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Celeus flavus

Pica-pau-amarelo


Celeus flavus

(Müller, PLS, 1776)
Carpintero Flavo
Cream-colored Woodpecker

Família: Picidae
Ordem: Piciformes
Classe: Aves
Filo / Divisão: Chordata
Reino: Animalia

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Sinônimos: Picus flavus.

Subespécies:





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Estado de conservação de acordo BirdLife International: Preocupação menor


Descrição


O pica-pau-amarelo (nome científico: Celeus flavus), também chamado ipecutauá, é uma ave piciforme da família dos picídeos (Picidae). Sua sistemática suscita debates a respeito do número de subespécies que possui. É endêmica da América do Sul, onde está presente desde a Colômbia até a Bolívia e amplas porções do Brasil. Habita áreas florestadas, onde alimenta-se de formigas, cupins, frutos e sementes.

Etimologia: Ipecutauá é oriundo do termo tupi ïpe´ku ta´wá, que significa "pato amarelo". O nome genérico Celeus é uma forma latina derivada do grego keleos (), "pica-pau verde", enquanto o epíteto específico flavus significa "amarelo, dourado".

Taxonomia e sistemática: O pica-pau-amarelo foi originalmente descrito por Philipp Ludwig Statius Müller em 1776, sob o nome Crocomorphus flavus. O gênero Crocomorphus era monotípico. Mais adiante, Charles B. Cory (1919) e Pinto (1937) transferida a espécie ao gênero Celeus. O Comitê Ornitológico Internacional (COI) atribui duas subespécies ao pica-pau-amarelo: a nominal C. f. flavus (Statius Muller, 1776) e C. f. subflavus (Sclater & Salvin, 1877). Até 2014, o COI havia incluído mais duas subespécies, C. f. peruvianus (Cory, 1919) e C. f. tectricialis (Hellmayr, 1922), mas naquele ano as fundiu na nominal. No início de 2023, a taxonomia de Clements e o Manual de Aves do Mundo da BirdLife International mantiveram todas as quatro subespécies. Grantsau (2010) reconheceu uma quinta subespécie, C. f. inortatus, que é tratada como táxon inválido por Winkler et al (2020). As subespécies "se intergradam extensivamente, produzindo numerosos intermediários, e em grande parte de sua distribuição, muitos indivíduos [são] impossíveis de atribuir a uma raça específica; os limites geográficos fornecidos são, portanto, um tanto arbitrários."

Distribuição e habitat: As quatro subespécies do pica-pau-amarelo distribuem-se da seguinte forma:

As subespécies de pica-pau-amarelo que ocorrem distribuem-se da seguinte forma:
  • C. f. flavus – ocorre no leste da Colômbia, sudoeste e nordeste da Venezuela, Guianas, leste do Equador, norte da Bolívia e no oeste do Brasil, estendendo-se ao sul até o estado do Mato Grosso. De acordo com Grantsau (2010), no Brasil, sua ocorrência se restringe à região ao norte do rio Amazonas.
  • C. f. tectricialis – presente no nordeste do Brasil, especialmente no estado do Maranhão.
  • C. f. subflavus – distribuía-se originalmente do estado de Alagoas ao norte do Espírito Santo. Atualmente, os registros limitam-se a três localidades na Bahia e uma no Espírito Santo, estando extinta em Alagoas e Sergipe.
  • C. f. peruvianus – ocorre no leste do Peru, norte da Bolívia e oeste do Brasil, incluindo os estados do Amazonas e Mato Grosso.
  • C. f. inortatus – encontrado no norte do Brasil, desde o rio Negro, passando pela margem direita do rio Purus e pela margem direita do baixo rio Beni, estendendo-se para leste até o estado do Pará.

O pica-pau-amarelo está presente nos biomas da Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal, nas sub-bacias do Araguaia, do Doce, da foz do Amazonas, do Gurupi, do Itapecuru, do Jequitinhonha, do litoral do Amapá, Bahia e Espírito Santo, do Madeira, do Mearim, do Negro, do Paraguai 01, 02 e 03, do Paranaíba, do Paraná RH1, do Alto Parnaíba, do Paru, do Purus, do Solimões, do Tapajós, do Alto e Baixo Tocantins, do Trombetas e do Xingu. Habita floresta úmida, às vezes próximo à água. Frequenta floresta tropical, como várzea e floresta pantanosa, bordas de mata, floresta de galeria, manguezais, matas deciduais, florestas abertas e de crescimento secundário. Também ocupa habitats secundários como plantações de cacau. Ocorre desde planícies a 700 metros de altitude, mas principalmente abaixo dos 400 metros.

