Não quer ver anúncios? Cadastre-se...




Calonectris edwardsii

Bobo-de-cabo-verde


Calonectris edwardsii

(Oustalet, J-FÉ, 1883)
Pardela de Cabo Verde
Cape Verde Shearwater

Família: Procellariidae
Ordem: Procellariiformes
Classe: Aves
Filo / Divisão: Chordata
Reino: Animalia

 Solicitar mudança

Sinônimos: Puffinus edwardsii.





Filtros


Registros de Uruguay
Registros de Maldonado
Registros de Punta Ballena
Registros de Playa Punta Ballena

Estado de conservação de acordo BirdLife International: Quase Ameaçado


Descrição


Trata-se de uma ave procelariforme pelágica de porte médio que exibe um comprimento corporal compreendido entre 40 e 45 cm, acompanhado por uma envergadura alar de 100 a 110 cm. Sua compleição aerodinâmica apresenta asas alongadas e afiladas, adaptadas funcionalmente para a sustentação através do voo planado sobre a interface atmosférica oceânica. A plumagem das partes superiores possui um tom pardo-acinzentado fosco, contrastando de maneira evidente com a face ventral, revestida inteiramente por penas de coloração branca pura. Diferenciando-se de seus parentes filogenéticos mais próximos, sua cabeça ostenta tonalidades mais escuras e homogêneas, sem delimitações abruptas na transição para a garganta clara. O bico é delgado, estreito e comprimido lateralmente, culminando em tubos nasais orientados para a frente e uma estrutura córnea de tom cinza-escuro a enegrecido, distinguindo-se terminantemente pela ausência de pigmentações amareladas vívidas. As patas e os pés palmados possuem coloração rosada suave, atuando na impulsão natatória e estabilização de decolagens na água.

Distribuição geográfica: Apresenta uma área reprodutiva estritamente restrita aos confins territoriais do arquipélago de Cabo Verde, onde estabelece assentamentos coloniais em ilhas e ilhéus pontuais como Branco, Raso, Brava, Santiago e Boavista. Findo o período reprodutivo, executa amplas migrações oceânicas rumo a zonas pelágicas remotas do oceano Atlântico equatorial e meridional. Diversos indivíduos alcançam as correntes ricas da zona econômica exclusiva e plataforma marinha do Brasil, bem como áreas produtivas de ressurgência que circundam a costa ocidental da África, dispersando-se por águas internacionais durante os meses de inverno austral.

Ambiente: É uma espécie primariamente oceânica que perpassa a maior parte de sua existência associada a ambientes pelágicos de mar aberto, sobrevoando águas tropicais e subtropicais com salinidade e termoclina variáveis. Concentra sua atividade de forrageamento sobre áreas de talude continental, montes submarinos e zonas de convergência de massas de água com elevada biomassa secundária. Seu vínculo com o meio terrestre é sazonal e restrito, ocorrendo em penhascos costeiros íngremes, encostas de rocha basáltica decomposta, cavidades de falésias e ilhotas desérticas desprovidas de perturbação humana direta, onde encontra abrigo geomorfológico adequado para a procriação.

Alimentação: A ecologia alimentar desta ave fundamenta-se na captura de organismos pelágicos de pequeno calibre, denotando uma preferência marcante por peixes voadores da família Exocoetidae, peixes pelágicos menores e cefalópodes, em especial lulas oceânicas. Obtém seu sustento por meio de raspagens na superfície enquanto plana rente à água, mergulhos rasos de impacto e pequenas perseguições subaquáticas. Empregando suas asas parcialmente fechadas como hidrofólios propulsores, consegue submergir alguns metros na coluna d´água para capturar presas empurradas para a lâmina superficial por grandes predadores subaquáticos ou espécies que realizam migração vertical noturna.

Comportamento: Revela um perfil amplamente gregário no oceano, integrando associações multiespecíficas de alimentação com atuns, golfinhos e outras aves marinhas de alto-mar. O deslocamento espacial sustenta-se na mecânica do voo planado dinâmico, processo no qual o animal aproveita a resistência e os gradientes verticais de vento marinho para cobrir trajetos transoceânicos com reduzido custo metabólico. Na terra firme, restringe suas atividades ao período estritamente noturno, alcançando as colônias sob densa escuridão para reduzir a probabilidade de detecção visual por predadores aéreos nativos e gaivotas oportunistas. O ambiente colonial abriga complexas manifestações acústicas, compostas por chamados nasais e vocalizações guturais ressonantes trocadas no interior das tocas.

Nidificação: A temporada reprodutiva tem início regular no final do inverno, com os espécimes adultos comparecendo às escarpas entre fevereiro e março. O sistema de acasalamento baseia-se na monogamia duradoura e fidelidade ao sítio reprodutivo, com os mesmos pares utilizando as fendas rochosas por anos consecutivos. O ninho é estruturado em reentrâncias profundas, fendas naturais de basalto ou galerias subterrâneas. A fêmea realiza a postura única de um ovo de casca branca e textura porosa. Ambos os parceiros dividem os turnos de incubação, revezando-se durante 50 a 55 dias. Após a eclosão, o filhote desenvolve-se gradualmente ao longo de 85 a 95 dias, sendo nutrido à base de óleo estomacal regurgitado e pescados parcialmente digeridos, até a completa troca da penugem por penas aptas ao voo, momento em que ruma solitário ao mar aberto.

Categoria de conservação: Encontra-se classificada sob o status de Quase Ameaçada (NT) de acordo com os parâmetros globais da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Por manter núcleos reprodutivos confinados a um arquipélago isolado, suas populações demonstram extrema suscetibilidade diante do impacto de mamíferos carnívoros exóticos, especialmente gatos ferais e ratos-pretos, que predam ninhadas indefesas no interior das tocas. No ambiente marinho, as maiores adversidades incluem a captura acidental em espinhéis pelágicos industriais, a redução da oferta de presas por sobrepesca, a ingestão involuntária de fragmentos plásticos suspensos e a poluição luminosa litorânea gerada por empreendimentos humanos, fator responsável por desnortear e desestabilizar os juvenis em seus primeiros voos oceânicos.



Compilação e publicação: EcoRegistros – 16/10/2026




Distribuição geográfica


Carregando mapa...




Fotografias da espécie

Últimas fotografias publicadas

Foto
ID de Fotografia: 682602
  Adulto

Punta Ballena
Maldonado
Uruguai
15/04/2026
Alejandra Pons



 Ver todas as fotografias das espécies




 Adicionar uma imagem desta espécie






Vocalizações da espécie

Últimas vocalizações publicadas



 Adicionar um áudio desta espécie





Vídeos da espécie

Últimas filmagens publicadas




 Adicionar um filme desta espécie





Relatórios da espécie



 Detalhe de lugares ordenada pelo número de registros








Página 1
ID RegistroDataHora exataPaísProvincia / DepartamentoLugarFilmadoFotografadoVocalização gravadaObservadoOidaFerido ou mortoIndivíduos quantidadeUsuário ou BibliografiaDetalhe
245955315/04/2026UruguaiMaldonadoPlaya Punta Ballena, Punta BallenaAlejandra Pons
Página 1

 Adicionar um registro desta espécie

📖
Citação recomendada
Utilize a referência abaixo para citar esta ficha da espécie.
EcoRegistros. 2026. Bobo-de-cabo-verde (Calonectris edwardsii) – Ficha da espécie. Acessado em www.ecoregistros.org em 17/10/2026.