É um réptil escamado estritamente fossorial que se caracteriza por seu corpo cilíndrico, alongado e completamente desprovido de membros, refletindo uma especialização extrema para a vida subterrânea. Apresenta uma coloração dorsal que varia entre o marrom-amarelado e o pardo-acinzentado, com a região ventral nitidamente mais clara ou rosada. A pele é segmentada em anéis concêntricos regulares, os quais propiciam um movimento telescópico eficiente sob a terra, apresentando de 190 a 215 anéis corporais e 18 a 24 anéis caudais. A cabeça é rígida, maciça e compacta, fundida ao crânio para funcionar como uma ferramenta de escavação ativa. Seus olhos são rudimentares, extremamente reduzidos e cobertos por uma escama translúcida protetora, o que limita sua capacidade visual à percepção de contrastes de luminosidade. O comprimento focinho-cloaca varia de 200 a 320 milímetros, possuindo um corpo leve que reduz o atrito com o solo. A cauda é curta, arredondada e assemelha-se morfologicamente à cabeça, servindo como uma estratégia de distração contra predadores.
Distribuição geográfica: Ocorre nas regiões temperadas e subtropicais da América do Sul. Sua distribuição geográfica estende-se amplamente pelo sul do Brasil (particularmente nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina), estendendo-se por todo o território do Uruguai e pelas regiões centro-leste e norte da Argentina, abrangendo províncias como Buenos Aires, Entre Ríos, Santa Fe e Córdoba.
Ambiente: Habita preferencialmente áreas de campos abertos, savanas arbustivas e florestas de transição, com forte associação aos biomas do Pampa e do Espinal. Necessita de solos de textura arenosa ou argilo-arenosa, relativamente soltos e com umidade moderada, propícios para a confecção de galerias subterrâneas. É comumente encontrado sob pedras, troncos caídos em decomposição ou dentro de formigueiros e cupinzeiros, que oferecem abrigo e proteção térmica estável.
Alimentação: Possui hábitos alimentares carnívoros e generalistas, atuando como um importante predador da fauna de invertebrados do solo. Alimenta-se ativamente de larvas de besouros, minhocas, aranhas, lacraias e cupins. Utiliza o olfato apurado através do órgão jacobsoniano e a percepção de vibrações acústicas de baixa frequência no solo para rastrear suas presas, capturando-as com mandíbulas fortes equipadas com dentes afiados e curvados para trás.
Comportamento: Apresenta comportamento exclusivamente subterrâneo (fossorial), emergindo à superfície apenas de forma acidental, como em episódios de encharcamento do solo devido a chuvas fortes. Sua locomoção subterrânea é do tipo retilínea ou em sanfona, movimentando a musculatura sob a pele solta de forma linear. Quando ameaçado, adota uma postura defensiva conhecida como comportamento de duas cabeças, erguendo simultaneamente a cabeça e a extremidade posterior do corpo para confundir potenciais predadores quanto à sua vulnerabilidade; também pode morder fortemente para se defender se manuseado.
Reprodução: Sua estratégia de reprodução é do tipo ovípara. As fêmeas realizam a postura de 2 a 5 ovos de casca flexível e formato alongado, depositando-os em cavidades profundas no solo, sob rochas ou frequentemente no interior de ninhos ativos de formigas cortadeiras pertencentes aos gêneros Acromyrmex ou Atta, aproveitando o microclima termorregulado e úmido dessas colônias. A incubação ocorre durante os meses quentes de verão, gerando filhotes precoces e totalmente independentes.
Categoria de conservação: É classificada atualmente como de Pouco Preocupante (LC) nas avaliações globais e nacionais de conservação devido à sua distribuição geográfica expressiva e resiliência ecológica. Contudo, suas populações locais enfrentam declínios associados à conversão do habitat natural para a monocultura agrícola, ao uso intensivo de defensivos agrícolas que contaminam o solo e eliminam suas presas, e à mortalidade direta por ação humana devido à falsa crença de que se trata de uma espécie peçonhenta.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 21/07/2026