Akodon spegazzinii é um roedor do gênero
Akodon encontrado no noroeste argentino. Ele pode ser encontrado em pradarias e florestas, de 400 a 3.500 metros acima do nível do mar. Depois do nomeamento da espécie em 1897, diversos outros nomes foram dados a populações que agora são incluídas como
A. spegazzinii. Elas são agora compreendidas como uma única, espalhada, e variável espécie. O
Akodon spegazzinii é relacionado ao
Akodon boliviensis e outros membros do grupo de espécies
A. boliviensis. Sua reprodução é anual e devido a ser uma espécie comum e largamente distribuída, o
Akodon spegazzinii é listado como "fora de perigo" na lista vermelha da IUCN.
O
Akodon spegazzinii tem um tamanho médio dentro do grupo do
A. boliviensis. A coloração de suas partes superiores varia consideravelmente, de clara para escura e de um marrom amarelado para um avermelhado. Já as suas partes inferiores vão de um marrom amarelado para o cinza. Os olhos são rodeados por um anel de pelos amarelos. O crânio contem uma região interorbital em forma de ampulheta e várias outras características dele diferenciam a espécie de seus parentes próximos. O comprimento de seu corpo é de 93 a 196 milímetros, e sua massa corporal é de 13 a 38 gramas. Seu cariótipo tem 2n = 40 e FN = 40.
Taxonomia: O
Akodon spegazzinii foi descrito pela primeira vez em 1897 na província de Salta por Oldfield Thomas com base numa coleta feita entre 1896 e 1897 pelo micologista Carlos Luigi Spegazzinii, que inspirou o nome da espécie. Quatro anos depois, Joel Asaph Allen nomeou
Akodon tucumanensis da província de Tucúman, comparando-o com diversas espécies agora sinonimizadas como
Abrothrix olivaceus. Thomas também nomeou outra espécie,
Akodon alterus, da província de La Rioja em 1919, e considerou-a próxima do
A. spegazzinii. Uma quarta espécie,
Akodon leucolimnaeus, foi descrita por Ángel Cabrera na província de Catamarca em 1926, porém depois de 1932 foi juntada com o
Akodon lactens (agora conhecido como
Necromys lactens) como uma subespécie.
Em 1961, Cabrera listou tanto
spegazzinii quanto
tucumanensis como subespécies do
Akodon boliviensis, com a
alterus como um sinônimo de
Akodon boliviensis tucumanensis. Em 1990, Philip Myers e colegas revisaram o grupo de espécies
Akodon boliviensis. Eles, previamente, mantiveram
Akodon spegazzinii como uma espécie separada do
A. boliviensis, com
tucumanensis como uma subespécie, e sugeriram que
alterus era provavelmente relacionada à
spegazzinii e à
tucumanensis. Subsequentemente, o tratamento dessas espécies com um trabalho sistemático se tornou váriavel. Um artigo de 1992 sugeriu que
alterus e
tucumanensis eram, no máximo, muito similares, mas em 1997, Michael Mares e colegas listaram cada um dos três como espécies diferentes num compêndio dos mamíferos de Catamarca., citando diferenças na coloração e no habitat. Outros como Mónica Díaz e Rubén Bárquez prosseguiram os estudos. Em 200, Díaz e colegas identificaram a
alterus e
tucumanensis como subespécies do
spegazzinii numa revisão dos mamíferos de Salta. Guy Musser e Michael Carleton, na terceira edição de
Mammal Species of the World, em 2005, também consideraram que as três representavam a mesma espécie, assim como Ulysses Pardiñas e colegas numa revisão sobre os
Akodon argentinos, em 2006. Enquanto isso, Carlos Galliari e Pardiñas tinham reconhecido
Akodon leucolimnaeus como um
Akodon e não como um
Necromys, em 1995. E apesar de estar associado com o grupo
Akodon boliviensis, seu estado preciso se mantem incerto. O nome em comum "Catamarca akodont" foi proposto para as espécies.
Em 1980, Julio Contreras e María Rosi identificaram um
Akodon da província de de Mendoza como
Akodon varius neocenus (que agora é conhecido como
Akodon neocenus), mas no ano seguinte eles identificaram-o como uma nova espécie, nomearam-a como
Akodon minoprioi em uma apresentação científica. Contudo esse nome nunca foi formalmente validado. No ano de 2000, Janet Braum e colegas formalmente nomearam essa espécie como
Akodon oenos e juntaram ao grupo de espécies
Akodon varius. O nome específico,
oenos, vem do grego e significa "vinho", e faz referência a área de ocorrência do animal, a qual é produtora de vinhos.
Em 2010, Pablo Jayat e colegas revisaram os membros do grupo de espécies
Akodon boliviensis, incluindo
A. spegazzinii, na Argentina. Eles não conseguiram achar diferenças claras nas características morfológicas e moleculares entre animais pertencentes as espécies
A. alterus,
A. leucolimnaeus,
A. spegazzinii, e
A. tucumanensis, considerando-as, então, como uma única espécie. Apesar da variabilidade genética ser relativamente alta entre os pertencentes a
A. spegazzinii, não há nenhuma estrutura geográfica clara entre haplótipos de diferentes regiões. No ano seguinte, Ulyses Pardiñas e colegas concluíram que a
A. oenos, que tinha sido formalmente, e incorretamente, colocada dentro do grupo de espécies
A. varius, era outro sinônimo de
A. spegazzinii. A proliferação de nomes científicos para essa espécie se deu ocorreram por causa da extrema exatidão da descrição original da
A. spegazzinii, e da falta de grandes amostras e percepção da grande variação dentro da
A.spegazzinii.De acordo com a análise filogenética das sequências do gene citocromo b das mitocôndrias, a
Akodon spegazzinii é mais próxima da
Akodon boliviensis do que de outras espécies deste grupo, incluindo
Akodon polopis e
Akodon sylvanus. O grupo
boliviensis é parte do altamente diverso gênero
Akodon e portanto pertencente a tribo Akodontini, a qual inclui cerda de 90 roedores nos países da América do Sul. Akodontini é uma das várias tribos dentro da subfamília Sigmodontinae e da família Cricetidae, a qual inclui centenas de pequenos de roedores encontrados na Eurásia e nas Américas.
Ver também: