É um pato de porte médio e constituição compacta, amplamente distribuído pela América do Sul. Uma de suas características mais marcantes é o bico amarelo com a ponta preta, traço que originou seu nome científico. A plumagem é predominantemente parda, com finas marcações que conferem ao corpo uma aparência delicadamente desenhada. A cabeça costuma apresentar tons castanho-escuros, enquanto o dorso mostra um padrão escamado produzido pelas bordas claras das penas. Em voo, destaca-se um espelho alar iridescente esverdeado ou enegrecido, contrastando com áreas mais claras da asa. Machos e fêmeas são bastante semelhantes, embora os machos geralmente sejam um pouco maiores. Os indivíduos jovens apresentam coloração mais discreta e menor contraste na plumagem.
Distribuição geográfica: Ocorre amplamente em grande parte da América do Sul, desde regiões subtropicais e andinas até áreas temperadas e frias do extremo sul do continente. Está presente na Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador e em partes da Colômbia. Algumas populações permanecem residentes durante todo o ano, enquanto outras realizam deslocamentos sazonais relacionados à disponibilidade de água e alimento. Sua elevada capacidade de adaptação permite a ocupação de diferentes tipos de ambientes aquáticos.
Ambiente: Habita lagoas, banhados, áreas alagadas, reservatórios, cursos d’água de corrente lenta, zonas úmidas de altitude e ambientes costeiros. Demonstra grande flexibilidade ecológica, podendo utilizar tanto ambientes de água doce quanto áreas levemente salobras. Locais com abundante vegetação aquática costumam ser preferidos por oferecer abrigo, locais adequados para reprodução e recursos alimentares. Também é encontrado em paisagens rurais e ambientes modificados pelo ser humano.
Alimentação: Possui dieta variada e oportunista. Alimenta-se principalmente de sementes, brotos, folhas e outras partes de plantas aquáticas, complementando sua alimentação com insetos, larvas, moluscos, pequenos crustáceos e outros invertebrados. Frequentemente obtém alimento filtrando água e sedimentos com o bico ou inclinando o corpo para alcançar recursos submersos. Essa versatilidade alimentar contribui para seu amplo sucesso ecológico.
Comportamento: Costuma ser observado em casais, pequenos grupos ou bandos maiores, dependendo da época do ano e das condições locais. Permanece ativo durante boa parte do dia, com maior intensidade de alimentação nas primeiras horas da manhã e no final da tarde. O voo é rápido e direto, com batidas regulares das asas. Durante o período reprodutivo pode apresentar comportamento mais territorial, enquanto fora dessa época frequentemente forma agregações numerosas em áreas favoráveis.
Nidificação: A reprodução ocorre principalmente durante a primavera e o verão, embora possa variar conforme a região. O ninho consiste em uma pequena depressão escondida entre gramíneas, juncos ou vegetação densa próxima à água. A fêmea reveste a estrutura com material vegetal e penas macias. A postura geralmente contém vários ovos de coloração creme ou esbranquiçada. A incubação é realizada principalmente pela fêmea, e os filhotes deixam o ninho pouco tempo após a eclosão, acompanhando a mãe desde muito cedo.
Diferenças em relação ao Marreca-de-bico-amarelo (Anas georgica): Embora as duas espécies possam ocorrer juntas e pareçam semelhantes à primeira vista, existem características úteis para diferenciá-las. O Marreca-de-bico-amarelo apresenta os flancos mais lisos e uniformes, enquanto em Anas georgica os flancos exibem um padrão escamado mais evidente. O formato da cabeça também auxilia na identificação: a espécie aqui tratada apresenta perfil relativamente mais plano e alongado, enquanto Anas georgica possui uma cabeça mais arredondada. Além disso, Anas georgica frequentemente mostra tons mais avermelhados na cabeça, ao passo que esta espécie tende a apresentar coloração mais escura, castanha a castanho-enegrecida.
Categoria de conservação: Está classificada como Pouco Preocupante (LC) devido à sua ampla distribuição geográfica, população numerosa e elevada capacidade de adaptação. Entretanto, algumas populações podem sofrer impactos locais causados pela perda de áreas úmidas, poluição, caça e outras alterações ambientais relacionadas às atividades humanas. A conservação dos ecossistemas aquáticos é fundamental para assegurar a manutenção de populações saudáveis ao longo de sua área de ocorrência.
Autor desta compilação: EcoRegistros – 21/06/2026