, distribuídos em poucos núcleos remanescentes. Em decorrência desse quadro, a espécie figura em diversas listas de fauna ameaçada e tem sido classificada como Criticamente em Perigo (CR) ou Em Perigo (EN) em avaliações recentes. Sua conservação depende da proteção dos remanescentes florestais ocupados, da restauração da conectividade entre fragmentos e da ampliação do conhecimento sobre sua ecologia e história natural.

Etimologia: O nome popular crejoá, ainda registrado nas variantes querejuá, guiruá, quiruá e crejuá, deriva do tupi antigo kereîûá. O termo designava aves do litoral oriental do Brasil pertencentes à família dos cotingídeos, caracterizadas pela plumagem de cores brilhantes e vistosas. A palavra aparece documentada desde cerca de 1584 na grafia quereiuâ, enquanto as formas portuguesas crejoá e crejuá são registradas, respectivamente, antes de 1958 e em 1958. Crejica possui etimologia incerta. Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, sua origem é obscura, embora possa representar uma alteração da terminação de crejuá. Curuá deriva do tupi kuru´a, originalmente empregado para designar diversas plantas, sendo seu uso em ornitologia tratado pelos dicionários como uma acepção relacionada a crejuá. Suiruá possui provável origem tupi. Segundo Antenor Nascentes, pode representar uma alteração, especialmente gráfica, de crejuá Anambé, também registrado guinambé e guainambé, deriva do tupi reconstruído *wana´mbe. A forma mais antiga registrada é uanambé, documentada por volta de 1777, enquanto a grafia moderna anambé encontra-se atestada desde 1833. Catingá possui etimologia incerta. Segundo Antenor Nascentes, pode ser de origem tupi, embora não haja consenso sobre sua derivação. O registro mais antigo conhecido data de 1655, em uma carta do padre António Vieira, mas refere-se a um grupo indígena homônimo, não necessariamente à denominação de uma ave. O nome genérico Cotinga deriva de catingá. O epíteto específico maculata deriva do latim maculatus, que significa "manchado", "malhado" ou "salpicado de manchas".

Taxonomia e sistemática: O crejoá é uma das sete espécies reconhecidas no gênero Cotinga, grupo de cotingídeos cujos machos apresentam combinações características de azul ou turquesa brilhante, púrpura e preto, padrões cromáticos considerados singulares dentro da família. É a maior espécie do gênero, embora suas dimensões sejam apenas ligeiramente superiores às das demais espécies de Cotinga. Não apresenta subespécies reconhecidas e, portanto, é considerado monotípico, sem variação geográfica formalmente descrita. Não são conhecidos fósseis atribuídos ao crejoá ou a outras espécies do gênero. De modo mais amplo, também não foram encontrados fósseis confirmados de passeriformes subóscines. Historicamente, foi incluído em diferentes arranjos de superespécies dentro do gênero. Haffer (1974), seguido pela União Americana de Ornitólogos (1983) e por Sibley & Monroe (1990), considerou a cotinga-azul-do-chocó (C. nattererii), o anambé-turquesa (C. maynana), o anambé-de-peito-roxo (C. cotinga) e o crejoá (C. maculata), juntamente com as espécies centro-americanas cotinga-amorosa (C. amabilis) e a cotinga-turquesa (C. ridgwayi), como integrantes de uma única superespécie. Snow (1979) adotou uma interpretação mais restrita, reconhecendo apenas a cotinga-amorosa, a cotinga-turquesa e a cotinga-azul-do-chocó como componentes de uma superespécie, enquanto o anambé-de-peito-roxo e o crejoá formariam uma segunda superespécie independente, embora tenha admitido a possibilidade de reunir todas essas espécies em um único complexo. Meyer de Schauensee (1966) sugeriu ainda que a cotinga-amorosa, a cotinga-turquesa e a cotinga-azul-do-chocó poderiam ser tratadas como coespecíficas, assim como o anambé-de-peito-roxo e o crejoá. Estudos filogenéticos recentes corroboraram a estreita relação entre o crejoá e o anambé-de-peito-roxo, indicando que ambas formam um clado próprio dentro do gênero Cotinga. O macho possui plumagem distinta de todas as outras aves simpátricas e é facilmente reconhecido, pois nenhuma outra espécie do gênero ocorre em sua área de distribuição. As fêmeas podem ser superficialmente confundidas com as do anambé-de-asa-branca (Xipholena atropurpurea), espécie simpátrica, mas estas apresentam coloração geral mais acinzentada, marcas brancas evidentes nas asas e íris mais claras. Ambos os sexos do crejoá são mais semelhantes aos do anambé-de-peito-roxo, sua espécie-irmã, embora os dois táxons sejam completamente alopátricos.

