Descrição: Ave característica de 15,5 cm estritamente associada a riachos e rios torrentosos das Yungas, de aspecto robusto e compacto, com cauda muito curta. Plumagem geral cinza-escuro a cinza-chumbo, ligeiramente mais escura nas asas e cauda, com um conspícuo babador ruivo-alaranjado na garganta e parte superior do peito. As asas apresentam uma faixa branca formada pela base das primárias, visível principalmente durante o bater de asas ou quando realiza um movimento rápido típico das asas para baixo. Bico curto, reto e preto; pernas relativamente longas, com tarsos e dedos robustos; apresenta forte aderência nas garras, o que lhe permite agarrar-se às rochas e resistir à força da correnteza. Possui membrana nictitante bem desenvolvida, que protege os olhos debaixo d’água. Sexos semelhantes; fêmea ligeiramente menor. Juvenil mais pálido, com bico levemente rosado.
Distribuição: Distribui-se de forma descontínua nos Andes do sul da Bolívia (Tarija e Chuquisaca) e no noroeste da Argentina, onde habita as Yungas de Jujuy, Salta, Tucumán e Catamarca, sempre associado a cursos d’água adequados. Realiza movimentos altitudinais, descendo no inverno para áreas mais baixas.
Habitat: Habita riachos e rios de montanha com águas frias, claras e torrentosas, com leitos rochosos, corredeiras e cascatas. Ocorre principalmente no bosque montano das Yungas, especialmente em áreas com amieiro (Alnus acuminata), mas também em ecótonos com campos de altitude. Prefere ambientes sombreados e cursos d’água bem conservados, entre 600 e 3.200 m de altitude.
Comportamento: Espécie estritamente associada ao ambiente aquático. Observada solitária ou em pares, percorrendo rochas e margens de torrentes. Apresenta comportamento inquieto: caminha, salta e vadeia em águas rasas, movendo constantemente a cauda e realizando um característico bater de asas. Alimenta-se inclusive submergindo parcialmente o corpo ou a cabeça, podendo mergulhar brevemente, auxiliando-se com as asas para manter-se estável frente à correnteza. Voo baixo, rápido e direto, geralmente seguindo o curso do riacho. Canto pouco frequente, composto por notas agudas seguidas de um gorjeio. Chamados mais comuns, curtos, ásperos e nasais, frequentemente emitidos em voo ou em situação de alarme. Frequentemente convive com o pato-dos-torrentes, compartilhando habitat e hábitos nesses ambientes extremos.
Alimentação: Alimenta-se principalmente de invertebrados aquáticos (larvas e insetos). Procura alimento em rochas, musgos e margens da água, vadeando ou submergindo parcialmente o corpo. Pode explorar folhas submersas, especialmente de amieiro, consumindo organismos associados.
Reprodução: Nidifica entre setembro e janeiro. Constrói um ninho globular grande de musgos e fibras vegetais, com entrada lateral, localizado em fendas, cavidades rochosas ou estruturas próximas à água (inclusive pontes), geralmente a baixa altura sobre o curso d’água. Postura típica de 2 ovos brancos. Ambos os membros do casal participam na criação dos filhotes.
Categoria de conservação: Na Argentina está categorizado como Ameaçado (AM) e globalmente como Vulnerável (VU). Possui populações pequenas, fragmentadas e altamente localizadas (menos de 1.000 casais no país). É altamente sensível à qualidade da água, sendo suas principais ameaças a poluição e o aumento da turbidez, o desvio e modificação de cursos d’água, o desmatamento das margens, o sobrepastoreio com consequente erosão e a introdução de espécies exóticas como salmonídeos. Está protegido nos Parques Nacionais Baritú, Calilegua e Aconquija, assim como no Parque Provincial Potrero de Yala.
Autor desta compilação: Diego Carus y María Belén Dri – 03/04/2026