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Calidris bairdii

Maçarico-de-bico-fino


Calidris bairdii

(Coues, E, 1861)
Playerito Unicolor
Baird´s Sandpiper

Família: Scolopacidae
Ordem: Charadriiformes
Classe: Aves
Filo / Divisão: Chordata
Reino: Animalia

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Sinônimos: Actodromas bairdii.





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Registros de Carhué

Estado de conservação de acordo BirdLife International: Preocupação menor


Descrição


É um pequeno maçarico migratório de corpo esguio e elegante, reconhecido por realizar uma das mais longas migrações entre as aves limícolas das Américas. Mede entre 14 e 18 cm de comprimento, possui corpo delgado, pernas relativamente curtas de coloração preta e um bico fino, reto e escuro, ligeiramente mais curto que o comprimento da cabeça, perfeitamente adaptado para capturar pequenos invertebrados sobre a superfície do lodo e dos solos úmidos. Durante a época reprodutiva apresenta as partes superiores com uma bela combinação de tons castanhos, pretos e ferrugíneos, cujas penas possuem bordas claras que conferem um aspecto escamado bastante característico. O peito é levemente bege, com delicadas estrias escuras que desaparecem gradualmente em direção ao ventre completamente branco. Fora do período reprodutivo a plumagem torna-se predominantemente acinzentada e discreta, enquanto os juvenis exibem um padrão escamado muito evidente, considerado um dos principais caracteres para sua identificação durante a migração. As asas são longas e pontiagudas, ultrapassando claramente a extremidade da cauda quando a ave está pousada, característica diagnóstica que permite diferenciá-la de outros pequenos maçaricos do gênero Calidris. Em voo apresenta uma silhueta leve, aerodinâmica e extremamente eficiente, perfeitamente adaptada para percorrer enormes distâncias com reduzido gasto energético.

Distribuição geográfica: Calidris bairdii possui uma distribuição intimamente relacionada ao seu extraordinário comportamento migratório. Reproduz-se exclusivamente na tundra ártica da América do Norte, principalmente no Alasca e no norte do Canadá, onde aproveita o curto verão boreal para completar seu ciclo reprodutivo. Após esse período inicia uma das migrações mais impressionantes entre as aves limícolas americanas, deslocando-se por milhares de quilômetros até alcançar a cordilheira dos Andes e o extremo sul da América do Sul. Durante esse percurso atravessa grande parte dos Estados Unidos, México, América Central e diversos países sul-americanos. No Brasil ocorre principalmente como migrante em áreas úmidas do Centro-Oeste, Sul e, ocasionalmente, em outras regiões, sendo mais frequente durante as passagens migratórias. Também é regularmente registrada na Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Paraguai, Uruguai e outros países da América do Sul. Muitos dos ambientes utilizados durante essas viagens funcionam como áreas estratégicas de descanso e alimentação, tornando-se fundamentais para o sucesso de sua longa migração anual.

Ambiente: Frequenta principalmente lagoas, banhados, brejos, salinas, margens de rios, reservatórios, planícies alagadas, estuários, praias lodosas, campos úmidos e áreas alagáveis, podendo também utilizar arrozais e outros ambientes temporariamente inundados. Durante o período reprodutivo ocupa a tundra ártica seca ou levemente úmida, caracterizada por vegetação rasteira composta por gramíneas, musgos, líquens e pequenos arbustos. Durante a migração e o inverno austral demonstra notável capacidade de adaptação, sendo encontrada desde áreas costeiras ao nível do mar até brejos alto-andinos situados acima de 4.000 metros de altitude. Prefere ambientes abertos, onde consegue detectar rapidamente predadores e localizar alimento com facilidade. Essa ampla tolerância ecológica permite que utilize diferentes tipos de áreas úmidas distribuídas ao longo de praticamente todo o continente americano.

