Cinnamomum camphora (L.) J. Presl, conhecida pelo nome comum de
canforeira, é uma árvore de grande porte, que pode atingir os 20 m de altura, pertencente à família Lauraceae e ao género
Cinnamomum, o mesmo da árvore que produz a canela. Esta árvore é nativa do Extremo Oriente, particularmente do Taiwan, do Japão e da China meridional. A espécie é rica em óleos essenciais, sendo cultivada como árvore ornamental e para produção de cânfora.
Cinnamomum camphora é uma grande árvore (megafanerófito) de folha perene, com ramos frágeis que alcançam os 20 metros de altura.
As folhas são de filotaxia alterna, pecioladas, de forma ovalada, coriáceas e acuminadas, de coloração verde brilhante e com três nervuras principais. As folhas apresentam nas axilas umas pequenas glândulas.
As flores são brancas amareladas e ocorrem em maio-junho, agrupadas em panículas corimbosas dispostas nas suas axilas. O fruto é uma baga em forma de globo de coloração avermelhada que se torna negro quando amadurece.
A espécie apresenta uma fitoquímica complexa, rica em princípios activos. O óleo de cânfora é obtido por destilação a vapor da madeira desta espécie.
A planta tem distribuição natural na sueste da China, Taiwan e Japão, sendo comum na China e Japão. A espécie é cultivada em numerosos países de clima cálido e nas regiões costeiras do Pacífico dos Estados Unidos.
Taxonomia: A espécie
Cinnamomum camphora foi inicialmente descrita por Lineu, como
Laurus camphora, sendo incluída no género
Cinnamomum por Jan Svatopluk Presl em texto publicada em
O přirozenosti rostlin aneb rostlinář 2: 47. 1825.
A etimologia do nome genérico
Cinnamomum deriva do grego
kinnamon ou
kinnamomon, que significa
madeira doce. O epíteto específico
camphora é de origem latina e significa "cânfora".
A espécie apresenta um vasta sinonímia, a qual inclui:
- Camphora camphora (L.) H.Karst.
- Camphora hahnemannii Lukman.
- Camphora hippocratei Lukman.
- Camphora japonica Garsault
- Camphora officinarum Nees
- Camphora officinarum Bauh.
- Camphora officinarum var. glaucescens A.Braun
- Camphora vera Raf.
- Camphorina camphora (L.) Farw.
- Cinnamomum camphoriferum St.-Lag.
- Cinnamomum officinarum Nees ex Steud.
- Laurus camphora L. (basónimo)
- Laurus camphorifera Salisb.
- Laurus gracilis G.Don
- Ocotea japonica (Garsault) Thell.
- Persea camfora Spreng.
- Persea camphora (L.) Spreng.
Etnobotânica: Esta árvore é a origem da cetona conhecida como cânfora (C
10H
16O), uma substância branca, cristalina, com um forte odor característico e obtida a partir da seiva. A extracção é feita pela oxidação do pineno (parte principal da essência de terebentina). É uma combinação acíclica. Apresenta-se em grandes massas brancas, grano-cristalinas, translúcidas de cheiro particular penetrante e de um sabor um tanto amargo. É pouco solúvel na água, dissolvendo-se facilmente no álcool, éter e demais solventes orgânicos. Volatiliza-se desde a temperatura comum. É usada na fabricação de celulóide e de pólvora sem fumo.
Conhecida desde a antiguidade, a cânfora é utilizada como incenso e no preparo de medicamentos.
Diz-se que seu cheiro é inibidor de aranhas e traças. Para tanto, é recomendável a diluição em álcool para o seu borrifamento nas paredes e armários.
Princípios ativos: terpenos (alfa-pineno, nopineno, canfeno, dipenteno, cariofileno, cadineno, bisaboleno, canfazuleno etc.), álcoois (borneol, linalol, alfa-terpinol etc.), cetonas (cânfora, piperitona), óxidos (cineol etc.)
Quando utilizada em medicina tradicional são atribuídas as seguintes propriedades à às suas folhas e casca:
- Em grandes doses é narcótico e irritante, sem embargo de em doses pequenas ser sedante, antiespasmódico, diaforético, anti-helmíntico e balsâmico.
- Em aplicação externa pode aliviar as dores de cabeça e neuralgias. (de preferência com recurso ao álcool canforado).
- Também se utiliza o álcool canforado para aliviar as dores de dentes.
- Deve utilizar-se sob controlo médico pois a intoxicação produz dor gástrica e vómitos, debilidade e rigidez muscular.
- As aves são muito sensíveis aos seus vapores e se expostas a eles podem perecer em 15 minutos.