Apresenta um evidente dimorfismo sexual e uma morfologia perfeitamente adaptada a habitats palustres. O macho adulto ostenta uma plumagem completamente preta e brilhante, que contrasta fortemente com os seus ombros de cor amarelo-vivo (encontro das asas e coberturas subalares), os quais se tornam altamente visíveis durante o voo ou em exibições territoriais. Por outro lado, a fêmea possui uma coloração críptica, caracterizada por tons pardo-acinzentados estriados de marrom-escuro, exibindo uma sobrancelha clara e a garganta mais esbranquiçada. O bico é cônico, pontiagudo e preto, ideal para a captura de diversos tipos de presas, enquanto a íris é escura. O comprimento total desta ave varia entre 18 e 20 centímetros, com um peso corporal que oscila entre 35 e 45 gramas.
Distribuição geográfica: Distribui-se amplamente pelo Cone Sul da América do Sul. Sua ocorrência estende-se desde as áreas andinas do centro do Peru e oeste da Bolívia, descendo pelo Chile (da região de Atacama até Aisén) e pela Argentina (principalmente na região dos Pampas e na Patagônia setentrional). Também é encontrado em todo o território do Uruguai e no extremo sul do Brasil, especificamente no estado do Rio Grande do Sul.
Ambiente: Está intimamente associado a ecossistemas aquáticos de água doce ou salobra. Habita banhados, pântanos, juncais e pastagens inundáveis onde predomina a vegetação palustre, especialmente dos gêneros Typha (taboas) e Schoenoplectus (juncos). Também pode ser observado em canais de irrigação, margens de lagoas e campos agrícolas inundados adjacentes a corpos d´água estáveis.
Alimentação: Apresenta uma dieta onívora com forte tendência insetívora durante o período reprodutivo. Alimenta-se ativamente de uma grande variedade de invertebrados, como larvas de insetos, besouros, aranhas e pequenos moluscos aquáticos. Complementa sua ingestão nutricional consumindo sementes de gramíneas e grãos silvestres, coletados diretamente do solo úmido ou através da exploração minuciosa da vegetação aquática.
Comportamento: É uma espécie de hábitos marcadamente gregários, formando bandos de tamanho médio a grande fora do período reprodutivo, muitas vezes associando-se a outros icterídeos. Na primavera, os machos tornam-se altamente territoriais, defendendo suas áreas nos juncais por meio de cantos metálicos e exibições físicas, nas quais eriçam as penas amarelas dos ombros. O canto consiste em notas ásperas intercaladas com assobios curtos emitidos a partir de galhos elevados.
Nidificação: O ciclo reprodutivo inicia-se com o estabelecimento de territórios nos banhados. O ninho é uma taça profunda construída com fibras vegetais úmidas, folhas de juncos e capins entrelaçados, que se contraem ao secar, tornando a estrutura firme. O ninho é fixado diretamente nos caules verticais da vegetação aquática, a uma altura que varia de 30 a 90 centímetros acima do nível da água, protegendo a ninhada contra predadores terrestres. A postura geralmente compreende de 2 a 4 ovos de coloração azul-esverdeada ou esbranquiçada, ornamentados com manchas e rabiscos marrons ou pretos. A incubação é realizada principalmente pela fêmea por um período de 11 a 13 dias, e ambos os pais cooperam ativamente na alimentação dos filhotes.
Categoria de conservação: É classificado como Pouco preocupante (LC) de acordo com a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Embora suas populações globais sejam consideradas estáveis devido à sua ampla distribuição, a espécie enfrenta ameaças locais constantes decorrentes da drenagem, fragmentação e poluição de áreas úmidas para fins agropecuários e urbanísticos.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 19/07/2026