Apresenta um corpo robusto, curto e encorpado, com um comprimento médio que varia habitualmente entre 45 e 65 centímetros, embora indivíduos excepcionais possam alcançar até 80 centímetros. O elemento morfológico mais marcante e diagnóstico desta serpente é a extremidade anterior do focinho, que exibe uma projeção rostral fortemente voltada para cima, lembrando uma pequena tromba arrebitada. Sua cabeça possui um formato nitidamente triangular, bem diferenciada do pescoço e recoberta por pequenas escamas quilhadas. A coloração de fundo do dorso varia de cinza a pardo-amarelado, exibindo um padrão regular de manchas dorsais alternadas em tons de marrom-escuro ou castanho, delimitadas por bordas claras. Apresenta fosetas loreais termorreceptoras altamente desenvolvidas entre os olhos e as narinas, além de pupilas elípticas verticais.
Distribuição geográfica: É uma espécie endêmica exclusiva da República Argentina, destacando-se como a serpente peçonhenta de distribuição mais austral do planeta. Sua ocorrência geográfica estende-se desde as províncias do norte, como Tucumã e Catamarca, descendo por toda a região de Cuyo e cruzando as províncias patagônicas até o norte de Santa Cruz, aproximadamente na latitude de 47° Sul.
Ambiente: Habita preferencialmente ecossistemas de características áridas e semiáridas do território argentino. É particularmente frequente na província fitogeográfica do Monte e nas vastas extensões da Estepa Patagônica, áreas marcadas por escassa precipitação pluviométrica, ventos constantes e solos predominantemente arenosos ou pedregosos. Ocupa matagais xerófilos ralos, encostas rochosas, dunas litorâneas e planícies áridas, evitando densas formações florestais ou zonas excessivamente úmidas.
Alimentação: Demonstra hábitos alimentares estritamente carnívoros e de caráter generalista e oportunista. Os adultos predam majoritariamente pequenos roedores e uma quantidade significativa de lagartos pertencentes ao gênero Liolaemus. Os juvenis alimentam-se de pequenos lagartos e insetos grandes, por vezes utilizando o mimetismo caudal para atrair presas em potencial. Utiliza a tática de espreita e emboscada para desferir botes rápidos, inoculando um veneno com forte ação proteolítica e coagulante que imobiliza a presa antes de iniciar a deglutição.
Comportamento: Exibe um padrão de atividade estreitamente regulado pelas variações térmicas sazonais de seu habitat. Durante os meses quentes de verão, torna-se essencialmente noturna e crepuscular, ao passo que nas estações de transição como outono e primavera exibe hábitos diurnos para termorregulação ao sol sobre rochas. Como estratégia para tolerar os invernos rigorosos da Patagônia, realiza a brumação invernal, abrigando-se sob rochas de grande porte, fendas rochosas profundas ou em tocas abandonadas de roedores. Quando se sente ameaçada, adota uma postura defensiva em formato de S, achata o corpo para parecer maior e vibra a cauda rapidamente contra o solo seco para produzir som de alerta.
Reprodução: Apresenta uma modalidade reprodutiva do tipo vivípara, o que constitui uma adaptação crucial para a sobrevivência em ambientes frios, onde a incubação externa de ovos terrestres seria inviável. O ciclo reprodutivo ocorre anualmente, com acasalamentos concentrados na primavera. Após um período gestacional interno de vários meses, as fêmeas dão à luz uma ninhada composta por 5 a 20 filhotes completamente formados entre o final do verão e o início do outono. Os recém-nascidos são totalmente independentes e já nascem munidos de glândulas de veneno funcionais.
Categoria de conservação: Encontra-se atualmente classificada sob o status de Pouco Preocupante (LC) tanto em listas nacionais quanto internacionais de herpetofauna ameaçada. Contudo, as populações locais sofrem pressões pontuais resultantes da degradação ambiental promovida pela expansão agropecuária, urbanização desordenada e, de forma mais direta, pela eliminação ativa e sistemática de indivíduos devido ao temor humano gerado por acidentes ofídicos.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 23/08/2026