 O pica-pau-amarelo mede cerca de vinte e quatro a vinte e sete centímetros de comprimento (9,4 a onze polegadas). A subespécie nominal pesa entre noventa e cinco e cento e trinta e um gramas (3,4 a 4,6 onças), enquanto C. f. subflavus pesa cerca de duzentos gramas (sete vírgula uma onças). Todas as subespécies são predominantemente amareladas, com uma crista longa e uma cauda preta. A coloração amarelada varia entre os indivíduos, do amarelo-creme claro ao amarelo-enxofre e, ocasionalmente, branco-canela. Os machos adultos apresentam uma faixa malar vermelha brilhante; as fêmeas não possuem essa marca vermelha. O bico dos adultos é amarelado, a íris é vermelha ou marrom-avermelhada, e as patas variam do cinza-escuro ao cinza-esverdeado. Os juvenis assemelham-se aos adultos, mas geralmente apresentam uma coloração mais bege ou tendem ao bege-canela.

As subespécies diferem principalmente no tamanho e na coloração das asas. As penas de voo da subespécie nominal são marrons, com muitas penas castanho-avermelhadas e também pretas. As coberteiras das asas são geralmente marrons ou marrom-avermelhadas. A subespécie C. f. peruvianus é ligeiramente maior que a nominal, e suas penas de voo substituem a maior parte das penas ruivas por marrons. A subespécie C. f. tectricialis tem aproximadamente o mesmo tamanho da nominal, com coberteiras das asas predominantemente marrons e muito menos ruivas nas penas de voo. A subespécie C. f. subflavus é a maior de todas; grande parte de sua plumagem corporal apresenta bases marrons largas, as coberteiras das asas são muito amarela7das e suas penas de voo não possuem coloração ruiva.

Comportamento: O pica-pau-amarelo é uma espécie não migrante. Alimenta-se de formigas (Crematogaster) e cupins (isópteros), além de frutas e sementes. Forrageia sozinho, em duplas ou pequenos grupos de até quatro indivíduos, e não demonstra timidez. Explora principalmente as partes baixas e médias da vegetação, mas também atinge a copa das árvores, onde passa bastante tempo invadindo ninhos arbóreos de formigas e cupins. Ocasionalmente desce ao solo e é visto com frequência em áreas abertas. Vocaliza com uma risada aguda e distinta, descrita como wutchuk kee-hoo-hoo-hoo, pueer, pueer, purr, paw ou variações semelhantes, geralmente com uma nota final mais grave. Também emite sons como kiu-kiu-kiu-kiu ou whéejah, às vezes repetidos, especialmente durante interações entre vários indivíduos. Suas chamadas de voo são mais agudas e menos ásperas do que as do pica-pau-chocolate (Celeus elegans). Na Colômbia, o período reprodutivo ocorre entre abril e junho, podendo começar um pouco antes na Venezuela. Um vídeo de comportamento de acasalamento foi registrado em fevereiro, no Suriname. Informações sobre o ninho e outros aspectos da reprodução ainda parecem não estar documentadas.

Conservação: A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica o pica-pau-amarelo como pouco preocupante (LC), pois ocorre numa distribuição extremamente grande e não se aproxima dos limiares para Vulnerável sob o critério de tamanho de distribuição (segundo a IUCN, extensão de ocorrência < 20 mil quilômetros quadrados combinada com um tamanho de distribuição decrescente ou flutuante, extensão/qualidade do habitat ou tamanho populacional e um pequeno número de locais ou fragmentação severa). Sabe-se que suas populações estão em tendência decrescente, mas o declínio não é suficientemente rápido para se aproximar dos limiares para vulnerável (> 30% de declínio ao longo de dez anos ou três gerações) e sua população é muito grande, o que igualmente descaracteriza a classificação como vulnerável (< 10 mil indivíduos maduros com um declínio contínuo estimado em > 10% em dez anos ou três gerações, ou com uma estrutura populacional especificada). O tamanho da população global do sabiá-da-mata não foi quantificado, mas é assumido que esteja estável.

