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Bothrops jararacussu

Jararacuçu


Bothrops jararacussu

Yararacusú
Jararacussu

Família: Viperidae
Ordem: Squamata
Classe: Reptilia
Filo / Divisão: Chordata
Reino: Animalia

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Registros de Garuva

PERIGOSO


Descrição


Representa uma das maiores e mais robustas serpentes peçonhentas da família Viperidae na América do Sul, alcançando comprimentos que variam comumente entre 1,6 e 2,2 metros. A espécie exibe um marcante dimorfismo sexual cromático: as fêmeas, consideravelmente maiores, possuem uma coloração dorsal caracterizada pelo contraste de tons de amarelo-ouro ou bege com um padrão de manchas triangulares pretas ou marrons escuras dispostas simetricamente; já os machos, muito menores, tendem a apresentar uma coloração geral mais homogênea e escura, em tons acinzentados ou enegrecidos. Sua cabeça é nitidamente triangular e destacada do pescoço, dotada de escamas fortemente quilhadas e das conspícuas fossetas loreais localizadas entre os olhos e as narinas, que funcionam como órgãos termorreceptores. Apresenta dentição solenóglifa, com longas presas retráteis capazes de injetar grandes volumes de uma peçonha altamente proteolítica, hemorrágica e miotóxica.

Distribuição geográfica: Encontra-se amplamente distribuída na porção centro-leste da América do Sul. Sua ocorrência geográfica abrange vastas regiões do Brasil, estendendo-se do estado da Bahia até o Rio Grande do Sul, incluindo estados do interior como Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Além do território brasileiro, sua distribuição se estende de forma contínua para o nordeste da Argentina (principalmente na província de Misiones) e para a região oriental do Paraguai.

Ambiente: Ocorre predominantemente no domínio morfoclimático da Mata Atlântica, estando intimamente vinculada a florestas úmidas e densas. Apresenta uma forte associação ecológica com corpos d´água, sendo frequentemente avistada nas margens de riachos, rios e áreas brejosas. Apesar de sua preferência por florestas primárias preservadas, demonstra considerável plasticidade ecológica, habitando florestas secundárias em processo de regeneração, matas de galeria e áreas agrícolas alteradas, como bananais, distribuindo-se desde o nível do mar até altitudes próximas de 1000 metros.

Alimentação: Apresenta uma nítida variação ontogenética em sua dieta alimentar ao longo de sua vida. Os indivíduos juvenis alimentam-se prioritariamente de presas ectotérmicas, tais como anfíbios anuros (sachas, rãs e sapos) e pequenos lagartos, muitas vezes utilizando o comportamento de engodo caudal para atrair suas presas. Ao atingirem a fase adulta, passam a consumir quase exclusivamente presas endotérmicas, predando ativamente roedores silvestres, pequenos marsupiais e, eventualmente, aves de hábitos terrícolas, suprindo o alto custo energético necessário para sua sobrevivência e reprodução.

Comportamento: Detém hábitos predominantemente noturnos e terrestres, embora possa ser vista ativa durante o crepúsculo ou termorregulando ao sol sobre a serrapilheira nas primeiras horas do dia. Trata-se de uma predadora de emboscada clássica que depende de sua extraordinária camuflagem críptica para passar despercebida por presas e predadores em meio às folhas secas do solo florestal. Quando ameaçada, exibe comportamentos defensivos vigorosos, como a vibração da cauda contra o solo (gerando um som que mimetiza uma cascavel), o achatamento dorsoventral do corpo para inflar seu tamanho aparente, e botes rápidos e sucessivos direcionados ao agressor.

Reprodução: Apresenta uma estratégia reprodutiva do tipo vivípara (ovovivípara), na qual o desenvolvimento embrionário ocorre inteiramente dentro do útero materno, culminando no nascimento de filhotes já formados. O período de acasalamento concentra-se geralmente nas estações do outono e da primavera. Após uma gestação prolongada, as fêmeas dão à luz ninhadas expressivamente numerosas, variando de 16 a 36 filhotes (com registros ocasionais superiores a 40), que nascem totalmente independentes, com peçonha ativa e prontos para a dispersão no final do verão.

Categoria de conservação: É classificada amplamente como de Pouco Preocupante (LC) em avaliações globais de risco de extinção devido à sua considerável distribuição histórica. Contudo, populações locais encontram-se sob severa ameaça devido à acelerada perda e fragmentação da Mata Atlântica decorrente da expansão agrícola e imobiliária, além do abate sistemático realizado por populações humanas devido ao alto risco médico que acidentes com a espécie representam.



Compilação e publicação: EcoRegistros – 16/08/2026




Distribuição geográfica


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05/02/2023
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174012405/02/2023BrasilParanáGaruvaGlauco Oliveira
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Citação recomendada
Utilize a referência abaixo para citar esta ficha da espécie.
EcoRegistros. 2026. Jararacuçu (Bothrops jararacussu) – Ficha da espécie. Acessado em www.ecoregistros.org em 22/09/2026.