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Anhinga anhinga

Biguatinga


Anhinga anhinga

(Linnaeus, C, 1766)
Aninga
Anhinga

Família: Anhingidae
Ordem: Suliformes
Classe: Aves
Filo / Divisão: Chordata
Reino: Animalia

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Outros nomes comuns: Ave Serpiente, Biguá Víbora, Biguá Aguja.

Sinônimos: Plotus anhinga.

Subespécies:





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Registros de Parque Nacional Iberá

Estado de conservação de acordo BirdLife International: Preocupação menor


Descrição


É uma ave aquática de aparência inconfundível, caracterizada pelo corpo alongado, pescoço extremamente longo e fino e um bico reto, estreito e muito pontiagudo, utilizado como uma verdadeira lança para capturar peixes. Sua silhueta elegante faz com que, ao nadar com o corpo submerso e apenas o pescoço acima da superfície da água, lembre uma serpente, característica que deu origem a diversos de seus nomes populares. A espécie apresenta acentuado dimorfismo sexual. O macho possui plumagem predominantemente negra, com intenso brilho esverdeado ou azulado que se torna mais evidente sob a luz do sol. As penas escapulares e parte das asas exibem delicadas linhas prateadas ou esbranquiçadas, formando um desenho elegante sobre o dorso. A cabeça e o pescoço são majoritariamente negros, com discretos tons castanhos na região posterior. A fêmea, por sua vez, distingue-se facilmente pela coloração muito mais clara da cabeça, do pescoço e da parte superior do peito, que variam entre o bege e o castanho-claro, contrastando fortemente com o restante do corpo, de coloração negro-acastanhada. Os juvenis são bastante semelhantes às fêmeas, apresentando plumagem ainda mais clara, opaca e pouco contrastada, adquirindo gradualmente a coloração definitiva à medida que amadurecem. Ambos os sexos possuem uma cauda longa e rígida, que funciona como leme durante a natação e oferece apoio adicional quando a ave repousa sobre galhos. Diferentemente da maioria das aves aquáticas, suas penas apresentam menor impermeabilidade, permitindo que absorvam parte da água e reduzindo a flutuabilidade, uma adaptação que facilita os mergulhos, mas que torna necessário secar frequentemente a plumagem após a alimentação.

Distribuição geográfica: Ocorre desde o sudeste dos Estados Unidos até grande parte da América do Sul, ocupando uma vasta rede de áreas úmidas tropicais e subtropicais. Está presente na Flórida, México, América Central, Caribe e praticamente toda a América do Sul a leste da Cordilheira dos Andes, incluindo Colômbia, Venezuela, Guianas, leste do Equador, Peru, Bolívia, Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. No Brasil, distribui-se por grande parte do território, sendo especialmente comum em regiões com abundância de rios, lagoas, várzeas, pantanais e outros ambientes alagados. A maioria das populações é residente ao longo de todo o ano, embora possam ocorrer deslocamentos locais em resposta às variações do nível da água, da disponibilidade de peixes ou das condições climáticas. Sua ocorrência está intimamente associada à presença de corpos d´água permanentes com vegetação abundante e árvores adequadas para repouso e reprodução.

Ambiente: Habita lagos, lagoas, brejos, pântanos, rios de corrente lenta, reservatórios, áreas inundáveis e florestas alagadas, estando quase sempre associada a ambientes de água doce, embora ocasionalmente utilize áreas salobras. Prefere locais com vegetação aquática abundante e árvores emergentes, que servem como poleiros para descanso, secagem da plumagem e observação do ambiente. Um de seus comportamentos mais característicos é permanecer pousada sobre galhos secos com as asas completamente abertas após deixar a água, permitindo que o sol e o vento acelerem a secagem das penas. Embora tolere certo grau de alteração ambiental, tende a ser mais abundante em áreas úmidas bem conservadas, com boa qualidade da água e elevada disponibilidade de peixes. A preservação desses ecossistemas é fundamental para garantir populações saudáveis da espécie.