No Brasil, em 2005, foi classificado como criticamente em perigo na Lista de Espécies da Fauna Ameaçadas do Espírito Santo; em 2010, como criticamente em perigo na Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna do Estado de Minas Gerais; em 2017, como em perigo na Lista Oficial das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção do Estado da Bahia; e em 2018, como pouco preocupante na Lista Vermelha do Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A subespécie Celeus flavescens subflavus está ameaçada pela perda e degradação do habitat provocadas por desmatamento, corte seletivo, queimadas, conversão em pastagens e silvicultura, o que justificou sua classificação como criticamente em perigo (CR). No entanto, à espécie como um todo, não foram identificadas ameaças significativas que possam levá-la ao risco de extinção em um futuro próximo.

Áreas de conservação: O pica-pau-amarelo está presente em várias áreas de conservação:

Áreas de Proteção Ambiental (APA)
  • Baixada Maranhense
  • Reentrâncias Maranhenses
  • Presidente Figueiredo - Caverna do Moroaga
  • Upaon-Açu / Miritiba / Alto Preguiças
  • Arquipélago do Marajó
  • Igarapé São Francisco
  • Ilha do Bananal/cantão
  • Margem Esquerda do Rio Negro – Setor Aturiá-Apuauzinho
  • Margem Esquerda do Rio Negro – Setor Tarumã Açu-Tarumã Mirima
  • Xeriuini

Estações Ecológicas (ESEC)
  • Terra do Meio
  • Maracá
  • Taiamã
  • Jutaí-Solimões
  • Niquiá
  • Rio Acre
  • Serra Geral do Tocantins

Florestas Nacionais (Flona)
  • Carajás
  • Caxiuanã
  • Tapajós
  • Macauã
  • Pau-Rosa
  • Tapirape-Aquiri
  • Tefé
  • Trairão

Parques Nacionais (PARNA)
  • Amazônia
  • Anavilhanas
  • Chapada dos Veadeiros
  • Emas
  • Cabo Orange
  • Descobrimento
  • Pantanal Mato-Grossense
  • Viruá
  • Jaú
  • Lençóis Maranhenses
  • Serra do Divisor
  • Serra do Pardo

Reservas Biológicas (Rebio)
  • Sooretama
  • Guaporé
  • Gurupi
  • Jaru
  • Nascentes da Serra do Cachimbo
  • Rio Trombetas
  • Tapirapé
  • Traçadal

Reservas Extrativistas (Resex)
  • Baixo Juruá
  • Baixo Rio Branco Jauaperi
  • Cazumbá-Iracema
  • Lago do Capanã Grande
  • Rio Ouro Preto
  • Tapajós-Arapiuns
  • Rio Gregório

Reservas de Desenvolvimento Sustentável
  • Amanã

Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN)
  • Adão e Eva
  • Aldeia Ekinox
  • Arara Azul
  • Bela Vista
  • Fazenda Boa Esperança
  • Fazenda Estância Dorochê
  • Fazenda Pioneira
  • Laço de Amor
  • Lote Cristalino
  • Nadir Júnior
  • Reserva Boca da Mata
  • Seringal Assunção
  • Sítio Jaquarema
  • Sumaúma

Parques Estaduais
  • Cantão
  • Encontro das Águas
  • Rio Negro Setor Norte

Terras Indígenas
  • Jarawara/Jamamadi/Kanamati
  • Jumina
  • Mamoadate
  • Mapari
  • Médio Rio Negro I
  • Munduruku
  • Rio Paru Deste
  • Wedezé

Fonte: Wikipedia, artigo Celeus flavus. Conteúdo adaptado da Wikipedia, disponível sob a licença CC BY-SA 4.0. Acessado em 16/07/2026.





Distribuição geográfica


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Fotografias da espécie

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San Martín
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11/07/2024
Federico J. Villegas
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Eduardo Jorge Cavalcante Vieira
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16/09/2016
Ramon Moller Jensen
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Aripuanã
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10/02/2018
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252422404/09/2026BrasilMato GrossoPousada Jardim da Amazonia, Sao Jose do Rio Claro1Hugo Caverzasi
247344311/07/2024PerúSan MartínMorro de CalzadaJorge Schlemmer
220249011/07/2024PerúSan MartínMorro de Calzada Amazon CenterFederico J. Villegas
214534811/07/2024PerúSan MartínLocalidad Waqanki/quebrada Mishquiyaquillo2Nino A. Grangetto
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214277711/07/2024PerúSan MartínLocalidad Morro de Calzada Amazon Center1Pablo Eguia
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Citação recomendada
Utilize a referência abaixo para citar esta ficha da espécie.
EcoRegistros. 2026. Pica-pau-amarelo (Celeus flavus) – Ficha da espécie. Acessado em www.ecoregistros.org em 15/09/2026.