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Anarhynchus falklandicus

Batuíra-de-coleira-dupla


Anarhynchus falklandicus

(Latham, J, 1790)
Chorlito Doble Collar
Two-banded Plover

Família: Charadriidae
Ordem: Charadriiformes
Classe: Aves
Filo / Divisão: Chordata
Reino: Animalia

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Sinônimos: Anarhynchus falklandicus, Charadrius falklandicus.





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Registros de La Para

Estado de conservação de acordo BirdLife International: Preocupação menor


Descrição


Trata-se de uma ave limícola de pequeno a médio porte, que exibe uma silhueta compacta e elegante, atingindo um comprimento corporal de aproximadamente 17 a 19 centímetros. Durante a estação reprodutiva, os adultos apresentam uma plumagem nupcial muito marcante, caracterizada por duas faixas peitorais pretas bem delineadas sobre um peito e abdômen de cor branca pura. O dorso possui uma coloração cinza-escura que proporciona uma camuflagem perfeita em ambientes pedregosos. Na cabeça, destaca-se uma distinta testa branca delimitada por uma faixa preta, além de uma coroa e nuca de tom castanho-avermelhado ou rufo bastante visível nos machos maduros. Fora do período de propagação, tanto os machos quanto as fêmeas e os juvenis perdem o contraste destas cores; as faixas pretas do peito tornam-se cinza-acastanhadas e o tom avermelhado da cabeça desaparece quase por completo. O bico é curto, reto, robusto e de coloração preta, combinando com as suas patas fortes, perfeitamente adaptadas para a locomoção terrestre rápida.

Distribuição geográfica: Apresenta uma rota migratória bem definida no Cone Sul da América do Sul. Sua principal área de reprodução concentra-se na Patagônia argentina e chilena, estendendo-se para o sul até a Terra do Fogo e as Ilhas Malvinas, onde há uma população residente bastante ativa. Durante o outono austral, as populações continentais migram para o norte para evitar o inverno rigoroso do sul. Nessa temporada não reprodutiva, distribui-se amplamente pelas costas do centro e norte do Chile no Pacífico, e pelas costas da província de Buenos Aires, Uruguai e sul do Brasil no Atlântico, ocorrendo regularmente no Rio Grande do Sul e, de forma mais esporádica, em áreas mais ao norte, como o Rio de Janeiro.

Ambiente: Está intimamente associado a ecossistemas úmidos e costeiros, exibindo uma grande plasticidade ecológica ao longo do ano. Durante o período não reprodutivo, habita principalmente a zona entremarés de praias arenosas, estuários lamacentos, marismas e lagunas costeiras salobras, onde a oscilação das marés expõe áreas ricas em alimento. Por outro lado, durante a época de reprodução, desloca-se para o interior da Patagônia, ocupando planícies de cascalho, estepes áridas de vegetação rasteira, margens de lagos e rios de água doce, salares e planícies abertas. Esses locais secos e abertos são preferidos porque oferecem uma visão panorâmica ampla, facilitando a detecção precoce de predadores.

Alimentação: Sua dieta é essencialmente carnívora e invertívora, focada em aproveitar os recursos biológicos presentes no lodo e na areia. Alimenta-se de uma grande variedade de pequenos crustáceos, anfípodes, poliquetas, pequenos moluscos e larvas de insetos aquáticos ou terrestres nos ambientes de interior. Para capturar suas presas, utiliza a tática de corrida e pausa típica de sua família: realiza uma corrida curta e rápida, para bruscamente para inspecionar o terreno visualmente e, ao notar qualquer movimento, desfere um golpe rápido com o bico. Essa espécie depende quase exclusivamente de sua visão aguçada, não realizando buscas profundas no interior do sedimento.

Comportamento: Revela mudanças sociais significativas de acordo com a época do ano. Durante os meses de inverno, demonstra um comportamento altamente gregário, reunindo-se em bandos numerosos que podem incluir dezenas ou centenas de indivíduos, muitas vezes associando-se a outras aves limícolas nas praias. No entanto, com a chegada da primavera e do período reprodutivo, esse comportamento social cessa e as aves tornam-se extremamente territoriais e agressivas com invasores, defendendo suas áreas de nidificação com voos rasantes e exibições terrestres. O voo é rápido, direto e executado rente à água ou ao solo. Quando o ninho é ameaçado, os adultos usam táticas de distração, como fingir estar com a asa quebrada para atrair a atenção do predador para longe dos ovos.

Nidificação O ciclo reprodutivo ocorre principalmente entre os meses de outubro e janeiro. A espécie não constrói um ninho complexo, limitando-se a cavar uma pequena depressão rasa no solo arenoso ou de cascalho. Essa cavidade costuma ser decorada ou forrada de forma esparsa com fragmentos de conchas, pedregulhos e pequenos pedaços de vegetação seca para aumentar o mimetismo com o ambiente ao redor. A postura consiste geralmente em 2 a 3 ovos de coloração oliva ou pardo-escura, densamente salpicados com manchas pretas, o que os torna quase invisíveis no solo. Ambos os pais compartilham a incubação, que dura cerca de 25 dias. Os filhotes são nidífugos, abandonando o ninho poucas horas após o nascimento para seguir os pais, que os protegem até que atinjam a independência de voo.

Categoria de conservação A espécie está classificada globalmente como Pouco Preocupante (LC) na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), devido à sua vasta área de distribuição geográfica e estabilidade populacional aparente. Contudo, em nível local, enfrenta ameaças crescentes associadas ao impacto humano. A perturbação constante das praias pelo turismo de massa, o tráfego ilegal de veículos em dunas e praias arenosas onde as aves nidificam, além do desenvolvimento urbano desordenado da zona costeira, representam sérios riscos para o sucesso reprodutivo das populações continentais, demandando ações de manejo e proteção de praias prioritárias.



Compilação e publicação: EcoRegistros – 01/08/2026




Distribuição geográfica


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195294519/01/2024ArgentinaCórdobaCampo mare, La ParaNino A. Grangetto
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Citação recomendada
Utilize a referência abaixo para citar esta ficha da espécie.
EcoRegistros. 2026. Batuíra-de-coleira-dupla (Anarhynchus falklandicus) – Ficha da espécie. Acessado em www.ecoregistros.org em 29/09/2026.