É uma ave marinha pelágica de grande porte pertencente à família Procellariidae, caracterizada por apresentar uma envergadura alar de 112 a 126 cm, um comprimento total de 45 a 56 cm e uma massa corporal que oscila entre 700 e 900 gramas. A plumagem superior revela uma coloração pardo-acinzentada uniforme, que contrasta nitidamente com as regiões inferiores de um branco puro e luminoso. O lado inferior das asas é quase inteiramente alvo, contornado por uma delgada e nítida margem posterior escura. Destaca-se morfologicamente pelo seu bico robusto e amarelado, que ostenta uma mancha apical fusca ou negra na placa ungueal, acompanhado por narinas tubulares basais especializadas na eliminação do excesso de sal marinho. O dimorfismo sexual é discreto, manifestando-se apenas por proporções ligeiramente maiores nos machos no que tange ao peso corporal e às medidas cefálicas.
Distribuição geográfica: Apresenta uma área reprodutiva circunscrita predominantemente aos arquipélagos da Macaronésia, no oceano Atlântico nordeste. As maiores populações reprodutoras estabelecem-se nos Açores, na Madeira, nas Ilhas Selvagens e nas Ilhas Canárias, com uma pequena população continental adicional situada no arquipélago das Ilhas Berlengas, em Portugal continental. Durante o período pós-reprodutivo, empreende extraordinárias viagens transoceânicas rumo ao hemisfério sul, dispersando-se em zonas de grande produtividade biológica do Atlântico Sul, nomeadamente nas costas de Brasil, Argentina e na borda do sudoeste africano sob o domínio da Corrente de Benguela.
Ambiente: Possui hábitos estritamente pelágicos durante a grande maioria do seu ciclo de vida, mantendo-se em mar aberto sobre a plataforma continental e além dos taludes oceânicos enriquecidos por ressurgências marinhas. Durante a estação reprodutiva, depende intrinsecamente de ilhas oceânicas escarpadas, estabelecendo colônias em falésias costeiras íngremes, encostas rochosas cobertas por seixos, cavidades vulcânicas e ilhéus inacessíveis a predadores terrestres.
Alimentação: Tem como base alimentar presas epipelágicas e nectônicas, ingerindo peixes gregários como sardinhas, chicharro e biqueirões, além de capturar uma fração considerável de cefalópodes, em especial lulas. Complementa a sua dieta consumindo crustáceos marinhos e tirando proveito oportunista de rejeições da pesca comercial decorrentes da atividade de arrastões e palangreiros. A captura do alimento ocorre através de apreensão superficial à tona d´água ou por intermédio de mergulhos superficiais, que raramente excedem alguns metros de profundidade.
Comportamento: É uma voadora exímia que aproveita os fluxos aerodinâmicos oceânicos, progredindo sem esforço por meio do planeio dinâmico sobre as cristas das ondas. Durante o dia, passa longos períodos em alto-mar ou reunida em aglomerados flutuantes conhecidos como balsas, aguardando o crepúsculo. A chegada aos sítios reprodutivos é estritamente noturna, uma adaptação comportamental crucial para diminuir o risco de predação exercido por grandes gaivotas. As noites coloniais são preenchidas por uma cacofonia memorável, consistindo em vocalizações ásperas, anasaladas e lamentosas emitidas em pleno voo e no interior dos abrigos.
Nidificação: Apresenta um sistema reprodutivo monogâmico de longa duração, ocorrendo fidelidade evidente ao parceiro e ao mesmo sítio reprodutivo por sucessivos anos. A postura é efetuada no interior de tocas escavadas no solo, fendas rochosas profundas ou sob grandes blocos basálticos. Em finais de maio, a fêmea efetua a postura de um único ovo esbranquiçado, o qual é incubado por ambos os progenitores em turnos que totalizam 52 a 56 dias. O filhote é alimentado com substâncias semidigeridas e óleos gástricos altamente calóricos, completando seu desenvolvimento após permanecer no ninho por um intervalo de 90 a 105 dias.
Categoria de conservação: Encontra-se classificada sob o estatuto de Pouco Preocupante (LC) na Lista Vermelha da IUCN, refletindo sua vasta área de ocorrência oceânica e a robustez dos efetivos populacionais globais. Contudo, suas colônias enfrentam vulnerabilidades graves, com destaque para a predação de ovos e juvenis por espécies exóticas invasoras como ratos e gatos selvagens, episódios severos de desorientação dos juvenis provocados pela poluição luminosa litorânea e a mortalidade acidental provocada por artes de pesca pelágicas.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 19/10/2026