 O crejoá mede entre 18,8 e 22 centímetros de comprimento total e apresenta forte dimorfismo sexual, com machos de plumagem intensamente azul, púrpura e preta, enquanto as fêmeas possuem coloração predominantemente marrom. As fêmeas também são ligeiramente menores. Entre os indivíduos medidos, o comprimento da asa variou de 112,5 a 124 milímetros nos machos (n=16) e de 114 a 120 milímetros nas fêmeas (n=9). A cauda mediu entre 66 e 80 milímetros nos machos (n=16) e entre 69 e 79 milímetros nas fêmeas (n=8). O comprimento do bico foi de 14,61 a 20 milímetros nos machos (n=15 e de 17,68 a 20 milímetros nas fêmeas (n=9), enquanto o tarso variou de 20,06 a 23,91 milímetros nos machos (n=8) e de 21 a 23,92 milímetros nas fêmeas (n=4). Um macho pesado apresentou massa de 65 gramas. O macho adulto possui as partes superiores de azul-cobalto brilhante, marcadas por extensas áreas pretas, sobretudo no manto e nas escapulares. As porções externas das retrizes centrais e as margens das coberteiras maiores, das terciárias e das secundárias apresentam franjas muito estreitas de azul-cobalto ligeiramente mais pálido. As asas e a cauda são pretas. As partes inferiores são predominantemente púrpuras, interrompidas por uma faixa azul bem definida no peito. A porção inferior do ventre também é azul, mas apresenta uma larga faixa central púrpura que se torna estriada em direção às coberteiras inferiores azuis da cauda, onde podem ficar expostas algumas bases negras das penas. A fêmea apresenta as partes superiores marrom-escuras, com margens marrom-bege nas penas e franjas marrom-canela nas coberteiras das asas e nas rêmiges internas. As partes inferiores são comparativamente pálidas, sobretudo na garganta e no ventre, enquanto o peito apresenta centros escuros mais amplos nas penas. As coberteiras inferiores da cauda são marrom-canela e não possuem marcações. As coberteiras inferiores das asas são canela e salpicadas de marrom, enquanto o restante da face inferior das asas é marrom-claro. A face inferior da cauda possui tonalidade marrom-acinzentada. Os indivíduos imaturos assemelham-se inicialmente às fêmeas adultas. Nos machos jovens, o desenvolvimento da plumagem adulta começa pelo aparecimento de extremidades mais brilhantes e canela nas penas de voo, marcas que desaparecem rapidamente pelo desgaste. Em seguida, surgem penas azuis na parte posterior do pescoço, nas escapulares, no manto, nas coberteiras maiores e nas coberteiras superiores da cauda. As penas púrpuras das partes inferiores aparecem mais tarde. A plumagem completa do macho adulto é alcançada aproximadamente no final do primeiro ano de vida. As íris variam de marrom-amareladas a marrom-escuras. O bico possui base larga, cúlmen ligeiramente arqueado e extremidade em forma de gancho. A mandíbula superior é preta, com a base acinzentada, enquanto a inferior é cinza e apresenta a ponta preta. Os tarsos e os dedos variam de cinza-escuros a pretos. A muda aparentemente começa depois da reprodução, entre novembro e dezembro. Com base em observações realizadas em outras espécies de Cotinga, estima-se que o processo completo possa durar aproximadamente noventa dias.