Alimentação: É um predador altamente especializado na captura de peixes, embora também consuma anfíbios, pequenos répteis, crustáceos, insetos aquáticos e outros organismos quando disponíveis. A caça ocorre principalmente durante mergulhos, nos quais a ave desloca-se com grande habilidade utilizando as patas palmadas como principal propulsão, enquanto a longa cauda auxilia na direção. Ao localizar uma presa, projeta rapidamente o pescoço para a frente e a perfura com a ponta afiada do bico em um movimento extremamente veloz. Em seguida, retorna à superfície, lança o peixe para o alto com um movimento preciso do bico e o engole sempre pela cabeça. Alimenta-se principalmente de peixes pequenos e médios, embora eventualmente capture exemplares maiores. Sua menor flutuabilidade representa uma importante vantagem durante a caça subaquática, permitindo deslocamentos prolongados entre a vegetação submersa com grande eficiência.

Comportamento: É uma espécie geralmente solitária ou pouco gregária durante a alimentação, mas frequentemente compartilha dormitórios e colônias reprodutivas com biguás, garças, colhereiros, íbis e outras aves aquáticas. Permanece longos períodos imóvel sobre galhos expostos com as asas abertas, comportamento amplamente conhecido e relacionado tanto à secagem das penas quanto à regulação da temperatura corporal. Seu voo é elegante e vigoroso, alternando batidas lentas das asas com longos planeios aproveitando correntes de ar ascendentes. Diferentemente das garças, voa mantendo o pescoço totalmente estendido. Fora da época reprodutiva costuma ser silenciosa, mas durante o cortejo e a nidificação emite diversos sons guturais, estalos e assobios utilizados na comunicação entre os membros do casal. Quando percebe algum perigo, frequentemente prefere mergulhar silenciosamente e reaparecer vários metros adiante em vez de levantar voo imediatamente.

Reprodução: Reproduz-se em colônias, frequentemente associadas a outras aves aquáticas, construindo ninhos sobre árvores, arbustos ou vegetação emergente localizada sobre a água ou muito próxima dela. O ninho consiste em uma plataforma formada por gravetos e galhos, revestida internamente com materiais vegetais mais delicados. A postura normalmente varia entre dois e cinco ovos de coloração azul-esverdeada, recobertos por uma fina camada calcária esbranquiçada que se desgasta gradualmente durante a incubação. Macho e fêmea participam da construção do ninho, da incubação e dos cuidados com os filhotes. Os jovens nascem completamente dependentes dos pais e inicialmente sem penas, desenvolvendo posteriormente uma penugem clara antes de adquirir a plumagem juvenil, bastante semelhante à das fêmeas adultas. Permanecem várias semanas no ninho e continuam recebendo alimento dos adultos mesmo após realizarem os primeiros voos ao redor da colônia, tornando-se independentes de forma gradual.

Categoria de conservação: Está classificada como Pouco Preocupante (Least Concern) devido à sua ampla distribuição geográfica e ao grande tamanho de sua população global. Entretanto, diversas populações locais sofrem impactos decorrentes da destruição e degradação de áreas úmidas, poluição dos corpos d´água, construção de barragens, desmatamento das matas ciliares, perturbação das colônias reprodutivas e redução das populações de peixes causada pela sobrepesca ou pela deterioração da qualidade da água. A conservação dos ambientes úmidos naturais, a proteção das colônias de reprodução, a manutenção da qualidade dos ecossistemas aquáticos e o manejo adequado dos recursos hídricos constituem medidas essenciais para garantir a sobrevivência dessa notável ave. Suas extraordinárias adaptações para a caça subaquática, associadas ao característico hábito de abrir as asas para secá-las após cada mergulho, fazem dela uma das espécies mais fascinantes dos ambientes aquáticos das Américas.


Autor desta compilação: EcoRegistros – 08/07/2026






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Utilize a referência abaixo para citar esta ficha da espécie.
EcoRegistros. 2026. Biguatinga (Anhinga anhinga) – Ficha da espécie. Acessado em www.ecoregistros.org em 15/09/2026.