Pertence à família Chrysopidae e é amplamente conhecido como um inseto benéfico de corpo alongado e coloração verde-clara a verde-brilhante, medindo entre 10 e 15 milímetros de comprimento com uma envergadura que varia de 25 a 30 milímetros. Destaca-se por apresentar olhos compostos proeminentes com reflexos metálicos acobreados ou dourados, antenas filiformes finas e longas, e dois pares de asas membranosas transparentes com uma intrincada rede de nervuras verdes. As larvas, por sua vez, possuem morfologia campodeiforme (semelhante a pequenos jacarés), com corpo de cor cinza-escura a marrom-clara, ornamentado com tubérculos laterais e dotado de mandíbulas curvas e sulcadas, em forma de foice, adaptadas para perfurar e sugar o conteúdo interno de suas presas.
Distribuição geográfica: Apresenta ampla distribuição na região Neotropical, estendendo-se desde o extremo sul dos Estados Unidos e México, passando pela América Central, até atingir quase todo o território da América do Sul, com registros expressivos em nações como Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Uruguai. Sua grande capacidade de dispersão permite que colonize diferentes altitudes e zonas climáticas do continente com extrema facilidade.
Ambiente: Ocorre em uma grande diversidade de hábitats terrestres, habitando desde florestas nativas e formações arbustivas até áreas agrícolas intensamente manejadas. É extremamente abundante em agroecossistemas, tais como pomares de citros, plantações de soja, milho e algodão, além de jardins residenciais, hortas orgânicas e parques urbanos. Prefere locais com folhagem densa que ofereça proteção contra predadores e variações extremas de temperatura e umidade.
Alimentação: Apresenta hábitos alimentares distintos ao longo de seu ciclo de vida. Os adultos são essencialmente glicófagos e palinófagos, alimentando-se de pólen, néctar e melada (líquido açucarado excretado por hemípteros), desempenhando assim um papel secundário na polinização. Já as larvas são predadoras generalistas vorazes, consumindo uma ampla gama de pequenos artrópodes de corpo mole, como pulgões (áfidos), ácaros, tripes, moscas-brancas, cochonilhas e ovos de lepidópteros, o que as posiciona como agentes fundamentais no manejo ecológico de pragas agrícolas.
Comportamento: Possui hábitos predominantemente noturnos e crepusculares, voando de forma lenta e desordenada ao entardecer para se alimentar e encontrar parceiros, sendo frequentemente atraído por fontes de luz artificial. Durante o dia, os adultos permanecem camuflados sob as folhas da vegetação para evitar a predação. As larvas são extremamente ativas na busca por alimento, deslocando-se continuamente sobre as plantas e podendo apresentar comportamento canibalístico quando a densidade populacional de suas presas habituais está baixa.
Reprodução: O acasalamento é precedido por um comportamento de cortejo baseado em vibrações abdominais de baixa frequência, emitidas através do substrato da planta para comunicação entre os sexos. Após a fertilização, a fêmea realiza a postura dos ovos de forma de forma individual ou em pequenos grupos próximos a colônias de presas. Cada ovo é fixado na extremidade de um pedicelo longo e flexível com cerca de 4 a 8 milímetros de comprimento, composto de substância sedosa produzida por glândulas acessórias; esse filamento isola o ovo do contato direto com a folha, protegendo-o contra formigas e contra o próprio canibalismo de larvas recém-eclodidas. O ciclo de desenvolvimento é holometábolo (metamorfose completa), englobando as fases de ovo, três instares larvais, pupa no interior de um casulo sedoso arredondado e, finalmente, o estágio adulto.
Categoria de conservação: Não foi avaliada oficialmente pela União Internacional para a Conservação da Natureza, não constando na Lista Vermelha da UICN. Entretanto, é uma espécie altamente valorizada nos sistemas agrícolas e beneficiada por práticas que reduzem a aplicação de agroquímicos de amplo espectro. É amplamente criada em laboratórios especializados para a realização de liberações inundativas como parte de estratégias de controle biológico aplicado e manejo integrado de pragas (MIP).
Compilação e publicação: EcoRegistros – 25/09/2026