Distribuição e habitat: O crejoá é endêmico do Brasil e originalmente ocorria em uma faixa mais extensa da Mata Atlântica, ao longo da região litorânea oriental do país. Sua distribuição histórica abrangia o sudeste da Bahia, o Espírito Santo, partes de Minas Gerais e o norte do Rio de Janeiro. A espécie não é registrada no Rio de Janeiro desde o . Em Minas Gerais, permaneceu sem registros desde a década de 1940 até ser redescoberta em Santa Maria do Salto e, posteriormente, registrada também em Bandeira, no extremo nordeste do estado, próximo da divisa com a Bahia. Evidências recentes sugerem que a espécie pode ter sido extirpada do Espírito Santo, especialmente da região de Linhares, onde era observada regularmente até o final do , mas deixou de ser registrada apesar do intenso esforço de observação realizado na área. A distribuição atual encontra-se fortemente contraída e fragmentada, estando restrita principalmente ao sul da Bahia e ao nordeste de Minas Gerais. Registros recentes são conhecidos para os municípios baianos de Apuarema, Camacan, Guaratinga, Ibirapitanga, Macarani, Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália, bem como para Bandeira e Santa Maria do Salto, em Minas Gerais. Em 2015, foi documentado um registro considerado incomum no município de Rio Formoso, no litoral sul de Pernambuco, significativamente ao norte da distribuição atualmente conhecida da espécie.

Embora sua extensão de ocorrência tenha sido estimada em cerca de quilômetros quadrados, a espécie ocupa atualmente apenas uma pequena fração dessa área. Sua área de ocupação foi estimada em aproximadamente 300 quilômetros quadrados e a população é considerada severamente fragmentada, com mais da metade dessa área separada por extensas porções de habitat inadequado, sem evidências de fluxo entre as subpopulações remanescentes. Atualmente, a espécie encontra-se praticamente restrita a unidades de conservação e remanescentes florestais protegidos. Os principais núcleos conhecidos concentram-se na RPPN Estação Veracel e na Reserva Serra Bonita, ambas na Bahia. Também existem registros no Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal, no Parque Nacional do Descobrimento, na Reserva Biológica de Una, na Reserva Biológica de Sooretama, na Reserva Natural Vale e na RPPN Mata do Passarinho, embora algumas dessas localidades apresentem poucos registros recentes. A retração da distribuição ocorreu sobretudo ao longo do e acompanhou a extensa supressão e fragmentação das florestas costeiras da Mata Atlântica.

A espécie é considerada residente e não migratória. Habita principalmente o dossel de florestas primárias úmidas de terras baixas, sendo frequentemente observada em bordas de clareiras, embora isso possa refletir maior detectabilidade nesses ambientes. Ocorre predominantemente abaixo de 200 metros de altitude, desde o nível do mar até aproximadamente 270 metros, e também utiliza formações de restinga, florestas secundárias adjacentes, trechos parcialmente explorados e árvores altas isoladas em áreas abertas. Apresenta elevada dependência florestal e permanece fortemente associada a remanescentes bem preservados da Mata Atlântica costeira, especialmente às matas úmidas de baixada.

