É o menor representante de sua família nas Américas, caracterizado por apresentar um comprimento total médio de 13 a 14 centímetros e um peso corpóreo que varia entre apenas 10 e 16 gramas. Esta minúscula ave apresenta um evidente dimorfismo sexual no padrão de sua plumagem quando adulta. O macho possui as partes superiores de um tom verde-escuro brilhante com reflexos metálicos, pescoço e peito de coloração castanho-avermelhada ou ruiva, contrastando com a região do abdômen e crisso que são de coloração branca pura. A fêmea, por sua vez, diferencia-se facilmente por apresentar uma faixa peitoral estreita de cor verde-escura sobre o fundo ruivo, além de tons ligeiramente mais pálidos na garganta. O bico de Chloroceryle aenea é desproporcionalmente longo, reto e robusto, de coloração preta com a base da mandíbula inferior amarelada.
Distribuição geográfica: Encontra-se amplamente distribuído pela região neotropical, ocorrendo desde as planícies costeiras do sul do México, passando por toda a América Central, até alcançar a totalidade do norte e centro da América do Sul. Sua área de ocorrência abrange a vasta Bacia Amazônica, as bacias dos rios Orinoco e Paraná, estendendo-se por países como Colômbia, Venezuela, Guianas, Equador, Peru, Bolívia, Paraguai e por quase todo o território do Brasil, tendo seus limites mais meridionais registrados no extremo norte da Argentina.
Ambiente: Habita preferencialmente ecossistemas aquáticos continentais e costeiros envolvidos por vegetação densa e marginal. Seus habitats prediletos incluem manguezais, igarapés estreitos e sombrios, riachos de águas calmas em florestas tropicais, lagoas pantanosas e florestas periodicamente inundadas conhecidas como várzeas ou igapós. Evita canais de água abertos e expostos ao sol direto, necessitando de galhos baixos pendentes, raízes expostas e folhagem densa que proporcionem sombra e proteção para suas atividades de caça.
Alimentação: Alimenta-se essencialmente de pequenos peixes que geralmente não ultrapassam os 5 centímetros de comprimento, além de uma considerável variedade de insetos aquáticos, ninfas de libélulas, besouros de água e pequenos crustáceos. Adota a estratégia de caça por espreita, permanecendo completamente estático em poleiros baixos, situados a menos de 1 metro de altura da superfície da água, de onde se lança em mergulhos rápidos e precisos para capturar as presas próximas à superfície.
Comportamento: Apresenta hábitos predominantemente solitários, discretos e silenciosos, o que torna sua observação em campo bastante difícil. Seu voo é extremamente rápido, direto e rente à lâmina d´água. Suas manifestações sonoras são raras e discretas, consistindo em um chamado curto, agudo e metálico que soa como um "tic" ou "chiip", emitido principalmente quando o indivíduo é perturbado ou quando realiza pequenos voos territoriais entre poleiros ao longo de seu curso d´água.
Nidificação: O ciclo reprodutivo inicia-se com a escavação de um túnel horizontal em barrancos de terra verticais ao longo de cursos d´água, ou mesmo utilizando a estrutura de cupinzeiros arbóreos ativos ou as raízes expostas de árvores caídas. Este túnel estende-se por cerca de 25 a 40 centímetros de profundidade, terminando em uma câmara nupcial desprovida de forração. A postura consiste de 3 a 4 ovos brancos e brilhantes, os quais são incubados pelo casal por um período de 19 a 21 dias, dividindo ambos a tarefa de alimentar os filhotes com pequenos peixes inteiros até que alcancem a independência.
Categoria de conservação: Está classificado atualmente na categoria de Pouco Preocupante (LC) pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Embora não esteja globalmente ameaçado devido à sua imensa área de distribuição, o táxon sofre ameaças em escala local decorrentes da perda de habitats ripários, contaminação química de rios decorrente de atividades agrícolas e a destruição contínua de áreas de manguezais costeiros.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 24/09/2026