Alimentação: Alimenta-se principalmente de pequenos invertebrados, incluindo insetos adultos, larvas, moscas, besouros, formigas, aranhas, pequenos crustáceos, moluscos, vermes e diversos organismos encontrados sobre ou logo abaixo da superfície do solo úmido. Durante o verão ártico aproveita a enorme abundância de mosquitos, quironomídeos e outros insetos típicos da tundra, fundamentais para suprir as elevadas necessidades energéticas da reprodução. Diferentemente de alguns maçaricos que introduzem profundamente o bico no sedimento, Calidris bairdii costuma localizar visualmente suas presas e capturá-las com rápidos movimentos do bico sobre a superfície. Eventualmente complementa sua alimentação com pequenas sementes e fragmentos vegetais, especialmente durante a migração, quando necessita acumular reservas de gordura para enfrentar longos voos. Seu comportamento alimentar ativo e oportunista contribui significativamente para sua capacidade de explorar uma grande diversidade de ambientes ao longo do ciclo anual.

Comportamento: Apresenta comportamento ativo, inquieto e altamente migratório, passando grande parte do tempo caminhando rapidamente pelas margens de lagoas e áreas enlameadas em busca de alimento. Fora da estação reprodutiva é frequentemente observado sozinho ou em pequenos grupos, embora possa integrar bandos mistos com outras espécies de aves limícolas quando há abundância de recursos alimentares. Durante as migrações demonstra extraordinária resistência, percorrendo milhares de quilômetros entre áreas de reprodução e de invernada, realizando paradas estratégicas para recuperar suas reservas energéticas. Geralmente é silencioso durante o inverno austral, mas nas áreas de reprodução emite chamados agudos utilizados para comunicação entre os membros do casal e defesa do território. Quando ameaçado costuma permanecer imóvel por alguns instantes, confiando na excelente camuflagem proporcionada por sua plumagem, antes de levantar voo rapidamente. As asas longas e pontiagudas tornam seu voo extremamente eficiente para percorrer grandes distâncias.

Nidificação: A reprodução ocorre durante o breve verão do Ártico, quando o degelo favorece uma explosão na população de insetos. O ninho consiste em uma pequena depressão escavada no solo, revestida com folhas secas, líquens, musgos e outros materiais vegetais disponíveis na tundra. Geralmente é construído em áreas ligeiramente elevadas, reduzindo o risco de alagamentos. A fêmea normalmente põe quatro ovos de coloração oliva ou bege, intensamente salpicados por manchas escuras que proporcionam excelente camuflagem. Macho e fêmea compartilham a incubação durante aproximadamente três semanas. Os filhotes nascem cobertos por penugem, deixam o ninho poucas horas após a eclosão e são capazes de alimentar-se sozinhos desde muito cedo, embora permaneçam protegidos pelos adultos até adquirirem independência. Como o verão boreal é extremamente curto, todo o ciclo reprodutivo ocorre em poucas semanas, permitindo que adultos e jovens iniciem rapidamente a longa migração rumo ao sul antes da chegada do rigoroso inverno ártico.

Categoria de conservação: De acordo com a avaliação global da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), Calidris bairdii está classificada como Pouco Preocupante (Least Concern – LC) devido à sua ampla distribuição e ao tamanho estimado de sua população mundial. Entretanto, trata-se de uma espécie fortemente dependente da conservação das áreas úmidas distribuídas ao longo de toda a sua rota migratória. A drenagem de banhados, a degradação de lagoas, a expansão agrícola, a urbanização, a poluição e a alteração de ambientes costeiros representam ameaças crescentes para muitos dos locais utilizados durante a migração e a invernada. Além disso, as mudanças climáticas podem modificar profundamente os ecossistemas da tundra ártica, alterando a disponibilidade de alimento, o período de reprodução e as condições encontradas ao longo das rotas migratórias. A proteção integrada dos ambientes úmidos das Américas é essencial para garantir a continuidade dessa extraordinária migração e a conservação não apenas desta espécie, mas também de inúmeras outras aves limícolas migratórias.

A presente compilação foi elaborada por meio da integração de informações provenientes de obras ornitológicas de referência, publicações científicas e literatura especializada sobre a espécie, resultando em um texto original e exclusivo para EcoRegistros, sem reprodução de trechos literais das fontes consultadas.


Autor desta compilação: EcoRegistros – 10/07/2026





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Citação recomendada
Utilize a referência abaixo para citar esta ficha da espécie.
EcoRegistros. 2026. Maçarico-de-bico-fino (Calidris bairdii) – Ficha da espécie. Acessado em www.ecoregistros.org em 21/09/2026.