Ecologia: O crejoá é uma ave discreta, endêmica de uma estreita faixa de Mata Atlântica úmida de baixada, ocupando principalmente o dossel de florestas primárias e formações secundárias adjacentes. A espécie ocorre predominantemente em áreas de baixa altitude, geralmente abaixo de 200 metros, e parece depender de remanescentes florestais bem conservados. É observada com maior frequência em poleiros altos e expostos, incluindo galhos e troncos mortos que se projetam acima do dossel. Essas observações são especialmente comuns no início da manhã, no final da tarde e após episódios de chuva. Seu voo é rápido e direto. Não são conhecidas vocalizações da espécie, e não há registros confirmados de cantos ou chamados. Os machos, contudo, possuem penas primárias modificadas que produzem um som mecânico durante o voo, característica também encontrada em outras espécies do gênero Cotinga. Frequentemente solitário e silencioso, o crejoá pode permanecer longos períodos imóvel em um mesmo poleiro, dificultando sua detecção em campo. Diversos indivíduos podem reunir-se em árvores frutíferas, inclusive em associação com o anambé-de-asa-branca. Fora dessas agregações alimentares, pouco se conhece sobre sua organização social. Uma fêmea que ocupava um ninho foi observada expulsando outra fêmea que se encontrava em árvores próximas, comportamento que pode indicar defesa territorial localizada durante a reprodução. Não existem informações publicadas sobre predadores naturais da espécie.

A dieta é predominantemente frugívora e inclui frutos de Ficus, Ocotea, Rapanea e Byrsonima sericea. Os frutos de espécies de Ficus e de Byrsonima sericea figuram entre os recursos alimentares mais frequentemente registrados para a espécie. Vários indivíduos podem concentrar-se simultaneamente em árvores com frutos abundantes, por vezes alimentando-se junto do anambé-de-asa-branca. Há indícios de que a dieta possa ser ocasionalmente complementada por sementes e insetos. Um relato do menciona o consumo de lagartas e de outros insetos, mas essa informação não foi confirmada por observações posteriores. Há, contudo, ao menos um registro recente do consumo de um pequeno lagarto, indicando que vertebrados de pequeno porte podem ser ingeridos ocasionalmente. A composição da dieta e a importância relativa de alimentos de origem animal ainda necessitam de investigação mais aprofundada. Há indícios de que parte da população realizava deslocamentos locais no passado, embora esse comportamento aparentemente não ocorra mais ou tenha se tornado raro nas populações remanescentes. Avaliações nacionais sugerem ainda que a espécie possa necessitar de áreas relativamente extensas para sua manutenção a longo prazo.

A biologia reprodutiva do crejoá é pouco conhecida. Apenas um ninho foi confirmado de maneira satisfatória na literatura, tendo sido documentado por fotografias e por um esboço em outubro de 1986, em Porto Seguro, na Bahia. O ninho consistia em uma estrutura frágil em forma de taça, composta por pequenos galhos e instalada na bifurcação de um ramo quase horizontal, aproximadamente no meio da copa de uma árvore alta e frondosa. Sua construção era semelhante à descrita para outras espécies do gênero Cotinga. Durante a observação desse ninho, a fêmea foi inicialmente vista perseguindo outra fêmea em árvores próximas. Em seguida, deslocou-se para árvores situadas nas proximidades, alimentou-se rapidamente de alguns frutos e voou diretamente para o ninho, onde iniciou a incubação. Não foram divulgadas informações seguras sobre o número de ovos, a duração da incubação, o desenvolvimento dos filhotes ou a participação do macho nos cuidados parentais. Existe também um relato antigo, atribuído a Augusto Ruschi e aparentemente proveniente da década de 1950, sobre um ninho encontrado em um cupinzeiro arbóreo. Esse registro nunca foi corroborado e é considerado duvidoso. Avaliações posteriores advertiram que diversas observações atribuídas a Ruschi apresentam problemas de confiabilidade e podem ter sido falsificadas.

