Apresenta uma fisionomia robusta e um porte médio a grande dentro de sua família, com um comprimento corporal que varia entre 35 e 45 centímetros e uma envergadura de asas de aproximadamente 100 centímetros. Sua plumagem exibe um padrão críptico altamente complexo, dominado por tons acinzentados, pardos e amarelados, densamente barrados de escuro na região ventral, o que proporciona uma camuflagem perfeita contra troncos de árvores e rochedos. Destacam-se na cabeça dois tufos de penas proeminentes que se assemelham a orelhas ou chifres, consideravelmente menores que os de seu congênere do norte. Os olhos são de um amarelo vibrante, emoldurados por um disco facial cinza-escuro com uma fina borda preta. Possui um bico adunco e forte de cor cinza-escura e garras extremamente poderosas cobertas por plumagem densa até a base dos dedos.
Distribuição geográfica: Distribui-se ao longo do cone sul do continente americano, estendendo-se desde o centro do Peru e oeste da Bolívia, descendo pela cordilheira dos Andes através do Chile e da Argentina, até alcançar o arquipélago da Terra do Fogo e as ilhas adjacentes do Cabo de Hornos.
Ambiente: Ocorre em uma ampla diversidade de ecossistemas terrestres, desde o nível do mar até altitudes que ultrapassam os 4.500 metros de elevação na região andina. Prefere florestas temperadas de Nothofagus, matagais áridos, estepes patagônicas, desfiladeiros rochosos, encostas montanhosas e áreas semiabertas com árvores esparsas, demonstrando uma notável plasticidade ecológica diante de condições climáticas adversas.
Alimentação: Possui uma dieta estritamente carnívora e generalista-oportunista, ajustando seus hábitos de caça à disponibilidade local de recursos. Alimenta-se principalmente de micromamíferos, destacando-se roedores dos gêneros Abrothrix e Phyllotis, além de lagomorfos introduzidos como a lebre-europeia e o coelho-comum. Complementa sua dieta com aves de médio porte, pequenos répteis, anfíbios e grandes invertebrados terrestres, como besouros e escorpiões, capturados por meio de voos silenciosos a partir de poleiros de observação.
Comportamento: Demonstra hábitos predominantemente noturnos e crepusculares, passando o período diurno oculto e mimetizado em folhagens densas ou fendas de paredões rochosos. Seu voo é extremamente silencioso, graças às adaptações estruturais em suas penas de voo. É uma espécie solitária e territorial, exceto durante o ciclo reprodutivo. Sua vocalização é altamente característica, consistindo em um chamado grave e bissilábico que se assemelha ao som de "tucú-quere", o qual dá origem ao seu nome popular em várias regiões sul-americanas.
Nidificação: Inicia seu período de reprodução no final do inverno austral, geralmente entre os meses de agosto e setembro. Não constrói ninhos complexos; em vez disso, utiliza reentrâncias em penhascos, fendas rochosas, o próprio solo sob a proteção de arbustos espinhosos ou ninhos abandonados de outras aves de rapina de grande porte. A postura consiste tipicamente de 2 a 3 ovos brancos e foscos, incubados exclusivamente pela fêmea por um período de 32 a 35 dias, período em que o macho assume integralmente a função de caçar e alimentar a parceira.
Categoria de conservação: Está classificado globalmente como Pouco Preocupante (LC) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Embora suas populações globais permaneçam estáveis, enfrenta ameaças antrópicas localizadas, tais como a perda e fragmentação de habitat por queimadas, colisões com redes de energia elétrica, perseguição direta baseada em superstições culturais e o envenenamento secundário decorrente do uso de raticidas em áreas agrícolas.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 17/08/2026