Trata-se de um anatídeo de grande porte que exibe um notável dimorfismo sexual correlacionado ao peso e tamanho corporal. Os machos de linhagem selvagem de Cairina moschata atingem até 86 cm de comprimento e um peso que pode se aproximar dos 4 kg, enquanto as fêmeas são visivelmente menores, pesando cerca de metade do valor dos indivíduos masculinos. A plumagem selvagem é predominantemente preta brilhante com reflexos metálicos esverdeados e purpúreos, destacando-se uma grande mancha branca nas coberturas das asas, visível sobretudo durante o voo. Apresenta carúnculas carnosas de cor vermelho-escura ou enegrecida ao redor da face e na base do bico, desprovidas de penas, as quais se desenvolvem de forma mais proeminente nos machos maduros. As patas são pretas, robustas e dotadas de unhas afiadas que auxiliam no pouso em galhos de árvores.
Distribuição geográfica: Apresenta uma ampla distribuição geográfica que se estende por grande parte da região neotropical. Ocorre desde o extremo sul dos Estados Unidos (no vale do Rio Grande, Texas) e planícies costeiras do México, descendo por toda a América Central e abrangendo a maior parte da América do Sul, ocupando de forma contínua a bacia amazônica e regiões adjacentes até alcançar o norte da Argentina e o Uruguai.
Ambiente: Ocupa prioritariamente zonas úmidas florestadas de água doce, manifestando preferência por pântanos arborizados, lagos rasos, rios de fluxo lento, manguezais e savanas sazonalmente inundáveis. A integridade de seu habitat depende diretamente da presença de florestas ripárias e árvores de grande porte adjecentes aos corpos hídricos, fundamentais para abrigo e reprodução.
Alimentação: Apresenta um regime alimentar onívoro e de caráter generalista. Consome uma grande variedade de recursos vegetais, tais como sementes, tubérculos, raízes e folhas de macrófitas aquáticas, além de grãos em áreas cultivadas próximas à água. A fração proteica de sua dieta é composta por peixes de pequeno porte, caramujos, caranguejos, anfíbios e insetos aquáticos em diferentes estágios de desenvolvimento, capturados por meio da filtragem de sedimentos rasos ou pastejo terrestre.
Comportamento: Exibe hábitos prevalentemente crepusculares e diurnos. Destaca-se de outros patos devido à sua acentuada capacidade arbórea, utilizando galhos altos de árvores para descansar durante o dia e pernoitar com segurança contra predadores terrestres. Costuma viver de forma solitária, em pares ou em pequenos grupos familiares. É uma ave extremamente silenciosa; os machos não emitem o grasnido típico, mas sim um sopro sibilante de baixa frequência, ao passo que as fêmeas emitem vocalizações curtas e suaves apenas quando sob estresse ou para se comunicar com a prole.
Nidificação: A atividade reprodutiva está intimamente ligada ao período de maior índice pluviométrico de cada região. O local preferencial para a instalação do ninho consiste em cavidades naturais em troncos de árvores maduras, localizadas a alturas que variam de 3 a 15 metros do solo. Caso faltem cavidades adequadas, pode construir o ninho em vegetação densa no solo ou aproveitar ninhos abandonados de rapinantes. A fêmea forra a cavidade com suas próprias plumas peitorais e realiza a postura de 8 a 15 ovos de coloração branco-esverdeada. A incubação é realizada exclusivamente pela fêmea e estende-se por aproximadamente 35 dias, um período longo em comparação com outros patos selvagens.
Categoria de conservação: Está classificado como Pouco Preocupante (LC) na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Embora sua população global permaneça expressiva, as populações nativas estritamente selvagens sofrem ameaças constantes devido à degradação e perda de florestas ciliares, pressão de caça e pela preocupante poluição genética gerada pelo cruzamento e hibridização com populações domésticas ferais.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 28/07/2026