Conservação: O crejoá sofreu forte declínio populacional em consequência da perda e fragmentação das florestas de terras baixas da Mata Atlântica. A espécie era considerada incomum mesmo no início do e sua distribuição tornou-se progressivamente mais restrita ao longo das décadas, acompanhando a redução dos remanescentes florestais costeiros. Evidências recentes sugerem que a espécie pode ter sido extirpada do Espírito Santo, onde era relativamente fácil de observar até o final do , mas passou a ser raramente registrada apesar do aumento do esforço de observação e pesquisa na região. Atualmente, encontra-se praticamente restrita a unidades de conservação e remanescentes florestais protegidos. A população apresenta tendência de declínio contínuo e é considerada severamente fragmentada. Estimativas anteriores apontavam uma população total entre 350 e indivíduos, correspondendo a cerca de 250 a 999 indivíduos maduros. Avaliações mais recentes, contudo, indicam que a população provavelmente não ultrapassa 250 indivíduos maduros, estando atualmente estimada entre 50 e 249 indivíduos maduros distribuídos em subpopulações com menos de cinquenta indivíduos maduros cada. As populações remanescentes encontram-se fortemente isoladas e não existem evidências de movimentação entre os fragmentos onde a espécie ainda persiste. Mais de metade da área de ocupação encontra-se separada por extensas áreas de habitat inadequado, consideradas barreiras efetivas ao fluxo entre as subpopulações remanescentes. Com base nos registros disponíveis, estima-se que a extensão de ocorrência da espécie tenha sofrido redução de aproximadamente 30% a 40% desde a década de 1990, refletindo a perda de populações em diferentes partes de sua distribuição histórica. A extensão de ocorrência foi estimada em aproximadamente quilômetros quadrados, enquanto a área de ocupação foi calculada em cerca de 300 quilômetros quadrados.

A trajetória das avaliações de conservação reflete o agravamento do estado da espécie ao longo das últimas décadas. Em âmbito internacional, o crejoá foi classificado como "Ameaçado" pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) em 1988. A partir de 1994 passou a ser considerado Em Perigo (EN), categoria mantida nas avaliações de 1996, 2000, 2004, 2008, 2012 e 2016. Em 2019, sua classificação foi elevada para Criticamente em Perigo (CR), com base no critério C2a(i), em razão do reduzido tamanho populacional, da forte fragmentação e do declínio contínuo das populações remanescentes. No Brasil, a espécie já figurava como ameaçada na Lista Oficial de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, reconhecida pela Portaria IBAMA nº 1.522, de 1989. Posteriormente, foi classificada como Em Perigo (EN) na lista nacional de 2003, sob o critério B1ab(i,ii,iii). Em 2014, passou a ser considerada Criticamente em Perigo (CR) sob o critério C2a(i), resultado incorporado ao Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, publicado em 2018. Uma nova avaliação conduzida pelo ICMBio em 2020, posteriormente disponibilizada pelo Sistema SALVE em 2023, classificou a espécie como Em Perigo (EN) sob o critério B2ab(iii), com base em sua reduzida área de ocupação, forte fragmentação e contínuo declínio da qualidade do habitat. Em 2022, a espécie passou a ser classificada como Em Perigo (EN) na atualização da Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção. Na obra Biota Terrestre da Bacia do Rio Doce Ameaçada de Extinção Pós Rompimento da Barragem de Fundão, publicada em 2024 pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) e pelo Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS), voltou a ser avaliada como Criticamente em Perigo (CR), também sob o critério C2a(i). Em âmbito estadual, a espécie foi classificada como Criticamente em Perigo (CR) na Lista das Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna do Estado de Minas Gerais, nas avaliações de 2008 e 2010; na Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção do Estado do Espírito Santo, nas avaliações de 2005 e 2022; e como Possivelmente Extinta (PE) na Lista Oficial da Fauna Ameaçada do Estado do Rio de Janeiro, publicada em 2000. Na Bahia, foi avaliada como Vulnerável (VU) na Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna do Estado da Bahia, divulgada em 2017.

O crejoá encontra-se incluído no Apêndice I da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Silvestres Ameaçadas de Extinção (CITES) desde 1975, o que restringe severamente seu comércio internacional. Também está listado no Anexo A dos regulamentos da União Europeia sobre comércio de fauna silvestre desde 1997 e é protegido pela legislação brasileira. Registros confirmados foram obtidos no Parque Nacional do Descobrimento, no Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal, na Reserva Biológica de Una, na RPPN Estação Veracel e na Área de Proteção Ambiental Costa de Itacaré–Serra Grande, na Bahia; na Reserva Biológica de Sooretama, na Reserva Biológica do Córrego Grande e na Reserva Natural Vale, no Espírito Santo; e na RPPN Mata do Passarinho, em Minas Gerais. A ficha do SALVE também aponta ocorrência em outras áreas protegidas, incluindo o Parque Nacional do Alto Cariri, o Parque Nacional de Boa Nova, o Refúgio de Vida Silvestre de Boa Nova, a Área de Proteção Ambiental da Baía de Camamu, a Área de Proteção Ambiental Santo Antônio e a RPPN Itacira. Entre as áreas conhecidas para a espécie, a Estação Veracel e a Reserva Serra Bonita são consideradas particularmente importantes para sua sobrevivência. A Reserva Mata do Passarinho protege aproximadamente 400 hectares de floresta no município de Bandeira, em Minas Gerais, constituindo um dos mais importantes remanescentes conhecidos para a conservação da espécie. O crejoá também integra o Plano de Ação Nacional para a Conservação das Aves da Mata Atlântica, coordenado pelo ICMBio. Existe ainda a possibilidade de ocorrência no Parque Estadual do Rio Doce, embora sua presença nessa unidade de conservação permaneça sem confirmação recente.

A principal ameaça à espécie é a destruição e fragmentação do habitat provocadas pela expansão das atividades humanas na região costeira oriental do Brasil. A conversão de florestas para agricultura, especialmente cafeicultura, a formação de pastagens, a exploração madeireira, as queimadas e a expansão urbana continuam reduzindo e degradando os remanescentes adequados para a espécie. A elevada dependência de florestas úmidas de terras baixas torna o crejoá particularmente vulnerável, uma vez que esse ambiente foi intensamente reduzido e encontra-se distribuído em fragmentos isolados. Análises de sensoriamento remoto indicaram perda florestal equivalente a cerca de 4% da cobertura de habitat dentro da área de distribuição da espécie entre 2000 e 2012. Historicamente, a espécie também foi capturada devido à plumagem vistosa dos machos. Exemplares eram utilizados na confecção de ornamentos, flores produzidas com penas e outros artefatos artesanais, além de abastecerem o comércio de aves de gaiola. Há ainda registros de utilização da espécie para alimentação humana. À medida que a espécie se tornou mais rara, seu valor no comércio ilegal aumentou, fazendo com que a captura continue sendo considerada uma ameaça relevante às populações remanescentes. Devido à combinação entre distribuição restrita, pequena população remanescente e contínua degradação do habitat, o crejoá tem sido apontado como uma das aves mais ameaçadas da Mata Atlântica e uma espécie prioritária para ações de conservação. Persistem grandes lacunas no conhecimento sobre sua história natural. Entre os aspectos menos compreendidos estão o comportamento reprodutivo, a estrutura social, a organização territorial, a duração da incubação, o desenvolvimento dos filhotes, a composição detalhada da dieta e a importância de presas animais ocasionais. Entre as medidas recomendadas para sua conservação estão a realização de levantamentos em áreas adequadas ainda pouco estudadas, o monitoramento sistemático das populações por meio de torres de observação, o aprofundamento dos estudos sobre sua ecologia e preferências de habitat, a proteção efetiva e a recuperação dos remanescentes ocupados pela espécie, a restauração de áreas degradadas, o reflorestamento de áreas adjacentes com espécies arbóreas nativas e o aumento da conectividade entre os fragmentos florestais onde ainda ocorre.

Fonte: Wikipedia, artigo Cotinga maculata. Conteúdo adaptado da Wikipedia, disponível sob a licença CC BY-SA 4.0. Acessado em 17/07/2026.





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Utilize a referência abaixo para citar esta ficha da espécie.
EcoRegistros. 2026. Crejoá (Cotinga maculata) – Ficha da espécie. Acessado em www.ecoregistros.org em 15/09/2026.